Há alguns dias, agentes do FBI e procuradores federais norte-americanos deram início a uma investigação de grande alcance sobre as operações financeiras da Federação Argentina de Futebol, presidida por Claudio Tapia.
A investigação pretende compreender de que forma centenas de milhões de dólares relacionados com os contratos comerciais da federação circularam através do sistema bancário norte-americano.
Os investigadores estão particularmente interessados em dezenas de milhões de dólares cujo destino final não ficou esclarecido nos documentos bancários analisados.
De acordo com o site argentino de grande circulação Infobae, o FBI reteve o avião da seleção argentina no Aeroporto Internacional John F. Kennedy, em Nova Iorque, para apreender bens de altos dirigentes da federação, entre eles Claudio "Chiqui" Tapia (presidente) e Pablo Toviggino (tesoureiro), ambos sob investigação por acusações de fraude e desvio de fundos, juntamente com os empresários Diego Lucero e Javier Faroni.
As especulações e teorias da conspiração que rodearam a final, difundidas pela imprensa argentina após o seu encerramento e que insinuavam a manipulação de resultados de jogos, tornaram-se uma cortina para encobrir o verdadeiro escândalo na Federação Argentina de Futebol.
E, num novo capítulo do maior caso de corrupção do país, o governo dos Estados Unidos toma medidas contra Tapia e os seus associados.
Dirigentes da Federação Argentina de Futebol foram intimados a comparecer perante o Tribunal do Distrito Sul da Flórida no dia 30 de julho corrente, no âmbito da investigação do "escândalo da Federação Argentina de Futebol".
Foi-lhes solicitado que fornecessem toda a informação disponível sobre uma empresa fantasma sediada na Flórida, que está a ser investigada como o principal instrumento para o branqueamento e a transferência de fundos provenientes dos contratos de patrocínio que a Argentina assinou desde o último Mundial até ao próximo Mundial, em 2030.
As estimativas indicam que a empresa recebeu 30% do total das receitas comerciais da Federação Argentina de Futebol durante esse período.
Segundo o site argentino: "A investigação que levou à apreensão de telemóveis e dispositivos eletrónicos começou a ganhar forma durante o Mundial. Enquanto Claudio 'Chiqui' Tapia e os dirigentes da federação acompanhavam a seleção nacional nos Estados Unidos, agentes do FBI e procuradores do Departamento de Justiça começaram a reconstruir as transações realizadas através da estrutura financeira utilizada para gerir os contratos comerciais internacionais da organização. O valor das operações em análise ultrapassa os 300 milhões de dólares."
Fontes próximas do presidente da Federação Argentina negaram estas acusações, classificando-as de "falsas" e "sem qualquer fundamento", apesar dos processos movidos contra ele.
Mariano Lizardo, advogado do dirigente desportivo, declarou ao jornal "La Nación": "Acabei de falar com ele, e isso não aconteceu."
Os Estados Unidos passam ao ataque
A empresa TourProdEnter LLC, uma sociedade de responsabilidade limitada criada entre Faroni e a sua esposa Erica Gillet, foi designada, por decisão expressa de Tapia, como "agente exclusivo" para a cobrança dos "contratos internacionais da Federação Argentina de Futebol, além de receber as receitas de patrocinadores, direitos comerciais, jogos amigáveis e outros negócios associados à seleção nacional argentina, bem como receber comissões pela sua intervenção e pelos serviços logísticos das operações".
A investigação, que se baseou em vários documentos bancários obtidos, confirma que as receitas da Federação Argentina foram distribuídas por múltiplas contas bancárias.
As estimativas indicam que cerca de 14 milhões de dólares de receitas, provenientes de contratos na Ásia, na Europa e no Golfo Pérsico, passaram por uma única conta, embora o dinheiro só nela permanecesse por um período entre 24 e 72 horas antes de ser transferido para outros destinos.
Segundo o que foi noticiado, a Federação Argentina não declarou nenhum dos montantes investigados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos nas suas demonstrações financeiras, entre outras irregularidades que incluem a apreensão de mais de cinquenta automóveis de luxo e de um imóvel em Villa Rosa, avaliado em mais de 20 milhões de dólares, no final do ano passado, em nome de um testa de ferro ligado ao próprio Tapia.
A Federação Argentina defende-se
Num comunicado dirigido aos meios de comunicação, a Federação Argentina de Futebol tentou desmentir parte da informação: "À luz das notícias divulgadas pela imprensa, a Federação Argentina de Futebol considera necessário prestar o seguinte esclarecimento: o documento referido nas diversas publicações não constitui uma intimação dirigida ao presidente da Federação Argentina de Futebol, Claudio Tapia, nem ao tesoureiro da instituição, Pablo Toviggino."
E acrescentou: "A intimação emitida pelo Tribunal do Distrito Sul da Flórida, dos Estados Unidos, é dirigida a um terceiro, que é obrigado a comparecer perante um grande júri e a apresentar documentos e correspondência relativos a diferentes indivíduos, incluindo autoridades desta associação."
Concluiu: "O referido documento não prevê quaisquer ações pessoais contra o presidente da federação ou o seu tesoureiro, não ordena a sua comparência perante o tribunal, não lhes impõe qualquer obrigação processual e não regista qualquer penhora ou apreensão dos seus bens. A divulgação de informação inexata ou deliberadamente distorcida gera desinformação grave e afeta de forma injustificada a honra e a reputação de indivíduos e instituições."





