Na primavera de 2016, Spencer Owen teve um sonho. Na época, não era nada muito elaborado, mas logo ganharia vida própria. A ideia era se divertir com os amigos, misturando o mundo virtual das transmissões de FIFA no YouTube com o futebol jogado em campo. Rapidamente, porém, ela deu origem a um clube que hoje conta com equipes masculinas, femininas e de eSports.
Na inauguração do LiveScore Lounge, no novo estádio do Hashtag United, Spencer contou à GOAL como começou essa trajetória extraordinária: “A ideia original era, na verdade, tentar encontrar uma forma de trabalhar fazendo vídeos sobre futebol, mas jogando futebol de verdade. Como eu já tinha feito algumas coisas no YouTube, tinha uma pequena base de fãs e eles, por algum motivo que ainda não entendo completamente, queriam ver a mim e aos meus amigos jogando futebol em um nível bastante baixo.
“O que conseguimos fazer depois foi acrescentar aquilo em que sou bom. Em outra realidade, provavelmente eu teria criado programas de TV, sabe? Sou bom em pensar em formatos e coisas assim. Então consegui encontrar uma maneira de tornar os jogos interessantes, conseguir bons adversários e jogar em lugares interessantes. Assim, as pessoas assistiam. Aí veio a pergunta: ‘Será que conseguimos usar isso para criar um clube, de fato criar uma marca, um clube e uma torcida a partir desse começo tão incomum?’”
Em que ano o Manchester United foi fundado? 1878. As origens do Arsenal remontam a 1886. E o Hashtag United? 2016. Parece um pouco estranho dizer isso em voz alta. “Na verdade, não acho que seja tão incomum. As pessoas nos comparam a esses clubes de futebol com 150 anos de história, mas, se eles tivessem sido fundados em 2016, teriam uma presença na internet. Teriam feito as coisas de maneira diferente daquela de quando foram fundados nos anos 1800. Então é simplesmente algo próprio do seu tempo.
“E as pessoas nos assistiam. Conquistamos uma pequena torcida. Dois anos depois, estávamos um pouco mais velhos e não sabíamos bem por quanto tempo conseguiríamos continuar fazendo aquilo. Eu sempre quis entrar no futebol fora das ligas profissionais, porque meu pai trabalhou nesse meio como fisioterapeuta quando eu era criança. Sempre gostei da ideia de ter um clube. Então pensamos: ‘Espere aí, talvez a gente realmente tenha condições de entrar nesse futebol e ser um clube de verdade’.
“Acho que, a partir daí, a coisa foi crescendo, com muitas pequenas decisões e acontecimentos pelo caminho que nos ajudaram. E isso acabou nos levando ao que hoje é nossa casa permanente aqui em Londres. Temos uma equipe feminina muito forte, a melhor do condado de Essex, que joga na terceira divisão. E uma equipe masculina que teve muito sucesso e agora inicia um novo capítulo no quarto degrau. A ideia é tornar o futebol divertido novamente e nos tornarmos um clube único no mundo. E, acho que, no que diz respeito ao clube, acabar entrando no sistema de ligas.”