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Tite Brasil Seleção coletiva 30 08 2017Pedro Martins / MoWA Press

Tite fala sobre situação da Argentina, compara paixão entre seleções e clubes... e muito mais!

Foi uma jornada curta e intensa desde que Tite assumiu a Seleção Brasileira. Em 11 jogos de Eliminatórias, foram 9 e 2 empates. 

O saldo é mais do que positivo: se no momento de sua chegada o Escrete Canarinho estava em crise, sob o seu comando a camisa canarinho engatou uma sequência recorde de vitórias seguidas [9] nas Eliminatórias e fez a sua melhor campanha.


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E este primeiro ciclo importante de Tite se encerra nesta terça-feira (10), contra o Chile. Em entrevista coletiva concedida nesta segunda-feira (09), o treinador falou sobre essa última jornada, capitania e garantiu: “o Mundial já começou”. Confira abaixo!

Rodízio de capitães

"Antes de responder, quero falar sobre a mudança constante na tarja de capitão. Cada atleta tem uma virtude. O nível de concentração do Marquinhos é alto, isso dá a ele uma valia de liderança. Ele mantém o foco. Cada um tem sua característica. Para não colocar uma responsabilidade só em quem usa a braçadeira. Você merece Marquinhos".

O que tira de cada um dos 13 capitães?

"Marquinhos tem liderança comportamental. Casemiro tem capacidade de competir de maneira leal. Marcelo é qualidade técnica, dez anos de Real Madrid. Miranda nível de concentração alto, sério. Com ele não tem sorriso. Renato Augusto tem capacidade de entender o jogo e trocar ideias táticas assim como Daniel Alves. Coutinho tem talento mágico".

Tite Marquinhos Brasil 09102017MoWa Press
(Foto: Pedro Martins/MoWa Press)

"O Neymar tem liderança técnica. Sabia que era ruim enfrentar o Neymar, mas não imaginava que era tanto. Mas não adianta nada se não tivermos conjunto. Não adianta só querer que o Neymar resolva. Não se pode transferir responsabilidades. Quando o jogo é ruim, é normal se criticar o capitão. Mas tem de jogar todo mundo".

Ansiedade para o início do Mundial?

"O Mundial já começou para a gente. Começou quando terminou o jogo e nos classificamos. Agora é preparação. Temos que consolidar a equipe, tenho pouco tempo para aproveitar. Estou pilhado para aproveitar isso. É um longo tempo até o Mundial, mas os períodos são curtos. São as duas equipes que apresentam o melhor futebol na América do Sul".

Por que não mexeu mais no time, para enfrentar o Chile?

"Não posso desestruturar a equipe em demasia. Mexo no goleiro, já tem uma mexida na lateral-esquerda. Se pegar jogos anteriores, vamos ver que mexemos em apenas duas peças. Você perde em conjunto e em preparação para o Mundial. Cada jogador tem suas características. Quando mexe nos três setores, a oportunidade se perde pela falta de estrutura (...) Por isso que tomei o cuidado de não mexer excessivamente. Porque aí você vira Professor Pardal".

"Contra a Colômbia, teve a lesão do Miranda e entraram Fernandinho e Firmino. É a mesma situação que já falei. Deixa uma estrutura básica e mexe em poucas posições. Quero que os que entrem vão bem porque aí podem continuar. Por norma, você repete duas vezes a formação para ver se tem a resposta".

O que os reservas podem fazer para serem titulares?

"Vou usar o exemplo dos três zagueiros que jogaram. Os laterais da mesma maneira. Fernandinho e Casemiro. O próximo passo pode ser usar Fernando e Casemiro juntos. Coutinho por dentro, Willian por fora, isso já temos consolidado. O jogo vai falar, sei que o Coutinho por dentro produz muito, vai dar agressividade. Quem entra e produz bem, pode ficar".

"Esses atletas de alto nível vão te mostrando situações. Não posso perder tempo. É deixar uma estrutura pronta e ir fazendo algumas alterações para observar".

Poucos jogos para testar antes da Copa do Mundo

"A ideia é de manter a estrutura e fortalecer ela. Sei que sou repetitivo mas, se tivesse quatro anos para trabalhar, é diferente. Foram apenas 13 jogos, é pouco tempo. Por isso, mantenho estrutura básica e tento colocar opções. As defensivas têm se mostrado mais consistentes".

Argentina fora da Copa?

"A gente viu toda dimensão que deu o jogo contra a Bolívia porque não traduzimos em gol o grande jogo que fizemos. Isso só acontece no futebol. Na reunião que fiz ontem, o marketing fez a mesma coisa que eu fiz com os atletas, olhar para o lado e agradecer a classificação. Imaginem o que as outras equipes não estão dormindo. Nossa situação é de gratidão (...) A classificação será determinada com o trabalho feito nos 18 jogos. Não será merecimento por apenas um jogo e sim pela sequência".

"O que mais nos move é botar a cabeça no travesseiro e saber que fez o melhor. A consequência disso é de quem construiu a campanha. Estou reconhecendo o Chile como grande equipe. Segundo, tenho grandes amigos argentinos. Antes do jogo contra a Colômbia, dei um abraço no Pekerman e falei luz para nós dois".

Torcedor de clube vs torcedor de Seleção

"Sei que o torcedor é apaixonado pelo clube e mais exigente com a Seleção. Temos que jogar bem para cativar o torcedor. A gente precisa desse apoio. Vamos fazer o que é mais importante para nós, para a dignidade de um povo, da imprensa. Não é nada de extraordinário, que é fazer o melhor. Os outros vão colher o fruto do trabalho que fizeram".

O time encontrou o equilíbrio desejado?

"Aprendi muito com os atletas. A cultura da mudança do técnico tira a responsabilidade dos atletas, você não divide, não há consolidação do trabalho. Quando escolho capitães, é para isso. É fácil passar essa responsabilidade para o Neymar. Cada um é importante, vamos dividir o pão. A equipe está se consolidando a cada dia".

O que esperar do Chile?

"É um time que tem característica e o DNA de bicampeão da Copa América. Faz triangulações, jogadas curtas, tem profundidade. Tem peças de qualidade muito alta. Voltou o Valdivia agora, que era da época que estava no Palmeiras como técnico. A capacidade de passe dele é impressionante. As duas equipes são as melhores da América do Sul em termos individuais e coletivos".

O que tira destas Eliminatórias?

"Libertadores e eliminatórias são muito parecidas. São clubes, mas acaba virando país contra país. São muitos fatores envolvidos. O que vivemos até aqui é importantíssimo. Sem dúvida, interfere em vários desempenhos".

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