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Cruzeiro v Flamengo - Copa CONMEBOL LibertadoresGetty Images Sport

Gerson retorna ao Maracanã com o Cruzeiro após um primeiro reencontro nada amigável

Gerson estará novamente no Maracanã nesta quarta-feira (19), às 21h30 (de Brasília), mas desta vez vestindo a camisa do Cruzeiro e em um cenário muito diferente daquele que marcou sua trajetória no Flamengo. O duelo pelas oitavas de final da Libertadores vale uma vaga nas quartas de final e coloca o meio-campista diante do clube pelo qual conquistou 12 títulos e se tornou um dos grandes ídolos da geração mais vencedora da história recente rubro-negra.

A partida, porém, também será marcada por uma relação que mudou radicalmente. A saída de Gerson do Flamengo, em julho de 2025, deixou uma ferida entre o jogador e a torcida. O reencontro mais recente no Maracanã, em março deste ano, já havia mostrado que a idolatria havia dado lugar à revolta.

Agora, com o empate por 1 a 1 no jogo de ida, no Mineirão, o clima promete ser ainda mais intenso. Quem vencer avança às quartas de final. Em caso de nova igualdade, a vaga será decidida nos pênaltis.

  • Flamengo v Fluminense - Brasileirao Series A 2019Getty Images Sport

    De ídolo a alvo da torcida

    Gerson construiu uma história de destaque com a camisa do Flamengo. Campeão da Libertadores em 2019, o volante participou de uma das fases mais vitoriosas do clube e acumulou 12 títulos durante sua passagem.

    O jogador também se tornou uma das referências daquela geração e chegou a ostentar a faixa de capitão. Por isso, sua saída teve impacto proporcional ao tamanho que havia alcançado dentro do clube.

    A transferência para o Zenit, da Rússia, em 2025 foi o ponto de ruptura. O clube russo pagou a multa rescisória de 25 milhões de euros e levou o meio-campista em uma saída considerada conturbada pelos torcedores, pouco depois de o Flamengo renovar seu contrato.

    A maneira como o vínculo foi encerrado passou a ser o principal motivo para a mudança na relação com a torcida.

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  • Flamengo v Cruzeiro - Brasileirao 2026Getty Images Sport

    Primeiro reencontro teve vaias e confusão

    O primeiro encontro de Gerson com os flamenguistas no Maracanã após a saída aconteceu em março deste ano, quando Flamengo e Cruzeiro se enfrentaram pelo Campeonato Brasileiro.

    O time carioca venceu por 2 a 0, mas o resultado ficou em segundo plano diante da recepção ao ex-capitão.

    Antes mesmo do início da partida, Gerson foi chamado de "mercenário" por torcedores. Durante o jogo, cada toque do volante na bola era acompanhado por vaias e xingamentos vindos das arquibancadas.

    A tensão chegou também ao pai do jogador. Marcão, que além de pai é empresário de Gerson, foi hostilizado no setor Norte do Maracanã e precisou deixar o local. O episódio provocou um princípio de confusão e exigiu a intervenção da segurança do estádio.

    O cenário deixou claro que o reencontro entre Gerson e a torcida havia ultrapassado a esfera esportiva.

  • imago-sport-1070018923.jpgNurPhoto

    Saída para o Zenit ainda provoca desgaste

    A transferência para o futebol russo continua sendo o principal capítulo da ruptura entre Gerson e o Flamengo.

    O meio-campista deixou o clube por meio do pagamento da multa rescisória, em uma decisão que aconteceu após uma negociação envolvendo a renovação de seu contrato. Para parte da torcida, o problema não esteve apenas na escolha de deixar o Flamengo, mas na forma como o processo foi conduzido.

    A discussão ganhou ainda um desdobramento judicial. Flamengo e Gerson travam uma disputa relacionada a um contrato de direitos de imagem. O clube cobra mais de R$ 42 milhões do jogador e da empresa administrada por ele e por seu pai.

    Dessa forma, o reencontro desta quarta-feira (19) carrega não apenas a rivalidade esportiva de um mata-mata, mas também as consequências de uma relação que se deteriorou fora de campo.

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  • Corinthians v Flamengo - Brasileirao 2026Getty Images Sport

    Torcida divide opiniões, mas mágoa prevalece

    Entre torcedores do Flamengo, a avaliação sobre Gerson não é completamente uniforme. Há quem reconheça a importância do jogador na história recente do clube e considere que a decisão de buscar uma transferência faz parte da carreira profissional.

    Também há quem considere que a maneira como a saída ocorreu foi suficiente para apagar a idolatria.

    Em entrevista ao No Ataque!, Marcelo reconhece a trajetória do volante, mas critica a condução de sua saída e afirma que o relacionamento com o clube foi abalado. Roni segue uma linha semelhante: entende o desejo do jogador de buscar uma remuneração maior, mas considera que a forma como o processo aconteceu prejudicou a relação.

    Outros torcedores são mais duros. Arielson afirma que a idolatria terminou com a saída e que a passagem pelo clube ficou marcada pela mágoa. Fabio classifica a decisão como moralmente negativa e diz que Gerson passou a ser visto como um "Judas" por parte da torcida. Gilsa é ainda mais direta ao afirmar que o jogador deixou de ser ídolo.

    O sentimento predominante, portanto, é de reconhecimento pelo que Gerson fez em campo, mas de forte rejeição à maneira como deixou o Flamengo.

  • imago-sport-1077547494.jpgBrazil Photo Press

    Agora, é vencer ou voltar para casa

    O confronto desta quarta-feira (19) terá um peso diferente daquele do Campeonato Brasileiro. Pela primeira vez, Gerson enfrenta o Flamengo no Rio de Janeiro pelo Cruzeiro em um mata-mata continental.

    E o contexto aumenta a tensão. Depois do 1 a 1 em Belo Horizonte, nenhum dos times carrega vantagem para o segundo jogo. Uma vitória coloca o vencedor nas quartas de final, enquanto um novo empate leva a decisão para os pênaltis.

    Para Gerson, será uma oportunidade de responder dentro de campo diante de um estádio que já foi palco de algumas das maiores conquistas de sua carreira.

    O Maracanã que um dia celebrou o volante agora deverá recebê-lo com vaias. O jogador que ajudou a construir uma das eras mais vitoriosas do Flamengo volta ao estádio como adversário e, aos olhos de parte significativa da torcida, deixou de ser ídolo para se tornar vilão.