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Tim Ream 1-1GOAL

'Mesmo nos altos e baixos': seleção dos EUA se despede de Tim Ream, o defensor que definiu e transcendeu eras

A defensora de 38 anos está se afastando da seleção, encerrando uma ilustre carreira de 16 anos.

Ryan Tolmich
Traduzido por
  • ST. LOUIS -- A seleção masculina dos Estados Unidos teve uma festa de aniversário na noite de segunda-feira. O jogador mais jovem da equipe, Cavan Sullivan, estava completando 17 anos. Como é de costume, Sullivan precisou fazer um discurso. Ele disse as frases de sempre: honrado por estar aqui, feliz por ter esta oportunidade com a seleção, etc. Tudo corria de forma bastante normal, até Sullivan encerrar com algumas palavras que levaram todos à loucura.

    "Mas também, Tim Ream está aqui."

    A sala explodiu. Jogadores e membros da comissão da USMNT se levantaram e aplaudiram. O técnico Mauricio Pochettino também saltou da cadeira para incentivar seu capitão de Copa do Mundo. O jogador mais jovem dos americanos então passou a palavra ao mais velho, Ream, de 38 anos, para um último discurso.

    "Alguém mandou o Cavan dizer essa aí", afirmou Ream.

    Cerca de 24 horas depois, Ream confirmou que seu tempo na USMNT havia chegado ao fim. Após 16 anos que incluíram duas Copas do Mundo, dezenas de jogos como capitão e vários períodos em que lutou para retornar do ostracismo internacional, a trajetória de Ream agora acabou. É uma nova era para a seleção, que está aproveitando esta concentração para receber jovens como Sullivan no grupo.

    Havia chegado, então, a hora de dizer adeus, tanto por meio de uma cerimônia em campo quanto de um discurso improvisado para amigos, companheiros de equipe e uma geração de jogadores que cresceu vendo-o representar seu país. A decisão do defensor de 38 anos de se afastar não parece exatamente o fim de uma era, porém, em grande parte porque sua passagem pela USMNT atravessou tantas delas. De uma estrela em ascensão de St. Louis ao veterano da seleção, a carreira de Ream foi longa e nunca foi simples.

    "O sucesso nunca é linear", disse Ream. "Sempre há altos e baixos, e eu aproveitei muito meu tempo em cada equipe da qual fiz parte, em cada grupo do qual fiz parte e em cada faixa etária da qual fiz parte. Acho que esse foi um dos grandes motivos pelos quais joguei por tanto tempo. Foi tão prazeroso porque eu realmente amo jogar. Eu não jogo por nenhum outro motivo."

    "Tudo aconteceu porque aconteceu", acrescentou Ream, "e, no fim das contas, eu ainda pude estar sentado aqui depois de representar minha seleção por 16 anos, mesmo com os altos e baixos."

    Na terça-feira, o programa se despediu de Ream, um de seus jogadores mais longevos. Fez isso em sua cidade natal, St. Louis, diante de um público pronto e ansioso para gritar seu nome. Em uma noite em que Mathis Albert se tornou o artilheiro mais jovem da história da USMNT, o capitão da equipe para a Copa do Mundo de 2026 recebeu uma despedida que admitiu não se sentir totalmente confortável em receber.


  • Dizendo a palavra

    United States v Chile - International Friendly
    Getty Images Sport

    Foi difícil anunciar, mas Ream sabia que era hora de se aposentar da seleção.

    Apesar de agora isso já ser realidade, Ream ainda tinha dificuldade para dizer a palavra "aposentadoria". É uma palavra difícil de dizer por causa da sua sensação de definitividade. Significa que, depois de tudo, chegou a hora de se afastar. Foi assim que Ream descreveu isso: se afastar. A U.S. Soccer chamou a cerimônia de terça-feira de um "reconhecimento". Seja qual for o nome, porém, é real. O tempo de Ream na seleção nacional oficialmente chegou ao fim.

    Isso termina após 86 jogos pela seleção ao longo de 16 anos, o que faz dele o segundo jogador de linha com mais tempo de serviço na história da USMNT. Apenas DaMarcus Beasley teve mais tempo entre sua primeira e sua última partida pela seleção.

    "Não estou surpreso com isso", disse Ream.

    Ream também não se surpreendeu com a chegada deste momento. Não foi algo repentino, nem uma decisão tomada por impulso. Não, essa decisão vinha sendo construída há muito tempo, e é uma com a qual Ream passou a se sentir mais confortável, apesar de ainda ser difícil realmente colocá-la em palavras.

    Ironicamente, ele já havia falado sobre isso antes. Depois da eliminação da USMNT para a Holanda em 2022, Ream disse que aquele seria o fim para ele. Caberia à próxima geração levar as coisas adiante, disse naquele dia no Catar, e essa próxima geração não o incluiria.

    E então incluiu. Ele somou 36 de suas 86 partidas pela seleção depois da Copa do Mundo de 2022. O ano de 2022 não foi uma despedida; de certa forma, foi um prelúdio para uma trajetória ainda maior até 2026. Essa trajetória, porém, foi realmente a final. Não haveria mais arrancadas tardias de um jogador cuja carreira foi definida por elas.

    "Isso foi discutido", disse Ream sobre suas conversas com Pochettino. "Foi discutido antes do camp que eu não seria mais um jogador da seleção nacional... É isso para mim, e tenho orgulho de ter feito parte de algo por 16 anos, mas é hora de me afastar e ficar longe de jogar pela seleção nacional."

    Ele acrescentou: "Eu sei que disse no passado que não me aposentaria da seleção nacional até me aposentar do futebol, mas os garotos estão cada vez mais jovens, e não estou falando dos meus próprios filhos."

    Os jovens em ascensão da USMNT são um dos motivos pelos quais Ream, agora com 38 anos, sabia que era hora de se afastar. O elenco da USMNT está repleto de adolescentes, todos eles podendo apenas sonhar com uma carreira que dure metade do tempo da de Ream. Duas Copas do Mundo, dois troféus, dezenas de jogos com a braçadeira de capitão: é uma carreira que poucos na história da seleção conseguem igualar.

    Não foram apenas os jovens da USMNT que convenceram Ream de que era hora; os próprios filhos dele também tiveram um papel nisso.

  • Os sacrifícios

    United States v Chile - International Friendly
    Getty Images Sport

    O defensor foi homenageado ao lado de sua família diante de um público de sua cidade natal.

    Enquanto Ream era homenageado no gramado, estava cercado pela família. Ao lado dele, vestindo uma jaqueta com o seu número 13, estava sua esposa, Kristen. Os dois estavam com os três filhos, todos usando o uniforme principal da USMNT com o sobrenome da família estampado. Até mesmo o normalmente estoico Ream não conseguiu esconder a alegria. Apesar de tudo o que Ream havia dito sobre se sentir desconfortável com a homenagem, ela o fez abrir um sorriso.

    "Não foi ideia minha", disse Ream. "Isso não é o tipo de coisa com que eu me sinto confortável. Sou mais um cara que sempre achou que estava apenas fazendo o meu trabalho, cumprindo o meu papel, mas sou grato por estar aqui depois de tudo isso."

    O que deixava Ream mais grato era o fato de que sua família esteve ao seu lado em tudo isso. Seus filhos já têm idade suficiente para tê-lo visto capitaneando seu país em uma Copa do Mundo. Sua esposa, que ele conheceu na faculdade, esteve com ele em uma jornada que o levou à Europa e de volta. E, nas arquibancadas, havia milhares de pessoas com alguma ligação com ele, seja como fã ou amigo, por meio de sua cidade natal, St. Louis.

    Todos os sacrifícios, então, valeram a pena, mas foram sacrifícios. No fim, foram esses sacrifícios que fizeram Ream pensar no seu futuro.

    "Especialmente desde o fim da Copa do Mundo", começou ele, "tem sido uma questão de entender: 'Ok, por quanto tempo eu realmente quero continuar fazendo isso?' Posso continuar? Sim, fisicamente, me sinto bem, mas eu quero fazer isso? As longas horas antes de um treino compensam o tempo que é necessário para me recuperar depois de um treino?"

    À medida que se aproxima do fim, Ream tem pensado mais em tudo o que foi necessário. Durante boa parte da vida, seu objetivo era disputar uma Copa do Mundo. Depois, quando chegou lá, passou três anos e meio lutando para ir a mais uma. No fim, a missão foi cumprida. Ele conseguiu, e também pôde usar a braçadeira de capitão.

    Mas foi preciso muita gente para levá-lo até lá. Foi preciso que sua esposa fosse compreensiva quando Ream viajava por semanas seguidas para representar a seleção nacional. Foi preciso que seus filhos entendessem que o pai estava fazendo algo especial, o que significava que ele não estaria por perto toda semana. E foi preciso o desejo de Ream de representar seu país, mesmo sabendo dos momentos que poderia perder ao longo do caminho.

    "Para mim, era um objetivo chegar a outra Copa do Mundo", disse Ream. "Eu consegui. Fui capaz de fazer isso. Fui capaz de contribuir de forma importante e fazer parte de algo que é muito maior do que você. No fim da carreira, acho que isso te dá uma apreciação muito grande por todo o tempo e esforço investidos, não apenas o seu próprio e o tempo que você dedica, mas também o tempo que as pessoas que você ama deixam de ter com você, o tempo e o esforço que elas colocam para ajudar você a alcançar esses objetivos.

    "É algo sobre o qual eu tenho refletido muito nos últimos meses: quanto esforço, amor e cuidado isso exige, da família aos amigos, de você mesmo à equipe da U.S. Soccer, até o pessoal dos bastidores, que ninguém consegue ver."

    Os companheiros de Ream na USMNT viram esse trabalho de perto durante anos, e agora são essas pessoas dentro da U.S. Soccer que têm a tarefa de tentar encontrar uma forma de substituir tudo o que Ream oferecia.

  • Substituindo uma presença

    USA v Australia: Group D - FIFA World Cup 2026
    Getty Images Sport

    Pochettino nomeou Ream como capitão dos EUA na Copa do Mundo por um motivo: há poucos jogadores com quem ele tenha gostado mais de trabalhar.

    Quando Pochettino entrou na sala de imprensa do St. Louis City SC para sua entrevista coletiva pré-jogo, havia um presente à sua espera: uma salada Caesar deixada por instrução de Ream. Na primeira vez em que a USMNT de Pochettino foi a St. Louis, Ream escolheu o restaurante, e foi nesse restaurante que Pochettino comeu uma salada Caesar que continua sendo uma piada interna todos esses anos depois.

    "Tim foi realmente muito importante para nós desde o dia em que nos conhecemos", disse Pochettino. "Ele se lembrou de como aquela conversa aconteceu, e acho que ele se lembrou de tudo, inclusive da nossa salada. Ele foi ótimo para nós e, para mim, de forma pessoal, porque, como ser humano, ele é incrível. E também pela forma como atuou.

    "Ele foi uma parte incrível da minha carreira porque, ao conhecer uma pessoa e um ser humano como ele, ele me ajudou a me adaptar aqui à cultura dos EUA. Ele foi humilde o suficiente. Sempre esteve defendendo seu time e seus companheiros e nos ajudando em cada decisão."

    A salada foi apenas uma das muitas histórias sobre Ream. Chris Richards riu ao lembrar do passe de costas de Ream para Sebastian Berhalter. Pochettino tem muitas histórias próprias também. De todos os jogadores com quem trabalhou ao longo da carreira, Ream está entre seus favoritos. Não faltam histórias sobre Ream, mas não há mais nenhuma a ser escrita com a camisa da USMNT.

    Bem, havia mais uma: aquele discurso, que serviu tanto como boas-vindas para a nova geração quanto, de muitas formas, como adeus a um zagueiro de 38 anos que pertencia a uma geração à parte.

    "Na verdade, recebi uma mensagem de texto a caminho de um Q&A ontem à noite dizendo que eu estava no último ano da St. Louis University quando [Cavan] nasceu", disse Ream, com um tom de autodepreciação. "Ele é só quatro anos mais velho do que o meu filho mais velho."

    Então, qual é a mensagem de Ream para esses jovens? O que ele quer ver da próxima geração, que claramente está em ascensão?

    "Acho que a coisa que mais me chama a atenção neles é a mesma que me chamou a atenção com os Westons, os Tylers, os Gios, esses caras que chegaram à seleção, é que eles têm uma quantidade ridícula de confiança. É revigorante, e beira a arrogância, mas acho que você precisa ter um pouco dessa marra. Você precisa ter essa crença em si mesmo.

    "Eles ainda estão aprendendo. Há momentos para vocalizar isso e agir dessa forma, e momentos para dar um passo atrás, mas eles sabem quem são e não têm vergonha disso. "

    Nos dois jogos desta concentração, Pochettino apostou em Tyler Adams e Antonee Robinson como capitães. Chris Richards também usou a braçadeira. Ream será difícil de substituir, particularmente em campo. Sua carreira foi cheia de retornos, mas, em seus últimos anos na USMNT, sua compostura, experiência e liderança fizeram dele uma presença confiável na linha defensiva. Agora, seu lugar está em aberto, e cabe a alguém tomá-lo.

    Ream está deixando para trás mais do que apenas uma braçadeira ou um lugar em campo; está deixando um legado sobre o qual agora tem um pouco mais de liberdade para refletir.

  • Refletindo a contragosto

    USA v Bosnia and Herzegovina: Round Of 32 - FIFA World Cup 2026
    Getty Images Sport

    Ream não é do tipo reflexivo, mas foi levado a fazer justamente isso na terça-feira.

    Ream não consegue escolher um momento favorito. Não consegue reduzir a um só. Da primeira convocação, na África do Sul, até a última, em Seattle, foram momentos demais e eras demais. Houve os anos iniciais, depois os anos no ostracismo. Então veio o renascimento repentino em 2022, que o levou ao papel de liderança em 2026. Houve várias vezes ao longo do caminho em que Ream achou que tinha acabado. Agora, acabou.

    "É isso que faz a jornada ser a jornada", disse. "Não há uma coisa só para a qual eu possa apontar e dizer: 'Ah, estou tão feliz que isso aconteceu'. Posso dizer que os últimos quatro anos foram o período mais prazeroso que já tive com a seleção, e isso não quer dizer que tenha sido melhor do que o resto, mas foi o mais prazeroso.

    "Eu olho para os outros momentos, que foram momentos difíceis, e penso: 'Sim, você superou a turbulência e seja lá o que tenha sido, os contratempos, e saiu do outro lado, e continuou insistindo e seguindo em frente'. Não acho que eu consiga separar os momentos."

    Então, o que vem a seguir para Ream? Por enquanto, ele está focado no Charlotte FC. Ainda há uma temporada regular da MLS para disputar e uma briga por vaga nos playoffs em andamento. Ream está deixando a seleção, mas ainda não terminou de jogar.

    "Tenho levado cada dia e cada semana como eles vêm", disse. "Mas sei que agora estou muito mais perto do que estava seis meses atrás de encerrar completamente, e aí veremos. Lá vou eu de novo: mais perto, não dizendo aposentadoria, mas de encerrar."

    Ele acrescentou: "Quando a temporada terminar, aí você resolve a partir dali. Essa não será uma decisão tomada nem verbalizada até que a última bola seja chutada."

    Durante a entrevista coletiva de terça-feira, Ream foi questionado sobre o próprio lugar na história, tanto de sua cidade quanto de seu país. St. Louis produziu alguns dos grandes nomes do esporte. Onde ele se encaixa entre eles?

    "Isso já é terrível para mim", disse, "só de estar sentado aqui. Eu simplesmente não vejo dessa forma; eu apenas me vejo como eu mesmo. Não penso nisso nem tento me comparar com os outros, mas se alguém tivesse me dito isso [que eu estaria nessas discussões], eu teria dito: 'Isso é incrível'."

    É, então, uma longa despedida para um jogador que teve sua própria cota de momentos incríveis. Seja aposentadoria, reconhecimento ou fim de ciclo, seja qual for o nome que se queira dar, Ream se despediu, e é seguro dizer que não haverá outro exatamente como ele.