Três títulos de um lado. A estreia em uma final do outro. Estados Unidos e Holanda se enfrentam neste domingo, às 12h, em Lyon, pela final da Copa do Mundo. As duas seleções chegam invictas, tendo levado apenas três gols cada. Apontadas como favoritas, as americanas buscam duas conquistas consecutivas após a vitória da Copa de 2015. Contra as atuais campeãs mundiais, as holandesas levam o trunfo da Eurocopa de 2017, a primeira conquistada na história.
Impulsionada pelo time feminino do Lyon, maior campeão da Champions League, com seis títulos – quatro deles consecutivos –, a cidade de Lyon é uma escolha acertada para a final. Não apenas pelo histórico da modalidade na área, mas também pela familiaridade das atletas com o local. Quatro das finalistas têm história ligada ao clube: a holandesa Shanice Van de Sanden compõe o elenco atual. Já as americanas Morgan Brian, Megan Rapinoe e Alex Morgan passaram pela equipe, a última por empréstimo apenas para atuar na Champions.
Unidas pelos EUA, técnicas europeias retomam final após 16 anos
A final também coloca frente a frente duas técnicas mulheres, feito só alcançado uma única vez, em oito edições do Mundial, durante a Copa de 2003. Na ocasião, Tine Theune comandou a Alemanha e Marika Domanski-Lyfords era a treinadora da Suécia.
Em 2019, é a vez de Jill Ellis, técnica dos EUA, brigar pelo bicampeonato – foi ela quem comandou o time no título de 2015. Cabe à holandesa Sarina Wiegman barrar o favoritismo das americanas.
Rivais no domingo, as duas técnicas têm muito em comum. Ambas são europeias e encontraram nos EUA incentivo para jogar futebol. Jill Ellis é britânica e quando criança não recebia permissão para jogar. O cenário virou outro quando a família se mudou para os EUA. Lá ela passou pelo futebol universitário e iniciou seu trabalho com seleções de base, até chegar à principal.
Na Holanda, Wiegman até jogava futebol. Esteve no torneio experimental que serviu como base para a primeira Copa, em 1988, mas entendia que faltava muito investimento para conseguir chegar ao topo. Ela foi até os EUA passar uma temporada jogando bola para se aprimorar e, na volta, decidiu estudar. Começou na seleção como assistente, em 2014, e após algumas oportunidades como interina assumiu a equipe principal em 2017, a poucos meses da Eurocopa. Foi seu primeiro título à frente da Seleção Holandesa.
Favoritas, americanas enfrentaram mata-mata difícil
Com uma equipe que mescla veteranas do Mundial passado e novatas que encontram sua primeira chance na seleção, os Estados Unidos são favoritos ao título.
As americanas somam três títulos mundiais (1991, 1999 e 2015) e buscam, pela primeira vez, um bicampeonato. Passaram pela fase de grupos sem sustos e sem tomar gols, estreando com goleada de 13 a 0 sobre a Tailândia. No mata-mata, só enfrentaram equipes europeias de peso. Contra a Espanha, apontada como "futuro" do futebol no continente, venceram por 2 a 1. O placar foi o mesmo diante da França e da Inglaterra, outras seleções que vêm sendo reverenciadas pelo bom futebol. Em seis jogos, marcaram 24 gols e só levaram três.
Com seis gols, a artilheira Alex Morgan é uma das maiores apostas da seleção para a final. Aos 30 anos, a jogadora briga não só para ter a maior quantidade de gols nesta Copa como para integrar um elenco bicampeão, já que esteve presente na campanha do título no Mundial passado. Rápida, objetiva e com faro de gols, dificilmente erra suas finalizações.
Rapinoe, uma das líderes em campo, ainda é dúvida na escalação. Ela ficou no banco diante da Inglaterra após leve lesão. Disse esperar retornar para a final, mas ainda não foi confirmada. A jogadora assume protagonismo tanto na ponta esquerda quanto no meio. Se necessário, pode atuar mais recuada para auxiliar no setor de armação. Posiciona-se politicamente ao não cantar o hino dos EUA, em protesto por questões raciais e causas LGBT. Também já entrou em fogo-cruzado com o presidente norte-americano, Donald Trump, ao dizer que não o visitará na Casa Branca caso o time seja campeão.
A ausência de Rapinoe, apesar de lamentada, foi bem suprida por Christen Press. A atleta é mais veloz e colabora mais na marcação. Além de ter aberto o placar diante da Inglaterra, ajudou a conter a atuação da lateral Lucy Bronze.
Os EUA também trabalharam a memória do futebol feminino pouco antes da Copa, com uma série de amistosos pelo país, incluindo uma partida em homenagem às campeãs de 1999. As ex-jogadoras foram enfileiradas em frente às atletas da seleção e aconselharam o elenco que iria para a França.
No embalo da prorrogação, holandesas fazem primeira final
A torcida laranja dança de um lado para o outro nas ruas de Paris. Diverte-se com a segunda Copa de suas jogadoras, sendo a primeira final da história da equipe. Um ano antes da Eurocopa, a Holanda figurava em 12º lugar no ranking da Fifa. Como campeã europeia, chegou ao sétimo lugar (sua melhor colocação até então). O torneio continental mudou não apenas a forma como a seleção passou a ser vista, mas também como as jogadoras passaram a acreditar no próprio potencial.
A Euro é justamente um dos trunfos das holandesas: 17 das 23 atletas que estiveram na competição foram convocadas para a Copa. O time titular se mantém quase o mesmo, salvo algumas modificações na zaga.
O elenco é jovem. A média de idade das convocadas para o Mundial é de 25,5 anos. Cresceram juntas na seleção e se conhecem bem. O bom entrosamento é visível em campo: o trio de ataque, composto por Van de Sanden, Lieke Martens e Vivianne Miedema, é muito veloz. Um pouco mais recuada, Danielle van de Donk fica atenta às infiltrações e é peça-chave nos contra-ataques, tendo comunicação direta com Miedema e permitindo, nas pontas, que Van de Sanden ajude na construção de jogadas e Martens seja a finalizadora.
Embora o setor defensivo não seja o forte da Holanda, a goleira Sari Van Veenendaal vem sendo destaque ao longo da Copa. Com 13 defesas no torneio, foi uma das principais responsáveis por segurar o placar diante da Suécia.
Invictas, as holandesas marcaram 11 gols e sofreram três. Tiveram boa atuação na vitória por 3 a 1 sobre Camarões, na primeira fase, e sofreram bastante pressão diante do Japão nas oitavas, vitoriosas pelo placar de 2 a 1. Contra a Itália, pelas quartas, não conheceram o mesmo sufoco, mas tiveram jogo apertado contra a Suécia, na semi, com jogo definido já na prorrogação.
Se precisam da adrenalina para garantir o seu melhor no fim, encontrarão nos EUA adversárias à altura. O resultado, saberemos apenas com o apito final.

