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Trading cards 1:1Getty/GOAL

Por dentro do ressurgimento dos cards de futebol

James Westwood
Traduzido por
  • Todo torcedor de futebol tem uma lembrança antiga de quando foi apresentado ao mundo dos colecionáveis. É comum que camisas vintage ou programas de jogo passem de geração em geração dentro das famílias, enquanto os mais sortudos herdam itens autografados ou usados por jogadores, que têm um valor histórico único.

    Itens avulsos como esses costumam ser emoldurados e colocados na parede, ou guardados em caixas e deixados numa prateleira. Eles dariam uma descarga instantânea de endorfina às crianças, mas não as manteriam entretidas por muito tempo. Já colecionar cards pode virar um vício desde o primeiro rasgo em um pacote lacrado novinho.

    Era muito fácil se deixar consumir pelo desejo de completar uma coleção inteira, ou encontrar aquele jogador raro que todos os seus amigos queriam. Claro, tudo dependia dos seus pais e da disposição deles para comprar pacotes com frequência, mas isso só aumentava a sensação de expectativa e empolgação antes de cada abertura.

    Para quem manteve esse passatempo na vida adulta, qualquer renda disponível podia ser usada para finalmente comprar os cards que ainda faltavam, ou começar a colecionar séries premium icônicas que antes talvez estivessem fora de alcance. A obsessão muitas vezes fica mais forte com a idade, em vez de desaparecer.

    No mundo online de 2026, dominado por streaming, aplicativos e games, os cards de futebol são mais populares do que nunca, e as trocas devolvem um senso de comunidade ao ato de torcer. Agora também existe a oportunidade de ganhar um dinheiro de verdade com eles, porque o mercado global se transformou em uma potência de bilhões de dólares que não mostra nenhum sinal de desaceleração.

  • Começando o boom

    Panini
    Getty

    A empresa italiana de colecionáveis Panini começou a buscar o interesse de investidores americanos durante a pandemia de Covid-19

    O colecionismo de cards começou no século 19, quando cartões de reforço com jogadores de beisebol, atores, líderes militares e animais eram colocados dentro de maços de cigarro. Em 1887, John Baines, dono de uma loja de brinquedos de Bradford, inventou os primeiros cards de futebol da Grã-Bretanha e os vendia de uma carroça puxada por um cavalo, com um macaco nas costas, chamando a si mesmo de 'Rei dos Cards de Futebol'.

    Eles se popularizaram nos anos 1950, quando a Topps entrou no mercado, combinando coleções anuais com chiclete, e colecionar cards de futebol logo se tornou um rito de passagem da infância. A Topps foi a força dominante até 2009, quando a especialista europeia em figurinhas Panini passou a focar agressivamente em cards colecionáveis, adquirindo a marca americana Donruss e garantindo importantes direitos de licenciamento de cards esportivos para fazer isso.

    Foi a Panini, e não a Topps, a diretamente responsável pelo boom dos cards de futebol que aconteceu inicialmente durante a pandemia de Covid-19 e os lockdowns no início de 2020, enquanto buscava americanizar esse mercado. A empresa aproveitou o interesse de colecionadores dos Estados Unidos por novos caminhos, dando aos cards de futebol o tratamento especial que normalmente era reservado à NBA e à NFL, lançando coleções como Prizm, Select e Donruss Kaboom com paralelas de tiragem curta.

    Isso acabou levando ao crescimento de uma cultura de classificação de cards e abertura de boxes baseada em forte especulação. Em vez de colecionar seus times favoritos, os investidores passaram a direcionar sua atenção para a compra de cards de novatos na esperança de que seu valor disparasse durante os maiores jogos e torneios.

    Os colecionadores também perceberam que a Panini vinha criando coleções de edição limitada havia décadas e começaram a buscar os cards mais raros, nas melhores condições, para submetê-los à classificação. É um negócio potencialmente lucrativo: qualquer card classificado como '10 Gem Mint' pela principal autenticadora, a PSA, pode alcançar um valor de 3 a 5 vezes maior do que a versão sem classificação. Se você conseguir um card de novato numerado ou autografado com PSA 10, basicamente acertou na loteria.

  • Mudando o jogo

    Topps
    Getty

    Os cards de futebol evoluíram para uma classe de ativos tangível nos últimos anos, com a Fanatics desempenhando um papel vital.

    O cenário de negócios dos cards de futebol mudou drasticamente quando a gigante do varejo esportivo e de merchandising Fanatics adquiriu a Topps trading cards por US$ 500 milhões em janeiro de 2022. Antes do acordo, a Topps detinha os direitos da Liga dos Campeões da UEFA e da Bundesliga por meio de seus escritórios no Reino Unido e na Alemanha.

    A Fanatics integrou a Topps ao seu ecossistema de e-commerce e varejo, com o CEO da empresa, Michael Rubin, explicando na época que o objetivo deles era fazer dos cards colecionáveis "um pilar significativo dos nossos planos de longo prazo para nos tornarmos a principal plataforma digital de esportes". De repente, os cards premium de futebol não eram vendidos apenas em lojas especializadas de nicho; eles passaram a ser comercializados diretamente para milhões de torcedores de futebol no mundo todo por meio dos sites de merchandising de clubes já existentes da Fanatics.

    Assim como a Panini havia feito, a empresa então aplicou ao futebol o modelo norte-americano de "chase card", reduzindo os adesivos básicos de papel para focar em cards cromados de alta tecnologia, refratores em múltiplos níveis, paralelos escassos e autógrafos autênticos assinados diretamente no card. O design inovador de produtos da Fanatics ajudou a transformar os cards de futebol de uma novidade em uma classe de ativos tangível, com a introdução de memorabilia usada em jogos e patches de estreia de rookies em cards 1-de-1 gerando maior demanda por itens "santo graal" que valem milhares no mercado de revenda.

  • Colecionar vira conteúdo

    Tosin-Ferdinand
    IG:@thehuddlefc@tosin

    Vídeos ao vivo de box break e abertura de cards atraíram um enorme público em plataformas como YouTube, eBay e Whatnot

    Colecionar cards de futebol voltou a estar na moda porque agora há um número aparentemente infinito de criadores de conteúdo promovendo o hobby nas redes sociais. Uma nova geração de jovens está sendo atraída por eventos interativos e feiras de cards, onde pode não apenas reforçar suas coleções, mas também socializar com pessoas que têm os mesmos interesses.

    "Isso reúne as pessoas. Essas feiras de cards são passeios realmente muito bons. Pessoas se encontrando com outras que conheceram online, almoçam juntas ou vão tomar umas cervejas, quando é um público mais velho", disse à GOAL Matthew Blazey, o homem por trás do canal no YouTube Blazey Collects, que conta com 78,6 mil inscritos. "Você saiu de ter apenas uma feira de cards em Londres para algo como 60 feiras ao longo do ano. Há um enorme elemento social nisso. Construir a comunidade vale muito mais do que ganhar qualquer dinheiro."

    YouTubers como Blazey e GamerBoyWii (GBW) conseguem atrair centenas de milhares de visualizações, enquanto membros do Sidemen, como Simon Minter, Joshua Bradley e Ethan Payne, todos com bem mais de um milhão de inscritos, também abrem caixas de cards de futebol em seus respectivos canais. Vários jogadores profissionais de futebol também embarcaram nessa onda.

    Tosin Adarabioyo, que se juntou ao Tottenham na janela de transferências de verão, exibe seus raros pulls de cards pessoais por meio de sua conta dedicada no Instagram, assim como o meio-campista do Crystal Palace Adam Wharton. O novo companheiro de equipe de Adarabioyo no Tottenham, Dominic Solanke, também é um colecionador ávido e, em novembro, se juntou a Adaradioyo no lançamento da loja principal da Fanatics na Regent Street, em Londres.

    O defensor do Ipswich Town Leif Davis é o rosto da 'Collective Collects', uma plataforma de abertura de cards que ele fundou ao lado do streamer da Twitch Danny Campion e do amigo Josh Kelly. "Na verdade, não estamos nisso pelo dinheiro, estamos nisso para construir algo legal e é algo pelo qual somos apaixonados", disse Campion à BBC no ano passado. "Isso só vai ficar maior à medida que o hobby cresça em todo o Reino Unido e depois se entrelace com o mercado dos EUA. É realmente empolgante e muito legal."

    Há muitos, porém, que estão nisso por ganho financeiro. Um ex-personal trainer de Suffolk chamado Aaron Pearce largou seu emprego fixo para se concentrar na revenda de cards de futebol, criando a conta Baller Breaks UK, e faturou £2,4 milhões em receita no último ano, segundo a PA Media.

    Pearce não vende simplesmente cards individuais, mas sim "spots" para colecionadores e espectadores em plataformas de compras por vídeo como Whatnot e ebay Live, geralmente divididos por clubes de futebol. Depois, ele faz o "break" dos cards ao vivo diante das câmeras, e a pessoa que comprou o spot do Manchester United, por exemplo, ficará com cada card do clube que sair. Os colecionadores têm a chance de conseguir cards valiosos e de alto nível por uma fração do custo original nesse formato semelhante a uma loteria, que pode atrair até vários milhares de visitantes únicos totais ao longo de uma transmissão ao vivo de uma hora.

  • Espaço para coexistir

    New York Comic Con 2021 - Day 2
    Getty Images Entertainment

    Criadores estão sendo cada vez mais atraídos para o live box breaking, mas vídeos pré-gravados proporcionam uma experiência mais pessoal

    Blazey acredita que as aberturas ao vivo de boxes e os vídeos pré-gravados podem coexistir no mesmo espaço, mas não é um equilíbrio simples.

    "Há espaço para ser uma mistura. Eu sempre priorizei o conteúdo gravado porque meu canal é mais voltado para quem gostaria de abrir um produto, mas não sabe quais abrir", disse. "O benefício do conteúdo pré-gravado é que ele é neutro. Tudo nessas transmissões ao vivo está tentando convencer você a entrar e comprar alguma coisa. O conteúdo pré-gravado tem um mercado seguro, no qual você não está sendo pressionado a fazer algo. É por isso que você precisa ter muito cuidado, como criador de conteúdo, ao entrar no ao vivo, porque seu público vai perceber isso como uma mudança de um canal confiável para um canal que está indo atrás de ganhar dinheiro.

    "Acho que o breaking é bom para o mercado em geral, porém. Primeiro, é divertido, e, segundo, algumas dessas boxes custam entre £300 e £400, então você não pode necessariamente sair e comprar uma, mas pode entrar em um break e ter a chance de conseguir algo. No entanto, o espaço do breaking é um pouco como o velho oeste no momento. Você precisa de breaking e precisa de conteúdo pré-gravado, mas eu não ficaria surpreso se em breve houver mais regulamentação em torno do breaking. A Whatnot lançou recentemente muito mais controles para isso, e eu sei que a Fanatics Live é realmente rígida nas questões regulatórias, então as empresas estão chegando lá por conta própria de qualquer forma."

    Blazey acrescentou sobre o que impulsionou o crescimento de seu canal: "Consistência é fundamental, aparecer e fazer isso regularmente. Construir uma comunidade; eu tenho uma base de fãs muito leal, que entra para assistir a todos os vídeos, e comenta em todos os vídeos. Muitos vídeos passam de 50 comentários rapidamente, o que é bastante para esses vídeos. Eu não xingo, é tudo bem livre e adequado para crianças, então os pais ficam felizes em deixar seus filhos assistirem ao conteúdo. Acho que se trata de bons valores; se você entra lá sendo positivo e acolhendo o público, não importa quem você seja, pode participar.

    "Há muitas pessoas por aí apenas para ganhar dinheiro e, como resultado, elas não constroem a comunidade necessária para levar isso adiante. As pessoas compram a empolgação e os valores quando estão assistindo ao conteúdo e, como resultado, compram a ideia do criador. As pessoas vêm para assistir a você, não necessariamente ao produto que está sendo aberto."

  • 'Vai continuar crescendo'

    Blazey Collects
    IG:@blazeycollects

    Blazey destacou como a nostalgia tem sido importante para o enorme aumento da demanda

    Blazey também detalhouo que impulsionou o ressurgimento dos cards de futebol, tendo iniciado seu canal em 2021.

    "Os álbuns de figurinhas da Euro 2020 explodiram, todo mundo estava colecionando, especialmente a minha geração; havia o distanciamento social e isso permitia reunir todo mundo de novo. Acho que isso levou muito tráfego ao YouTube, que concentrava muito conteúdo do hobby e de produtos que as pessoas simplesmente não conheciam", disse. "De repente, você tinha essa mina de ouro de: 'Uau, não são só figurinhas de futebol; você tem cards com pedaços de uniforme, cards autografados, tudo'. Então, para mim, a Euro 2020 foi quando eu realmente entrei nisso. Foi o começo para mim, vi muita coisa no YouTube, comecei a abrir cards e me filmar, e a partir daí a coisa simplesmente deslanchou.

    "Especialmente nos últimos três anos, os cards de futebol simplesmente explodiram. Acho que isso só vai continuar crescendo agora, especialmente no Reino Unido, agora que a Topps detém a licença da Premier League, porque eles estão fazendo todo tipo de coisa maluca com isso agora. E você está começando a ter essa interseção, JJ Gabriel esteve no dia de lançamento da Fanatics neste verão; Tosin, Solanke entraram nisso, Adam Wharton também adora. Estamos na tempestade perfeita. Acho que isso está atraindo aqueles que costumavam abrir cards na escola, como Pokémon, Match Attax, e esse impulso nostálgico de fazer isso agora que você tem dinheiro de adulto e todos esses cards maiores que agora pode buscar. Acho que isso está trazendo cada vez mais gente de volta.

    "Colecionadores mais novos perceberam que podem ganhar muito dinheiro muito rapidamente, se se estruturarem da maneira certa, então o investimento é outra parte importante. As redes sociais fizeram essa combinação dessas duas coisas simplesmente explodir. TikTok, YouTube, Instagram, Whatnot, Fanatics e eBay Live, isso está literalmente em todo lugar, o que só faz a rede se ampliar e se ampliar."

    Blazey acrescentou como o hobby se americanizou: "Quando você olha para o mercado dos EUA em particular, há tantos jogadores da NFL que cresceram colecionando cards da NFL e, agora que são adultos e seus próprios cards estão por aí, eles gostam de ir atrás deles. Acho que, se isso continuar sendo transferido para o mercado do Reino Unido com o futebol, será um enorme motor de crescimento.

    "Acho que, quando muitas crianças estavam na escola, colecionar figurinhas de Copa do Mundo era algo enorme. Os Estados Unidos não têm muito isso com figurinhas. No entanto, para eles, desde os anos 20, com cards da NFL, MLB, hóquei no gelo, isso sempre esteve enraizado na cultura. Isso cresceu por lá durante 100 anos, enquanto no Reino Unido todo o nicho dos cards de futebol só começou a crescer de verdade desde 2014, e era muito pequeno, mas agora está começando a crescer em um ritmo considerável. Aqui, sempre foi Match Attax e algo muito voltado para crianças, enquanto agora isso está atraindo mais adultos para esse espaço com as coleções mais premium, com os cards raros e os grandes autógrafos."

  • Quebradores de recordes

    Messi cards
    Getty

    Cartas de futebol com jogadores que marcaram época no auge agora podem valer milhões

    Os 10 cards de futebol mais caros de todos os tempos foram todos vendidos nos últimos cinco anos, o que reforça o quanto esse hobby se tornou popular. Em setembro de 2021, um card PSA 9 Topps Chrome Champions League Red Refractor com o calouro Erling Haaland no uniforme do Borussia Dortmund de 2019-20 alcançou US$ 227.000 em um leilão da Goldin Auctions, enquanto o card de calouro Panini Mega Cracks 2002-03 de Cristiano Ronaldo, do Sporting CP, foi vendido por US$ 288.000.

    Uma versão PSA 10 desse card de Ronaldo foi vendida por US$ 1,35 milhão durante a temporada 2025-26, e o mesmo valor foi alcançado pelo seu 2018 Panini Kaboom! Green 1/1. Mas o astro português ainda fica atrás de seu rival eterno, Lionel Messi. O card de calouro Panini Mega Cracks 2004-05 do ídolo da Argentina, que o mostra como um adolescente de cabelo comprido recém-saído da famosa academia La Masia, do Barcelona, foi comprado por impressionantes US$ 1,5 milhão por meio da ainda iniciante rede de vendas privadas da Fanatics Collect em setembro passado.

    O ícone brasileiro Pelé tem dois cards de calouro no top 10, enquanto o PSA 10 2018 Panini Prizm World Cup Gold Prizm do astro francês Kylian Mbappe ocupa a 10ª posição após ser vendido por US$ 216.000 em junho de 2022. Esses cards têm apelo eterno porque capturam um momento específico, com colecionadores apostando em suas histórias marcantes de época para, literalmente, reivindicar um pedaço da história.

    Certamente sempre haverá demanda por cards Panini Prizm World Cup e, mais especificamente, pelo conjunto que Blazey acredita ser "indiscutivelmente o melhor que existe". Ele diz: "World Cup Prizm 2014 é o conjunto que deu início a tudo. Se você está colecionando cards old-school para guardar, World Cup Prizm 2014 sempre seria o conjunto, produto fantástico."

  • Fim do duopólio

    Gianni Infantino
    Getty Images

    A Fanatics gradualmente dominou o mercado de cards de futebol ao tirar da Panini suas parcerias de licenciamento mais lucrativas

    Nos últimos quatro anos, a Fanatics desmontou sistematicamente o domínio da Panini no mercado de cards de futebol. O primeiro movimento significativo veio quando fechou um acordo de exclusividade com a UEFA para a Topps produzir os cards e figurinhas oficiais das Eurocopas de 2024 e 2028.

    Os álbuns de figurinhas da Panini eram uma referência da Euro desde 1977, e perder o núcleo de seu público-alvo foi um golpe duro. Depois, a Fanatics foi atrás da licença oficial da Premier League inglesa, a divisão mais lucrativa do futebol de clubes, que a Panini detinha desde 2019.

    Antes da temporada 2025-26, a Fanatics assumiu os direitos globais da Premier League, colocando as coleções oficiais sob a marca Topps. Isso forçou a Panini a mudar o foco para a English Football League (EFL) para manter sua presença no cenário do futebol doméstico do país.

    O fim do duopólio praticamente se confirmou em maio, quando a FIFA anunciou o encerramento de sua parceria de 60 anos com a Panini. A partir de 2031, a Topps vai fabricar todos os cards colecionáveis, figurinhas e colecionáveis digitais da Copa do Mundo, e a Fanatics distribuirá mais de US$ 150 milhões em colecionáveis para crianças ao longo da duração do contrato.

    "Com a Fanatics, vemos que eles estão impulsionando uma inovação enorme nos colecionáveis esportivos, o que oferece aos torcedores uma maneira nova e significativa de se envolver com seus times favoritos e com seus jogadores favoritos", disse o presidente da FIFA, Gianni Infantino, ao The Athletic. "Então, do ponto de vista da FIFA, podemos globalizar esse engajamento dos torcedores precisamente graças ao nosso portfólio global de torneios. E isso proporciona outra importante fonte de receita comercial que direcionamos de volta, como sempre, para o jogo, para o futebol."

    O CEO da Fanatics, Rubin, acrescentou sobre o acordo: "Nosso negócio de colecionáveis neste ano provavelmente está 85 por cento nos EUA. Então, quando pensamos em como expandir globalmente, que é como transformamos isso em um negócio muito maior, não há nada mais importante do que a FIFA. Nossa grande iniciativa de crescimento e a parceria com a FIFA para fazer a Copa do Mundo, não existe evento maior no mundo do que a Copa do Mundo a cada quatro anos. Pensamos no longo prazo: o futebol global deve ser nosso maior negócio. Nosso trabalho é garantir que continuemos elevando o nível e inovando de uma forma que ninguém mais consegue."

    Ainda assim, nem tudo está perdido para a Panini, principalmente porque ela ainda detém uma licença muito atraente. "O material da Panini da English Football League tem um mercado enorme, especialmente para grandes clubes que não estão na Premier League há muito tempo e não têm cards de futebol", diz Blazey. "Para os torcedores do Millwall, foi enorme; cards do Millwall estavam sendo vendidos por valores absurdos, assim como os do QPR, mais do que muitos cards da Premier League. A Panini ainda tem uma licença muito forte na EFL, que vai beneficiá-la no longo prazo. Eles foram muito bem ao consegui-la, mas esse é o produto de referência deles agora. Esse produto sempre vai ir bem no YouTube, mas a Topps agora tem um público muito maior no YouTube."

    A Panini também ainda tem uma base de fãs fervorosa que não dá muita atenção aos seus principais concorrentes, como Blazey acrescenta: "O público mais velho, que está nisso há muito tempo, realmente não gosta desta era, que eles chamam de 'junk wax'. Eles percebem que o que antes era uma categoria bastante de nicho agora se tornou realmente mainstream."

  • Febre do futebol

    World Cup panini cards
    Getty

    O futebol agora é o mercado mais popular da indústria de cards esportivos, e o crescimento contínuo é garantido

    A Copa do Mundo de 2026, no Canadá, no México e nos Estados Unidos, impulsionou outra incrível disparada na demanda por cards colecionáveis de futebol. Como a América do Norte é tradicionalmente o maior e mais desenvolvido mercado de colecionismo de cards esportivos, sediar a Copa do Mundo localmente criou uma porta de entrada para milhões de torcedores domésticos entrarem no hobby do "soccer".

    O conjunto Prizm da Copa do Mundo de 2026 da Panini foi o produto de cards de futebol com a distribuição mais ampla da história, com cards ultrarraros, como Black Prisms 1 de 1, Nebula Prisms e inserts Color Blast, incluídos para ajudar a atrair um enorme novo público. Também houve muitas narrativas envolventes para levar as pessoas a comprar a ideia durante o torneio, incluindo a "Last Dance" de Messi com a Argentina, a esperada despedida final de Ronaldo por Portugal e a primeira aparição de Lamine Yamal no cenário global, que terminou em glória com a Espanha.

    Depois da Copa do Mundo, a Topps estava pronta para capitalizar o hype com o lançamento de sua coleção principal da Premier League 2026-27. Depois de reduzir o conjunto base de 450 cards para 300, mais enxutos, completar um fichário inteiro agora está mais fácil do que nunca, e os colecionadores podem se concentrar mais no valor dos cards de caça.

    A Topps também apostou na nostalgia millennial ao trazer de volta o estilo Merlin em um conjunto separado de 200 cards. Homenageando a clássica marca de figurinhas dos anos 1990, a coleção Merlin mistura jogadores modernos com temas retrô, inspirados em feitiçaria e arte clássica, que carregam um peso emocional irresistível para entusiastas de longa data do hobby.

    Outro pico virá quando o conjunto Topps Chrome UEFA Champions League 2026-27 for lançado mais tarde na temporada. Nesta semana, a Fanatics Collectibles e a UC3, representando a Uefa e os principais clubes europeus, anunciaram uma extensão de parceria de seis anos, de 2027 até 2033, com a mais recente coleção da Champions League programada para incluir cards de patch de estreia 1 de 1.

    A Fanatics sem dúvida já estará se preparando para a Euro 2028 na Grã-Bretanha e na Irlanda e, claro, agora também há a Copa do Mundo de 2034, na Arábia Saudita, pela qual ansiar. "Essa Copa do Mundo com a Fanatics vai ser insana porque eles terão alguns planos sérios", diz Blazey. "Um bom termômetro para onde isso vai chegar é a Euro 2028; é um torneio em casa, a Topps tem a licença da Premier League, a licença da Euro; eles vêm impulsionando forte a Premier League, então vai ser realmente interessante ver o que fazem com a Euro. Todo mundo continua falando em uma queda porque o mercado tem crescido muito rapidamente, mas acho que isso continua crescendo independentemente."

    De fato, o mercado global de cards colecionáveis esportivos está atualmente avaliado em impressionantes US$ 14,85 bilhões, com o futebol detendo a maior fatia individual do segmento esportivo, com 35,6%. Estima-se que 45% dos novos praticantes do hobby estejam se especializando em futebol, e mais de 500 milhões de cards agora são vendidos anualmente nesse espaço, com 12 milhões enviados a agências profissionais de certificação.

    Os cards de futebol mais cobiçados entram na mesma categoria de vinhos finos, relógios e criptomoedas. São cápsulas do tempo que preservam uma safra irrepetível da excelência humana em papel-cartão e tinta.

    Tirar em um pacote um lendário card 1 de 1 de um jogador satisfaz tanto o coração sentimental do torcedor fanático quanto a lógica clínica do investidor moderno, e o hobby só seguirá se desenvolvendo em uma era digital sem quaisquer barreiras geográficas. O ponto central é: aqueles que amam o belo jogo sempre desejarão uma forma de possuir, proteger e passar adiante um pedaço dessa magia.