O técnico francês Rudi Garcia, treinador da seleção da Bélgica, provou do próprio remédio depois de ter zombado, ao ver sua equipe perder para a Espanha (1 a 2) nas quartas de final da Copa do Mundo de 2026, com um gol decisivo aos 88 minutos — exatamente no momento em que ele havia zombado da capacidade das seleções africanas de manterem a vantagem.
Garcia havia gerado grande polêmica após a partida de sua seleção contra o Senegal nas oitavas de final, quando afirmou: “Conhecemos bem essas seleções, elas perdem a organização tática nos minutos finais”, em uma declaração que alguns consideraram uma menosprezo às equipes africanas após a “remontada” da Bélgica, que transformou uma desvantagem de dois gols em vitória (2 a 3).
Em resposta às acusações de racismo, Garcia divulgou um comunicado no qual afirmou que seu comentário não se referia apenas às seleções africanas, mas também às equipes asiáticas, europeias e sul-americanas que carecem de experiência para manter a vantagem sob pressão.
Mas o destino tinha outros planos, e García sofreu um duro golpe contra a Espanha, que marcou o gol da vitória aos 88 minutos com um chute fulminante de Kubarsi na entrada da área, que ricocheteou na mão do goleiro reserva do Manchester United, Sen Lamens, e foi empurrado para o fundo da rede por Moreno.
É verdade que a saída do goleiro do Real Madrid, Thibaut Courtois, devido a uma lesão, contribuiu para essa derrota; no entanto, permitir que Kubarsi chutasse com toda a tranquilidade da entrada da área reflete a falta de organização tática da qual o próprio Garcia falou.
A cena pareceu irônica, já que o técnico francês caiu na mesma armadilha da qual havia zombado, perdendo a vaga na semifinal para a França devido a um gol nos minutos finais, exatamente como havia descrito em relação às seleções africanas alguns dias antes.

