Maior artilheiro da história do Colo-Colo, com 208 gols em 374 partidas oficiais, Carlos Caszely é amplamente considerado o maior jogador a vestir a camisa do clube. Ele levou a equipe à final da Copa de 1973 como artilheiro da competição e conquistou oito títulos importantes em suas duas passagens pelo Monumental. Também ganhou o apelido de 'Rey del metro cuadrado' (Rei do metro quadrado) pelo domínio da bola em espaços curtos e pela precisão nas finalizações.
O impacto de Caszely fora de campo foi ainda mais significativo. Alinhado à esquerda, ele criticava Pinochet abertamente e, em um episódio célebre, recusou-se a apertar sua mão antes da Copa do Mundo de 1974. Para os torcedores do Colo-Colo, ele é o maior exemplo do que significa ser rebelde. Em 2022, ganhou uma estátua do lado de fora do Monumental.
Durante o primeiro Dia dos Sócios do Colo-Colo no Monumental, em abril, Caszely explicou com eloquência o que o clube significa para ele e para seus torcedores: "É ter o coração sempre acelerado, ser solidário, entender que o Colo-Colo é mais do que um time de futebol. É social, é um coração que se estende de Arica a Punta Arenas. O Colo-Colo é tudo, é a maior coisa que existe."
Bem ao lado da escultura de Caszely há uma de outro ídolo do Colo-Colo, Francisco 'Chamaco' Valdes. O meia-atacante era o parceiro ideal de Caszely tanto no Chile quanto no Colo-Colo. Também teve duas passagens pelo clube e liderou pelo exemplo como capitão. Craque de grande técnica e especialista em bolas paradas, marcou 180 gols pelo Colo-Colo, muitos deles espetaculares.
Valdes morreu em 2009, aos 66 anos. No início deste ano, foi realizada uma homenagem no Mausoléu do Colo-Colo, e Caszely estava entre os presentes. "No futebol, eu não teria sido quem fui se não fosse por Chamaco. Nunca vi, em nenhum lugar do mundo, um jogador com a inteligência de Chamaco", disse.
Talvez ninguém jamais iguale o legado de Caszely e Valdes, mas um integrante do time do Colo-Colo campeão da Copa Libertadores de 1991 chegou perto. Marcelo Barticciotto (na foto acima) marcou três gols decisivos durante a campanha histórica da equipe e deu duas assistências na final. Ele também marcou o primeiro gol no Monumental após sua reinauguração, em 1989.
Chamado carinhosamente de 'Barti' ou 'El 7 del Pueblo' (O 7 do Povo) pelos torcedores, o ponta explosivo também foi protagonista de três conquistas do Campeonato Chileno e detém o recorde de partidas pelo Colo-Colo em competições continentais (86).
Como se tudo isso não bastasse para consolidar seu status de lenda, Barticciotto demonstrou sua devoção ao clube enquanto jogava por um de seus rivais, o Universidad Catolica, por empréstimo do Club America em 1995. Ele marcou na vitória do Catolica por 2 a 1, mas se recusou a comemorar o gol. Em vez disso, abaixou a cabeça em sinal de respeito ao Colo-Colo, ao qual retornaria no ano seguinte.
"Eu não tinha planejado deixar de comemorar nem nada. Naquele momento, veio do coração. Eu não podia comemorar o gol contra aquelas pessoas que tinham me aplaudido, que me perguntavam sobre isso na rua e demonstravam tanto carinho por mim. Eu não podia", relembrou Barticciotto ao Vamos a Recordar.
"Percebi quanto carinho as pessoas tinham por mim. Foi uma ovação que nunca vou esquecer. Foi quando me perguntei: 'O que estou fazendo aqui vestindo esta camisa?' Foi muito estranho para mim, especialmente quando cheguei ao jogo. Do outro lado estavam meus companheiros de tantos anos, de tantas batalhas. Nunca mais senti nada parecido. Tentei ser o mais profissional possível, mas estava sempre olhando para o outro lado, com o coração no Colo-Colo."
Quando Barticciotto anunciou sua aposentadoria, em 2003, 50 mil torcedores foram ao Monumental para se despedir do ídolo. Cinco anos depois, ele voltou como técnico e levou o clube ao título do Clausura, fortalecendo ainda mais seu vínculo com a Garra Blanca.