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Anthony Gordon England 1:1Getty/GOAL

Anthony Gordon não é o Lamine Yamal da Inglaterra, mas a mais nova estrela do Barcelona merece ser um dos intocáveis de Thomas Tuchel

James Westwood
Traduzido por
  • Depois da vitória da Inglaterra por 2 a 0 sobre a Tchéquia, fora de casa, pela Liga das Nações, Anthony Gordon recebeu elogios especiais do treinador adversário. Santi Denia trabalhou anteriormente com 23 integrantes da seleção campeã da Copa do Mundo de 2026 pela Espanha em seus anos de formação, treinando várias faixas etárias diferentes enquanto ajudava a reestruturar o sistema de base do país, então sabe reconhecer um jogador talentoso quando vê um.

    "Gordon? Que jogador!", disse o técnico da Tchéquia. "Que jogador de futebol, meu Deus. Ele está no mesmo nível de... não sei, eu ia dizer Lamine [Yamal]. Jovem, ousado, no um contra um, velocidade. E que grande trabalho o futebol inglês fez ao revelar jogadores como ele."

    Certamente não seria surpresa se a linha defensiva da Tchéquia tivesse tido pesadelos com Gordon desde aquele confronto. O ponta do Barcelona, que se mudou para o Camp Nou vindo do Newcastle em um acordo de verão de £ 69 milhões (US$ 91 mi), fez uma grande arrancada para dentro da área para cabecear uma cruzamento preciso de Trent Alexander-Arnold e colocar a Inglaterra em vantagem no início do segundo tempo. Foi um gol que Gordon mereceu plenamente pelo seu empenho; ele finalizou quatro vezes, deu quatro passes decisivos e conduziu a bola 33 vezes durante seus 81 minutos em campo, além de percorrer um total de 8,2 quilômetros.

    Denia vai precisar elaborar um plano para Gordon quando a Tchéquia enfrentar a Inglaterra novamente em Wembley, na terça-feira, porque ele atualmente dita o ritmo do temível ataque de Thomas Tuchel. Embora ainda seja prematuro colocar o jogador de 25 anos na prateleira dos craques de nível mundial, apesar do endosso de Denia, agora ele deve ser considerado um dos intocáveis da Inglaterra ao lado de Harry Kane, Jude Bellingham e Declan Rice.

  • Não é o mesmo

    England v Spain - UEFA Nations League 2026/27 Group A3 MD1
    Getty Images Sport

    Gordon não se equipara ao novo companheiro de clube em pura magia com a bola, mas é um ótimo jogador por mérito próprio

    Vamos tirar isso do caminho primeiro: Gordon não pode ser comparado a Yamal. Sim, como Denia observou, Gordon é rápido e direto, mas não possui a mesma magia técnica nem o mesmo carisma em campo de seu novo companheiro de time no Barcelona.

    Isso ficou claro nesses primeiros dois meses juntos no Camp Nou e é comprovado pelas estatísticas: Gordon deu quatro assistências em sete partidas, enquanto Yamal marcou oito gols e deu seis assistências em oito jogos. Yamal é o mestre criativo do Barcelona e sua arma ofensiva mais letal, e Hansi Flick não contratou Gordon para rivalizar com o jogador de 19 anos por nenhum desses dois títulos não oficiais.

    O que Gordon traz de sobra, porém, é dinamismo. Ele é perfeito para o sistema fluido e de pressão alta de Flick, como um atacante versátil que pode atuar nas duas pontas e como falso 9. O Barça pode contar com ele para recuperar a bola com consistência em posições avançadas e conectar as jogadas com eficiência. Quaisquer gols que eventualmente sejam acrescentados serão um bônus.

    Os torcedores da Inglaterra não devem passar a esperar de repente que Gordon tenha o mesmo impacto que Yamal tem pela Espanha. Ainda assim, ele é um trunfo único para Tuchel, enquanto o técnico alemão tenta diminuir a diferença para a atual campeã mundial.

    Gordon e Yamal ficaram frente a frente em Wembley em 26 de setembro, e foi um confronto fascinante. O primeiro esticou a linha defensiva da Espanha com suas constantes infiltrações nas costas, e o segundo levou vantagem sobre Marc Guehi com grande efeito, arrancando em direção à área em toda oportunidade.

    A qualidade geral da Espanha prevaleceu no fim, e a Inglaterra acabou derrotada por 3 a 2, mas, se Kane não tivesse desperdiçado um pênalti e os donos da casa tivessem sido mais letais com a bola rolando, poderiam muito bem ter ficado com os três pontos. Gordon causou todo tipo de problema para a Espanha na fase de transição, e algumas de suas combinações com Bellingham foram de tirar o fôlego.

  • "Alcançou outro nível"

    Croatia v England - UEFA Nations League 2026/27 Group A3 MD3
    Getty Images Sport

    Tuchel e Kane viram uma mudança positiva no jogo e na mentalidade de Gordon desde sua transferência para o Barcelona

    Gordon também teve uma atuação de destaque na impressionante goleada da Inglaterra por 7 a 0 sobre a Croácia no sábado. Ele deu a assistência para o segundo gol, dominando um cruzamento de Bukayo Saka antes de tocar para Bellingham completar para as redes, e marcou o terceiro ele mesmo, cabeceando um passe de Jarrell Quansah na segunda trave.

    "Agora ele joga com muito mais agressividade, com mais confiança. Vejo um jogador cheio de confiança, de fé. Ele alcançou outro nível", disse um Tuchel satisfeito à imprensa após a partida. "Ele foi muito decisivo nos três jogos."

    De fato, essa confiança nem sempre esteve presente na Copa do Mundo. Gordon teve dificuldades para se impor nos jogos da fase de grupos contra Croácia e Gana, e Tuchel admitiu que ele não foi bem o suficiente na apertada vitória da Inglaterra sobre a Noruega nas quartas de final.

    "Ele poderia ter ido melhor", acrescentou Tuchel. "Mas foi difícil, todos os jogos foram difíceis. Ele queria mostrar que a camisa do lado esquerdo é dele, e é exatamente isso que ele está fazendo. É um jogador muito importante."

    Kane também foi questionado sobre se viu uma evolução em Gordon durante esta Data Fifa e destacou a mudança na linguagem corporal do jogador. "Acho que sim. A mudança para o Barcelona o ajudou", afirmou o capitão da Inglaterra. "Ir para um grande clube como esse lhe dá mais autoconfiança. Você sente que pertence ao maior palco e ele levou isso para as atuações pela Inglaterra. Ele foi excepcional contra a Espanha e fez a diferença contra os tchecos."

    Foi uma grande decisão para Gordon deixar a zona de conforto na Premier League, mas ele abraçou o desafio de uma nova cultura, até aprendendo espanhol com bastante antecedência, e a pressão que vem com jogar por um superclube como o Barcelona. A Inglaterra está colhendo os frutos e, neste momento, ele está muito à frente dos outros candidatos para essa função pela esquerda.

  • Deixado para trás

    England v Argentina: Semi Final - FIFA World Cup 2026
    Getty Images Sport

    Marcus Rashford agora enfrenta uma missão difícil para tirar Gordon da escalação de Tuchel

    Morgan Rogers e Eberechi Eze podem jogar por aquele lado, mas não são pontas de ofício como Gordon. Noni Madueke, por sua vez, rende melhor cortando da direita para dentro, Jack Grealish ainda tem um longo caminho para voltar ao radar da seleção depois de um longo período afastado por lesão, e a joia do Liverpool Rio Ngumoha ainda está aprendendo aos 18 anos.

    Isso deixa Marcus Rashford como o principal rival de Gordon por uma vaga entre os titulares. Tuchel se inclinou mais por Gordon na Copa do Mundo, e a diferença entre os dois parece gigantesca depois de Rashford ter deixado a mais recente pausa internacional por causa de um problema físico.

    Parece que Gordon está apenas atingindo seu auge, enquanto o de Rashford aparenta já ter passado. O jogador do Manchester United voltou à seleção da Inglaterra na esteira de uma ótima temporada por empréstimo no Barca, mas tem sido completamente ineficaz desde seu retorno a Old Trafford.

    Rashford pode igualar Gordon em velocidade, mas sua tomada de decisão no terço final é muito mais irregular, e ele não se dedica da mesma forma sem a bola. É por isso que o Barca pagou mais por Gordon, em vez de tornar permanente a transferência de Rashford por apenas £30 milhões (US$ 40 milhões), como Deco deu a entender publicamente.

    "Ele contribuiu muito na última temporada, mas nossa ideia de jogo está muito mais ligada a Anthony", disse o diretor esportivo do Barca no mês passado. "Uma das áreas em que tivemos dificuldade na última temporada, sem Raphinha, foi que a energia do time caiu. Ela se perdeu. Precisávamos de mais intensidade."

    Gordon completa mais dribles do que Rashford, vence mais duelos e sofre mais faltas, além de converter chances em uma taxa maior. Rashford ainda consegue criar oportunidades do nada, mas sua execução muitas vezes é ruim. Em jogos mais físicos, ele desaparece, enquanto Gordon parece gostar de um bom duelo e é mais jogador de equipe.

    Com base nisso, tudo o que Tuchel poderá oferecer a Rashford é um papel de reserva, a menos que ele passe por uma transformação milagrosa no United nas próximas semanas e meses.

  • Respeito há muito devido

    Czechia v England - UEFA Nations League 2026/27 Group A3 MD2
    Getty Images Sport

    Gordon não acredita que seu talento tenha sido plenamente valorizado durante sua passagem pela Premier League

    Houve muitos torcedores e comentaristas que questionaram por que o Barcelona pagou tanto por Gordon, e alguns que não entenderam sua inclusão no elenco da Inglaterra para a Copa do Mundo. Os críticos frequentemente acusavam Gordon de ser um ponta unidimensional, que deixava a desejar contra times que atuavam em bloco baixo. No entanto, o revelado nas categorias de base do Everton acredita que foi rotulado de forma injusta e que não conseguiu mostrar todo o alcance do seu talento por causa das limitações coletivas do Newcastle.

    "Acho que me tornei um jogador diferente aos olhos de muita gente", disse Gordon à ITV na semana passada. "Sempre senti que, na Inglaterra, as pessoas me respeitavam porque eu era rápido e pressionava, mas nunca respeitaram de fato a qualidade e o QI com que eu jogo.

    "Parece que só os jogadores com quem eu jogo percebem isso. Acho que agora que estou no Barcelona e jogo de uma forma diferente, essas qualidades ficam muito mais em evidência e as pessoas estão realmente começando a perceber que eu não sou apenas rápido. Na Inglaterra, isso nunca foi realmente respeitado porque as pessoas só me veem como alguém muito rápido e muito agressivo. Na Espanha, eles realmente valorizam meu QI e minha qualidade porque, no Barcelona, se você não for técnico, se você não for inteligente, vai ficar muito deslocado."

    Ele tem um ponto válido. Gordon somou 40 participações em gols em 95 partidas da Premier League pelo Newcastle e marcou 10 gols na Champions League na temporada passada. São números ofensivos de primeira linha que não se encaixam na narrativa de que Gordon é apenas um operário.

    A habilidade sempre esteve lá, e é por isso que ele se adaptou tão rapidamente à vida em Barcelona. Agora Gordon está recebendo o respeito que há muito merece e, embora talvez nunca se encaixe no molde de superestrela de um Yamal, não há motivo para que não possa agora se tornar um dos melhores do mundo em sua posição.