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Al-Nassr v Al-Ittihad - Saudi Super Cup Semi FinalGetty Images Sport
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Choque intercontinental: será que Jesus escreveu o fim de Cristiano Ronaldo no Al-Nassr?

A decisão de Jorge Jesus de deixar Cristiano Ronaldo fora do time titular da seleção de Portugal não foi uma simples mudança técnica passageira, pois a cena que terminou com a irritação do craque português e sua posterior saída da concentração abriu as portas para questionamentos muito maiores do que os limites da seleção, especialmente porque Jesus é o mesmo homem que viveu com Ronaldo um dos períodos de maior sucesso no Al-Nassr saudita.

E apenas alguns meses depois de os dois homens comemorarem títulos e vitórias em Riad, Jesus se tornou o técnico que decide colocar Ronaldo no banco de reservas e, em seguida, afirma que o craque português não vai mudar suas ideias ou decisões.

E embora a crise, à primeira vista, pareça ligada à seleção, seu eco pode chegar ao Al-Nassr, especialmente se a ousadia de Jesus se transformar em um precedente do qual o atual técnico da equipe, o australiano Ange Postecoglou, possa se beneficiar.

  • Al Hilal v Al Nassr: Saudi Pro LeagueGetty Images Sport

    Jesus abre a porta e Cristiano Ronaldo paga o preço

    O que chama atenção na história de Jesus é que ele não tratou Cristiano Ronaldo como um jogador cuja posição é intocável, mas sim tomou uma decisão técnica clara de mantê-lo no banco de reservas, e depois saiu para afirmar que nenhum jogador pode mudar suas ideias.

    Essa mensagem carrega um significado importante, pois Cristiano Ronaldo, ao longo de muitos anos, acostumou-se a ser o eixo central dos projetos nos quais atua. No entanto, Jesus demonstrou que o nome e a posição do jogador não significam necessariamente a garantia de participação, e que o treinador está disposto a tomar uma decisão que pode irritar o craque se a considerar adequada para a equipe.

    Leia também: Acordo não cumprido: 4 cenas entre Cristiano Ronaldo e Jesus que detonaram a crise

    E se essa decisão aconteceu com Portugal, a pergunta que se impõe dentro do Al-Nassr é: ficou mais fácil para qualquer treinador tomar a mesma decisão com Cristiano Ronaldo?

    É exatamente aqui que o passo dado por Jesus pode ser mais grave do que apenas um desentendimento dentro da seleção, pois quebrou uma barreira psicológica que existia em torno da ideia de colocar Cristiano Ronaldo no banco de reservas, e provou que a decisão é possível se o treinador tiver a ousadia suficiente para arcar com suas consequências.

  • Al Nassr v Abha: Saudi Pro LeagueGetty Images Sport

    Postecoglou diante do teste mais difícil

    Ange Postecoglou ainda não demonstrou, até o momento, qualquer necessidade de iniciar uma nova batalha com Cristiano Ronaldo, mas as circunstâncias da temporada podem colocá-lo diante de uma decisão semelhante em algum momento, especialmente se o astro português continuar apresentando rendimentos que não correspondem ao tamanho das expectativas.

    Ronaldo não apareceu da forma esperada até agora no Al-Nassr, seja no cenário local ou nas competições asiáticas, o que torna a questão de sua participação de maneira permanente um tema de debate técnico, sobretudo diante das diferenças entre as ideias de Postecoglou e as exigências de seu sistema.

    E caso o treinador australiano chegue à convicção de que a equipe precisa de outras soluções em alguns jogos, colocar Ronaldo no banco de reservas não será uma decisão impossível como parecia no passado.

    Jesus quebrou essa barreira e provou que o nome de Ronaldo não concede a seu portador imunidade total diante das decisões técnicas.

    Mas o problema é que uma decisão como essa dentro do Al-Nassr não passaria com a mesma tranquilidade que poderia ocorrer em um jogo internacional, pois aqui a questão está ligada a um contrato enorme, a um astro mundial e a um projeto inteiro construído em torno de sua presença.

  • Os bancos de reservas podem acender a explosão

    Se Postecoglou decidir deixar Cristiano Ronaldo fora do time titular em mais de uma ocasião, a situação pode rapidamente deixar de ser uma decisão técnica para se tornar uma verdadeira crise, especialmente se o jogador sentir que seu papel dentro da equipe começou a diminuir.

    Cristiano Ronaldo não precisa de muitos preâmbulos para expressar sua raiva quando sente que não está convencido de uma decisão técnica, e a recente experiência de Portugal mostrou a dimensão da tensão que pode surgir quando o desejo do jogador se choca com a visão do treinador.

    Por isso, colocar Cristiano Ronaldo no banco de reservas pode ser apenas a primeira faísca. Se o jogador aceitar a decisão e lidar com ela de forma profissional, o assunto pode se encerrar dentro de campo. Mas, se evoluir para um confronto direto, o Al-Nassr pode se ver diante de uma crise maior do que simplesmente a ausência de um jogador na escalação.

    O mais grave é que o Al-Nassr não pode simplesmente tratar Cristiano Ronaldo como um jogador do qual se pode abrir mão com uma decisão rápida, pois sua presença está ligada a um contrato gigantesco e a um grande projeto esportivo e comercial, o que torna qualquer passo em direção ao fim da relação extremamente complexo.

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    200 milhões de euros: o contrato é o grande obstáculo

    Mesmo que o Al-Nassr chegue, em algum momento, à decisão de se desfazer de Cristiano Ronaldo, a questão não será fácil do ponto de vista financeiro. Os relatos que circulam indicam que o craque português recebe um salário anual gigantesco, próximo dos 200 milhões de euros, o que torna a rescisão do contrato ou o encerramento da relação entre as duas partes um assunto extremamente complexo.

    Portanto, colocar Cristiano Ronaldo no banco de reservas é uma coisa; encerrar sua relação com o Al-Nassr é algo completamente diferente. A primeira é uma decisão técnica que o treinador pode tomar, enquanto a segunda exige cálculos financeiros, jurídicos e administrativos que podem tornar o cenário muito mais difícil.

    E é aí que reside o paradoxo: Jesus talvez tenha aberto a porta para uma ideia que ninguém se atrevia a levantar com facilidade, a de que Cristiano Ronaldo pode sentar no banco de reservas caso sua condição não esteja alinhada à visão do treinador. Mas transformar essa ideia em um fim efetivo da relação de Cristiano Ronaldo com o Al-Nassr exige muito mais do que uma decisão técnica.

    Por isso, a crise de Portugal talvez não seja apenas uma história passageira entre continentes, como aparenta, mas sim um momento que revelou que uma nova fase pode estar começando no trato com Cristiano Ronaldo.

    E se Postecoglou decidir seguir pelo mesmo caminho, a bola estará nos pés do craque português: ou ele responde dentro de campo e se reafirma, ou entra em um confronto que pode colocar seu futuro no Al-Nassr diante do maior teste desde sua chegada a Riad.