Valentijn Driessen não entende de jeito nenhum a chegada de Viktor Tsygankov ao Ajax. Segundo o jornalista do De Telegraaf, o ponta-direita ucraniano, levado a Amsterdã por indicação do técnico Míchel Sánchez, pouco impressiona. O que mais surpreende Driessen é o fato de o treinador espanhol já conhecer o atacante havia anos, desde o período em que trabalharam juntos no Girona.
No podcast Kick-off , Driessen analisa a política de contratações do Ajax após a derrota vergonhosa para o Hajduk Split por 2 a 1 na Liga Conferência. Ele direciona suas críticas sobretudo a Tsygankov, que estava longe de ser um desconhecido para Míchel. "Ele trabalhou três anos com esse ucraniano", observa o jornalista.
Justamente por isso, Driessen considera incompreensível que o Ajax tenha gastado dinheiro com o atacante. "Quando você vê como ele é apático... Ele não toma iniciativa nenhuma, absolutamente nada", sentencia. "Aí você pensa: pagaram por ele também." Segundo informações, o Ajax pagou quatro milhões de euros pelo ponta-direita de 28 anos.
Para Driessen, as críticas a Tsygankov fazem parte de um problema muito maior no Ajax, que mudou completamente de rumo no último verão europeu. Sob a liderança de Jordi Cruyff, o clube contratou vários jogadores experientes de seleções nacionais com salários altos, enquanto a formação de suas categorias de base e o Campeonato Holandês passaram a receber muito menos atenção. "Só olhavam para o exterior, para jogadores experientes que chegariam prontos para jogar", afirma Driessen.
A contratação de Marcos Leonardo, por quase 20 milhões de euros, também não faz sentido para o jornalista. "Pagaram por ele. O Ajax é o único clube do mundo que leva dinheiro para a Arábia Saudita. Todos os outros só tiram dinheiro de lá, e o Ajax vai levar dinheiro", ironiza Driessen.
O jornalista ressalta que o Ajax precisou integrar muitos jogadores novos nos últimos meses, mas ainda não tem um time com identidade definida. "Acho que ontem havia sete ou oito jogadores em campo que foram contratados no último verão europeu. Eles nunca tinham jogado juntos e muitas vezes nem sequer falam a mesma língua", diz Driessen.
Driessen considera que a atual política de transferências afasta cada vez mais o Ajax da fórmula que deu certo no passado. "Quando o Ajax viveu bons períodos? Quando tinha um núcleo de jogadores do próprio clube, acompanhado de alguns grandes talentos jovens. O que não havia à disposição era contratado, e geralmente eram dois ou três jogadores, não mais", afirma o jornalista, que descreve o elenco atual como uma "verdadeira legião estrangeira".





