Com a expectativa crescente em torno da possível chegada de Carlo Ancelotti para liderar a seleção brasileira rumo à Copa do Mundo de 2026, muitos torcedores estão ansiosos para ver como sua experiência e táticas podem transformar o time. Enquanto isso, para aqueles que gostam de adicionar um pouco mais de emoção aos jogos, explorar opções de apostas pode ser uma alternativa interessante. Se você está procurando por ofertas especiais, vale a pena conferir o código promocional Betboom, que pode proporcionar vantagens adicionais ao fazer suas apostas.
Dorival Júnior sofria apenas sua segunda derrota em 16 jogos como técnico do Brasil, mas ser goleado por 4 a 1 pela Argentina, pouco depois de fazer uma péssima Copa América, costuma transformar a maioria quase absoluta dos brasileiros na Rainha de Copas, aquela das histórias da Alice, escritas por Lewis Carroll, que grita “cortem a cabeça!!!”. O jogo em Buenos Aires nem tinha acabado e — todo mundo já sabia — o clima era insustentável para um cabisbaixo Dorival, de olhar distante. Não ser mais o País das Maravilhas do futebol, pelo longo jejum sem Copas, está cobrando um preço alto para os treinadores brasileiros.
Demorou três dias para a cabeça de Dorival metaforicamente rolar, mas o julgamento já estava dado. Quando a transmissão da TV Globo, que tradicionalmente serve como termômetro do país para seleção brasileira, disse, na voz de Luís Roberto, que o Brasil precisava de “uma mudança de curso daqui para a frente, pensando na Copa do Mundo de 2026”, todo mundo já imaginava que a CBF teria que buscar o seu quarto comandante no ciclo visando à competição a ser disputada na América do Norte. Duas semanas depois, Carlo Ancelotti foi anunciado e uma brisa de otimismo pelo sonho do hexa beijou os pescoços de brasileiros e brasileiras.
O otimismo pela chegada do italiano, mesmo às vésperas da Copa do Mundo, não teve nada de exagerado. Há anos, por exemplo, muitos sonhavam com alguma chance remota de verem Pep Guardiola no comando da seleção. Ter um dos melhores técnicos de todos os tempos, vindo de ótimos trabalhos recentes no Real Madrid e conhecedor profundo dos nossos melhores jogadores, é motivo, sim, para fazer sonhar. Mas a chegada do primeiro técnico efetivo estrangeiro da seleção também representou o golpe mais forte para marcar, ainda mais, a decadência da imagem dos treinadores brasileiros.
Invasão estrangeira e declínio dos técnicos brasileiros
CR FlamengoTreinadores estrangeiros estão na história do futebol brasileiro e contribuíram imensamente. A chamada “escola húngara”, bastante ativa em todos os cantos entre os anos 1940 e 1950, se fez presente em gramados tupiniquins através de nomes como Dori Kürschner (que introduziu os primeiros ensinamentos mais profundos de uma cultura tática no Brasil) e Béla Guttmann, cujo pupilo e auxiliar em seu trabalho no São Paulo de 1957, Vicente Feola, foi o técnico da seleção brasileira campeã mundial em 1958. Em 1965, o argentino Filpo Núñez fazia um trabalho tão bom no Palmeiras que ele e sua equipe representaram oficialmente o Brasil, com a camisa amarelinha, em amistoso contra o Uruguai.
Mas a partir de 2019, com o sucesso do português Jorge Jesus pelo Flamengo, as portas foram escancaradas para comandantes que não fossem brasileiros. Outros portugueses, como Abel Ferreira e Artur Jorge, também fizeram história através de títulos marcantes com Palmeiras e Botafogo, respectivamente. O argentino Juan Pablo Vojvoda chegou como um desconhecido, em 2021, mas se estabeleceu como lenda de um Fortaleza que chegou a sonhar com títulos brasileiros e até continentais — recusando inúmeras investidas de outros clubes pesados do país até encerrar sua passagem pelo Leão do Pici, em 2025, com uma despedida emocionante. Ao mesmo tempo em que isso acontecia, os profissionais brasileiros foram sendo, cada vez mais, deixados de lado. Viraram, na imensa maioria, um “Plano B”. A primeira divisão nacional passou a ver, em média, metade de seus comandantes serem de outros países que não o Brasil.
O diagnóstico geral era (e talvez ainda seja) que os técnicos brasileiros estão, há muito tempo, defasados. Se vez ou outra aparecem argentinos ou uruguaios treinando grandes equipes em competições como a Champions League, por que ninguém nascido no Brasil conseguiu fazer isso nas últimas décadas? Os que tiveram sucesso nas fronteiras sul-americanas acabaram, no final das contas, ou vítimas de uma cultura de máquina de moer treinadores vigente no Brasil... ou escolhidos para comandar a seleção brasileira, onde deixaram de ser bestiais para se transformarem em bestas perante a avaliação pública — embasada, claro, em resultados mais do que insatisfatórios.
Ciclo vicioso pré-Ancelotti
Getty ImagesOu seja, o mesmo país que exporta os melhores executores do esporte com a bola nos pés não consegue criar grandes pensadores, estrategistas, do futebol a nível mundial. O resultado desta mecânica foi, com raríssimas exceções, um ciclo de escolhas entre os mesmos perfis para comandar a seleção brasileira nas últimas décadas: o veterano que fez sucesso no passado, o chefão linha-dura, a unanimidade do momento ou o “paizão”.
Carlos Alberto Parreira, campeão mundial em 1994 e um dos grandes pensadores do futebol de sua época, foi responsável pelo ciclo até a Copa do Mundo de 2006 e falhou na hora H de estruturar um time recheado de craques. A resposta àquele fracasso, cuja culpa recaiu sobre o excesso de “oba-oba” dos jogadores, foi trazer um linha-dura que jamais, sequer, havia treinado oficialmente uma equipe: Dunga teve duas passagens pelo Brasil, 2006/2010 e 2014/2016, mas não agradou em nenhuma.
Mano Menezes estava na crista da onda em 2010, mas não sustentou. Felipão, entre 2013 e 2014, retornou apenas pelas lembranças do passado, já distante, do Penta de 2002, e da sua “Família Scolari” naquele título. Chegou a, literalmente, fazer comercial no qual tinha o papel de um paizão comandando crianças em campo. No final das contas, a impressão foi de que o jogo contra a Alemanha, na semifinal, foi realmente disputado entre crianças e adultos – você sabe do que estamos falando.
Dentre estes todos, Tite parecia ser o mais bem preparado para assumir o desafio quando aceitou comandar o Brasil, pouco antes da Copa do Mundo de 2018. Os primeiros momentos de sua equipe, na reta final daquelas Eliminatórias, empolgaram. Já visto como melhor técnico da história do Corinthians, tendo enfileirado quase todos os maiores títulos possíveis nos anos anteriores, Adenor Leonardo Bacchi tinha o respeito de todos e era tido, por muitos, como um “técnico europeu”. No final das contas, Tite não conseguiu ultrapassar a barreira das quartas de final em dois Mundiais e, após deixar, por opção própria, o comando do Brasil, também se decepcionou ao não conseguir ser chamado por nenhum grande time do Velho Continente.
Sem seu melhor técnico dos anos recentes, a CBF, imersa em um próprio caos institucional, cometeu todos os tipos de decisões erradas na preparação visando o Mundial de 2026. Até mesmo as que pareciam fazer algum sentido.
Ame ou odeie Fernando Diniz, ele foi o técnico com pensamento mais diferente, que privilegia o bom trato da bola, que surgiu nos últimos anos entre os brasileiros. Fazia uma campanha histórica pelo Fluminense, que terminaria em título da Libertadores em 2023, quando foi chamado para conciliar o trabalho no Tricolor com um período interino na seleção, enquanto o presidente Ednaldo Rodrigues ainda sonhava em atrair Carlo Ancelotti.
O erro? Chamar o técnico brasileiro mais autoral em décadas sem ter nenhum tipo de projeto para ele. Tudo inacreditavelmente no improviso. É claro que deu errado: Ancelotti renovou com o Real Madrid no final de 2023, e os resultados de Diniz foram péssimos: em seis jogos, teve mais derrotas (3) do que vitórias (2). A vaga caiu no colo de Dorival Júnior, que vinha de bons trabalhos por Flamengo e São Paulo, cujo grande trunfo era a personalidade de “paizão” e uma habilidade de lidar bem com os egos de seus principais jogadores. Já sabemos no que deu.
Uma nova realidade para o Brasil
Getty ImagesA verdade é que o Brasil deu até sorte de conseguir fechar com Ancelotti. O italiano não repetiu os sucessos anteriores na sua última temporada pelo Real Madrid, em 2024/25, a porta do Bernabéu lhe foi aberta para sair — uma demissão elegante — e ele não perdeu a chance de fazer história pela seleção. A negociação iniciada com o presidente Ednaldo Rodrigues foi concluída por outro mandatário da CBF, Samir Xaud, depois do afastamento de Ednaldo.
Não faltaram técnicos brasileiros criticando a escolha por um estrangeiro no comando da seleção. Vitorioso no Brasil e figura influente no Penta, quando ocupou o cargo de coordenador, Antônio Lopes não gostou nada: “o Brasil foi pentacampeão com cinco treinadores brasileiros. Por que vai botar um treinador estrangeiro?”, disse ao GE.
Ex-técnico do Brasil e campeão como goleiro reserva em 1970, Emerson Leão lamentou todo o cenário atual que fez as portas serem abertas para Ancelotti: “os clubes todos, os maiores pelo menos, estão sendo dirigidos só por estrangeiros. Cadê? Cadê o Brasil? Cadê os treinadores brasileiros? Cadê as pessoas que comandam esse espetáculo? (...) Estou altamente decepcionado e triste com essa geração de novos treinadores que permite uma coisa dessa, não sendo capazes de mostrar muito mais impacto, muito mais direito, muito mais qualidade para fazer parte da seleção brasileira", disse à CNN.
Por outro lado, os últimos dois campeões mundiais pelo Brasil, Parreira e Felipão, deram as suas bênçãos para o italiano, que também ganhou de presente a réplica de um casaco utilizado por Mário Jorge Lobo Zagallo, um dos maiores símbolos possíveis de boas-vindas à seleção.
Palavras de Parreira em vídeo exibido na apresentação do italiano. “Querido Ancelotti, ficamos muito felizes que tenha aceitado o convite da seleção brasileira. Uma das mais famosas agora dirigida por um dos grandes treinadores do futebol mundial. Que possa alcançar o tão almejado hexa. Todo sucesso do mundo”.
Presente na cerimônia, Felipão abraçou Ancelotti e também foi só boas palavras: “é um prazer, uma alegria, uma satisfação e uma felicidade estar contigo. Desejamos o melhor possível. Seja você, seja a pessoa que sempre foi, que vai conseguir no Brasil aquilo que já conquistou. Tudo de bom e o melhor para o nosso Brasil. Estaremos sempre com você”, disse. Até Dorival Júnior manteve postura cortês com o italiano, aparecendo, tempos depois, em foto abraçado com seu sucessor.
Dentre os oito países campeões do mundo, os três que vivem os maiores jejuns sem título estão atualmente sob o comando de estrangeiros. O Uruguai é treinado pelo argentino Marcelo Bielsa, a Inglaterra tem o alemão Thomas Tuchel como técnico e Ancelotti talvez seja o grande motivo de esperança para o Brasil conseguir o seu hexa. Mas apesar da coincidência que une os gigantes adormecidos, cada situação tem seu contexto próprio. E a do Brasil reflete muito do que passou a ser a identidade da seleção brasileira.
A partir de 2006, a proporção de jogadores que atuam na Europa nas convocações para Mundiais supera 80%. Com jogadores indo cada vez mais cedo para o Velho Continente, onde terminam sua formação como atletas, eles não estão mais inseridos de forma absoluta na cultura futebolística do Brasil. Um técnico europeu para jogadores que, ainda que sejam brasileiros, são, em sua maioria, formados no futebol europeu, faz sentido. E faz ainda mais sentido que seja Ancelotti.
Por que Ancelotti é o nome perfeito
Getty ImagesA carreira do italiano anda em paralelo com o verde e amarelo. Ainda enquanto jogador, foi um dos pupilos preferidos de Nils Liedholm, um entusiasta dos brasileiros depois que viu, bem de perto, o que o talento tupiniquim podia fazer. Liedholm foi um dos autores dos gols da Suécia na final perdida para o Brasil, em 1958. Antes de pendurar as chuteiras, Carlo Ancelotti também atuou ao lado de craques como Paulo Roberto Falcão e Toninho Cerezo. Mas foi como treinador que ele aprofundou sua relação com as estrelas que vestiam a camisa canarinho.
No Milan, Ancelotti trabalhou com Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Cafu, Dida, Rivaldo, Serginho e vários outros. Acima de tudo, talhou Kaká à perfeição e teve importância enorme para transformá-lo em melhor jogador do mundo em 2007. Pelo Real Madrid, ajudou Vinícius Júnior a se transformar de uma promessa que tomava decisões ruins no terço final em uma realidade, autor de gols decisivos.
Sob o comando de Ancelotti, Vini também foi eleito o melhor do mundo, pela Fifa, em 2024. Don Carleto conhece bem o futebol e as personalidades de outros selecionáveis atuais: Casemiro, Rodrygo, Éder Militão e, durante sua rápida passagem pelo Everton, fez com que Richarlison fosse sondado até pelo Real Madrid. Ao todo, foram mais de 30 brasileiros que passaram pelo caminho do italiano durante sua carreira em clubes: desconhecidos, como Cleiton e Digão pelo Milan; craques de várias gerações e outros que muito prometiam, mas não conseguiram chegar tão longe. Ou seja, Carlo Ancelotti é conhecedor de diferentes extratos de atletas brasileiros.
Se os caminhos do dinheiro transformaram o jogador de seleção brasileira, futebolisticamente falando, em um atleta também europeu, com extensas vivências europeias (um movimento difícil de ser revertido), por que não ter no comando do Brasil o treinador que melhor conhece e dialogou com nossos principais jogadores em todas estas últimas décadas até os anos mais recentes? No final das contas, o fato de Ancelotti ser italiano é apenas um detalhe... a não ser que você seja um treinador brasileiro.

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