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Tottenham WSL 1:1Getty/GOAL

Tottenham “colocou a casa em ordem”: agora pode romper o teto de vidro na WSL?

Ameé Ruszkai
Traduzido por
  • Manchester City, Chelsea, Arsenal e Manchester United terminaram entre os quatro primeiros da Women’s Super League em sete das últimas oito temporadas. Mas, antes de cada nova edição, sempre surge a discussão sobre quem poderia mudar essa ordem. No último verão, o Tottenham era uma das equipes apontadas como candidata.

    Enquanto o London City Lionesses se movimentava no mercado de transferências de uma forma impossível de ignorar, o Tottenham reforçava discretamente uma equipe que terminou em quinto lugar na temporada passada, pelo menos nove pontos à frente de todos os clubes fora dos chamados “quatro grandes”. Entre as contratações estavam as atacantes goleadoras Shekiera Martinez e Kirsty Hanson, a talentosa meia Victoria Pelova e a defensora da seleção francesa Alice Sombath. Foi um verão impressionante.

    Mas, após um início invicto, com 15 gols marcados, apenas dois sofridos e 10 pontos conquistados em quatro jogos, uma pergunta conhecida voltou a surgir depois de duas derrotas: por 6 a 1 para o London City e por 6 a 2 para o Chelsea. É a primeira vez que o Tottenham sofre seis gols em jogos consecutivos da WSL.

    O Tottenham deu passos enormes nos últimos anos, dentro e fora de campo, e sua primeira temporada sob o comando de Martin Ho, no ano passado, trouxe ainda mais empolgação. Mas o retrospecto da equipe contra os principais times, grupo do qual o London City pode fazer parte nesta temporada, deixa muito a desejar. Desde que subiu, há sete anos, o Tottenham soma apenas duas vitórias, seis empates e 46 derrotas nos confrontos com Chelsea, Arsenal e os clubes de Manchester pela WSL.

    Neste sábado, o Tottenham recebe o Arsenal no clássico do norte de Londres, com o rival atravessando uma fase muito ruim. É uma excelente oportunidade para a equipe de Ho mostrar que consegue aprender com derrotas duras e conquistar uma vitória de peso, capaz de provar que pode superar a barreira que a separa dos principais times.

  • Muito progresso

    Cathinka Tandberg Tottenham Women 2026-27
    Getty Images

    O Tottenham avançou bastante nos últimos anos, especialmente fora de campo e na estrutura em torno da equipe.

    Ninguém neste elenco do Tottenham está em melhor posição para falar sobre a evolução da equipe nos últimos anos do que Drew Spence. Jogadora há mais tempo no clube, Spence chegou em 2022, após uma temporada em que o time terminou na quinta posição, e foi nomeada capitã para a nova temporada. Desde então, a trajetória em campo teve altos e baixos, literalmente: a equipe terminou em nono, sexto, 11º e quinto lugar nas quatro temporadas dela no clube. Fora de campo, porém, o progresso tem sido constante.

    “Quando cheguei a este clube, acho que um dos principais motivos foi o empenho da diretoria, e isso era importante para mim”, disse Spence à GOAL antes da temporada. “Acho que, especialmente desde que Martin chegou, houve um esforço em todas as áreas. Pode ser na parte da nutrição, nos treinadores especializados que chegaram ou na forma como trabalhamos na academia. São muitos elementos diferentes que se juntaram. Acho que agora estamos provavelmente no ambiente de mais alto nível que já tivemos desde que cheguei ao Tottenham.”

  • Estabelecendo uma identidade

    Martin Ho Tottenham Women 2025-26
    Getty Images

    Ho deixou sua marca no Tottenham e estabeleceu uma identidade forte desde que chegou, no início da temporada passada.

    E a sensação é de que isso pode começar a se traduzir em uma evolução consistente dentro de campo. Houve bons momentos ao longo dos anos, sobretudo a campanha até a final da Copa da Inglaterra sob o comando do antigo técnico Robert Vilahamn, em 2024, mas a falta de regularidade fica evidente na posição final da equipe na liga a cada temporada.

    Antes do início da temporada, Spence estava confiante de que não haveria uma grande mudança nesse aspecto neste ano. A regularidade do Tottenham contra equipes que estão abaixo dele na tabela lhe dá uma base sólida, e a identidade construída sob o comando de Ho gera muita confiança em relação aos próximos passos.

    “Martin chegou, começamos a colocar nossa m*rda em ordem e mostramos que somos, sim, uma boa equipe, com boas jogadoras, bons profissionais e um bom ambiente ao nosso redor”, disse Olivia Holdt, artilheira do Tottenham na temporada passada, durante o verão.

    Para Spence, Ho garantiu que a equipe tenha “uma identidade clara do que queremos fazer”, algo que Lize Kop também destacou. “Há uma estrutura clara dentro da qual podemos trabalhar, e acho que isso só pode nos ajudar como jogadoras”, disse a goleira.

    Construir essa identidade também foi um dos principais aprendizados de Ho em sua primeira temporada. Perguntado sobre as maiores lições, ele disse a jornalistas durante o verão: “Provavelmente a resiliência do grupo e, provavelmente, a mudança de identidade que queremos promover para nos alinharmos ao clube como um todo. [Isso significa] realmente colocar em prática os valores e as convicções do clube e, então, tentar desenvolver uma forma de pensar e, provavelmente, uma mentalidade que nos permitisse ver a evolução de todas quando entrássemos em jogos maiores, mantendo-nos fiéis a nós mesmos de forma clara, honesta e autêntica, sem mudar o que vínhamos fazendo.”

  • Questões sobre o grande jogo

    Chelsea FC v Tottenham Hotspur - Barclays Women's Super League 2026/27
    Getty Images Sport

    Apesar de toda a evolução, o Tottenham ainda não conseguiu bons resultados contra as equipes do tradicional “Big Four” da WSL

    É nos grandes jogos que as dúvidas permanecem. O Tottenham disputou 54 partidas pela WSL contra os “quatro grandes” e venceu apenas duas, a mais recente em dezembro de 2023 e a outra em setembro de 2021. Dez desses jogos foram sob o comando de Ho, período em que o Tottenham somou três empates e sete derrotas.

    É claro que ninguém esperava que o ex-técnico do Brann chegasse e imediatamente conseguisse resultados consistentes contra os melhores times da Inglaterra, especialmente porque o Tottenham que ele assumiu havia acabado de terminar a WSL na penúltima posição. Também houve boas atuações nesses jogos, sobretudo quando o time abriu 3 a 0 fora de casa contra o Manchester United, mas, de alguma forma, saiu apenas com um ponto.

    “Acho que, mesmo contra o Chelsea na temporada passada, quando jogamos em casa, tivemos bastante posse de bola e, especialmente no primeiro tempo, acho que fomos o melhor time”, acrescentou Kop.

    Está claro que agora há uma grande vontade de avançar nesses confrontos. Além de manter uma posição na metade de cima da tabela da WSL e chegar às fases finais das competições de copa, Ho manifestou o desejo de “melhorar o desempenho” e “ser mais consistente” nos “grandes jogos” antes desta temporada.

    A capitã concordou. “Tivemos algumas boas atuações, mas não conseguimos transformar isso em vitórias, e acho que é o que precisamos fazer este ano”, disse Spence à GOAL. “Se não fizermos isso este ano, para mim, será um fracasso.”

  • Em busca do sucesso

    Martin Ho Toko Koga Tottenham Women 2026-27
    Getty Images

    O Tottenham teve boas atuações e bons momentos nesses grandes jogos, mas sofrer muitos gols tem sido um problema.

    Surge, então, a discussão sobre como o Tottenham pode fazer isso. Deve se afastar dos valores e do estilo que tenta implementar para dificultar a vida do adversário e conseguir um resultado de outra maneira? Ou deve manter seus métodos, porque é isso que tenta implementar e eles serão valiosos no longo prazo? É um dilema recorrente no futebol.

    Ho prefere a segunda opção e, quando o Tottenham enfrentava o Chelsea de igual para igual na tarde de domingo, ficou claro o motivo. “Achei que estávamos bem no jogo, criando chances e oportunidades, fazendo o Chelsea recuar e causando problemas com a nossa pressão”, disse após a partida. E tinha razão.

    No entanto, uma sequência de gols de um Chelsea implacável deixou o Tottenham sem pontos e marcou o segundo jogo consecutivo em que a equipe sofreu seis gols. Isso também não é novidade para o time. Em março, o Tottenham sofreu cinco gols em duas partidas seguidas da WSL pela primeira vez, nas derrotas para Manchester City e Arsenal. A equipe também sofreu cinco gols contra o City no início da temporada passada.

  • Ajustando e aprimorando

    Drew Spence Tottenham Women 2026-27
    Getty Images

    A capitã do Tottenham, Spence, quer que a equipe seja realista quanto aos seus objetivos, mas ainda busca uma evolução gradual.

    Algo muda neste fim de semana contra um Arsenal que vem tendo enormes dificuldades diante de defesas fechadas? Ou o Tottenham vai novamente tentar vencer uma equipe grande jogando da maneira que considera correta? A segunda opção parece mais provável, e os primeiros 60 minutos contra o Chelsea terão dado a Ho e à sua equipe ainda mais motivos para acreditar nessa abordagem.

    Mas, para isso, é preciso melhorar em outros aspectos. No domingo, Ho lamentou uma “queda” de nível, algumas “ações imprecisas” e o fato de a equipe não ter conseguido “se recuperar rápido o suficiente” mentalmente após sofrer um gol. Tudo isso permitiu que o Chelsea marcasse três vezes em nove minutos e definisse a partida.

    Não há expectativa de que o Tottenham dê um salto até as três primeiras posições, por exemplo, nesta temporada. Muitas equipes já fizeram previsões ousadas no passado, sem levar em conta o tamanho do passo necessário para alcançar esse objetivo, e acabaram passando vergonha ao longo da temporada.

    Em entrevista à GOAL na pré-temporada, Spence fez questão de buscar equilíbrio nesse aspecto. “Acho muito importante não sermos irrealistas quanto ao que queremos”, disse ela. “É claro que queremos competir em todos os níveis e em todas as competições, mas precisamos dar os próximos passos gradualmente.”

    Terminar novamente na metade de cima da tabela, ter um bom desempenho nas copas e seguir aprimorando a identidade da equipe sob o comando de Ho são objetivos importantes, ainda que não rendam grandes manchetes. Mas também é importante conseguir resultados melhores contra as equipes mais consolidadas desta liga. “A questão é como transformar um ponto em três pontos ou uma derrota em empate”, disse Spence. “São pequenos ajustes como esses.”

    O entusiasmo em torno deste projeto já é grande, mas crescerá muito quando o Tottenham descobrir como fazer isso. Afinal, esse parece ser um elemento essencial para que o clube dê o próximo grande passo em uma trajetória que já é promissora.