Kevin Lamour, ex-responsável pelas operações e um dos principais dirigentes da Federação Internacional de Futebol (FIFA), optou por encerrar seu capítulo dentro da instituição com uma mensagem de despedida repleta de frases emocionantes, mas que não fez qualquer referência a Gianni Infantino, presidente da entidade, com quem teve desavenças no período recente e cuja relação terminou com a sua demissão do cargo.
A rede "RMC Sport" teve acesso ao texto da mensagem que Lamour dirigiu a todos os funcionários da FIFA, após ser informado oficialmente do encerramento de seu trabalho, depois de ter ganhado destaque ao se opor a uma série de orientações de Infantino.
Lamour foi demitido do cargo depois de anunciar sua recusa aos planos de Infantino. No mês passado, descreveu o polêmico projeto "FIFA Forward" como "um projeto de uma única pessoa".
Lamour iniciou sua mensagem dizendo: "Infelizmente, hoje foi meu último dia na FIFA", antes de agradecer a Mattias Grafström, secretário-geral da Federação Internacional e o segundo homem da instituição.
E disse: "Gostaria de agradecer a Mattias pela sua confiança. Sua missão não é fácil, e ele faz tudo o que está ao seu alcance para proteger os interesses da FIFA. Mattias, peço desculpas por, às vezes, tê-lo colocado em situações difíceis, mas obrigado por sempre ter me compreendido, por nunca ter me julgado e por ter me apoiado até o fim."
Palavras de gratidão e uma mensagem que resume sua posição
Lamour fez questão de agradecer a vários de seus colegas e responsáveis pelas operações dentro da Federação Internacional, e destacou em especial o francês Arsène Wenger, consultor de desenvolvimento do futebol na FIFA, com um elogio particular, descrevendo-o como uma "fonte de inspiração".
E acrescentou em sua mensagem: "Vocês respiram futebol e vivem por ele sem parar, e isso é extremamente revigorante."
O ex-dirigente francês prosseguiu: "Obrigado por me terem dado a oportunidade de aprender, crescer e melhorar a cada dia ao longo dos últimos dois anos. Não consegui deixar a marca que esperava alcançar dentro desta instituição, e gostaria de me desculpar por isso. Sinto muito se decepcionei alguns de vocês. Às vezes, até as melhores intenções não são suficientes."
Lamour também falou sobre seu sonho de infância de viver no ambiente da Copa do Mundo, dizendo que conseguiu realizar esse sonho dentro da FIFA graças a seus colegas na instituição.
"Vocês são a FIFA, e sem vocês nada existe"
Em uma mensagem que carrega claro apreço pelos funcionários da Federação Internacional, Lamour disse: "Por fim, obrigado pelas centenas de mensagens que me enviaram ao longo das últimas duas semanas. Eu não esperava por isso, e tocaram realmente o meu coração, mais do que vocês imaginam."
Em seguida, dirigiu uma mensagem direta aos funcionários da FIFA, dizendo: "Vocês são a FIFA. E sem vocês, a FIFA não é nada."
Mas a frase mais significativa veio no encerramento de sua mensagem, em uma referência que parece ligada à posição que adotou nos últimos dias, quando disse: "Um último ponto, e não menos importante: nunca esqueçam que a vida não se trata de fazer o que é fácil, mas sim de fazer o que é certo. A grande maioria de vocês entendeu isso e aplicou em seu trabalho, todos os dias. A vocês, meus cumprimentos e meu profundo respeito."
Uma mensagem de despedida sem Infantino
Lamour encerrou sua mensagem com um tom otimista, apesar de descrever como difícil a fase pela qual a FIFA está passando, dizendo: "A FIFA passa por um período difícil, mas não se preocupem. Tudo terminará da melhor forma. E se as coisas não estiverem bem, isso significa que o fim ainda não chegou."
No entanto, o mais chamativo na mensagem de despedida foi a ausência total do nome de Gianni Infantino.
Em uma longa mensagem dirigida a todos os funcionários da Federação Internacional, Lamour não mencionou o presidente da FIFA nenhuma vez sequer, depois que a relação entre eles registrou grande tensão no período recente, antes de terminar com a demissão do dirigente francês de seu cargo.
A ironia é que Lamour mencionou o nome "Gianni" na mensagem, mas se referia a Gianni Manca, responsável pelo escritório da FIFA, e não a Infantino.
