O movimentado centro comercial que rodeia a estação ferroviária de Lanus é um local improvável para conhecer dois futuros futebolistas profissionais da Romford. O subúrbio ao sul de Buenos Aires é um terreno sagrado para o esporte na Argentina. Diego Maradona fez o seu primeiro mandarim no pequeno bairro de Villa Fiorito, enquanto o ex-jogador de Roma e Inter, Daniel Osvaldo, também chama o local de lar.
O Lanús, clube local, também conquistou o coração da cidade neste ano, com uma campanha memorável na Copa Libertadores, mesmo que seus sonhos fossem faturar o título vencido pelo Grêmio.
Mas outro nome fez história no local em 2017, mesmo que o fato seja menos conhecido. David Olaoye estreou pelo El Porvenir pela quarta divisão do país, a Primera C, contra o Berazetegui, se tornando o primeiro inglês a jogar por um time de futebol profissional da Argentina.
David seria a resposta inglesa aos gostos de Ossie Ardiles e Ricky Villa em destruir as barreiras entre os dois notórios rivais do futebol? Por enquanto, o jovem de 21 anos já tem um ídolo em mente.
"Sou ponta esquerda, atacante, e gosto de me comparar com o Neymar", explica à Goal em um restaurante próximo à estação de Lanús.
David é acompanhado por Daniel, seu irmão e amigo profissional durante a passagem pela primavera argentina, depois de uma temporada na Suécia.
A comparação com a estrela do futebol brasileiro provoca a rivalidade entre os países sul-americanos. Os irmãos têm uma forte relação com os familiares, conversando todos os dias por mensagem e vídeos. Ambos jogaram juntos na Grécia.

(Foto: Arquivo Pessoal)
David desembarcou em Buenos Aires a pedido de Mariano Goyena, um agente baseado em Lanus. As apresentações foram feitas pela ex-estrela do Newcastle United e Peru, Nolberto Solano, e o jovem se mudou a meio caminho do mundo sem falar uma palavra de espanhol e na esperança de encontrar um clube. Depois de vários ensaios, El Porvenir, um pequeno clube com sede em Gerli, a poucos passos de Lanus, levou-o e ofereceu um contrato de dois anos. "Recebi uma transferência gratuita do meu antigo clube na Eslovênia, senti como se fosse um lugar onde meu futebol não fosse realmente evoluir", explica.
"Aqui na Argentina, as pessoas são loucas por futebol. Eu realmente gosto disso aqui e quis vir para cá. Nunca ouvi falar do El Porvenir antes de chegar, mas eles têm me ajudado muito aqui e me receberam muito bem. Quando cheguei na primeira vez, não falava nada da língua espanhola. Eles fazem brincadeiras e me fazem sentir parte do time. Estou vivendo em um clube digno. É bom, mas um pouco chato às vezes. Meus colegas de time falam um pouco de inglês, mas estou aprendendo espanhol com eles. Aprendo rapidamente hijo de puta. Escuto isso muitas vezes no estádio em dias de jogos", disse.
A Argentina é o país onde as ideias de atitudes politicamente corretas são negligenciadas. Não é à toa que ele ganhou um apelido no mínimo controverso: "Eles me chamam de El Negro", disse aos risos. Mas o jovem garante que não enfrenta problemas por sua cor: "Não tive problemas, nenhum mesmo. Se alguém diz algo que não é legal ou comete algum tipo de preconceito racial, não me afeta num todo. Aconteceu comigo na Grécia também e não me afetou, apenas ri de tudo", completou.

(Foto: Arquivo Pessoal)
Presente nos últimos cinco minutos do empate em 1 a 1 entre El Porvenir e Berazetegui, em 29 de novembro passado, o inglês revelou seus objetivos na Argentina e disse ser fã de Neymar:
"Minha meta na Argentina é jogar a Primera Division. Antes mesmo de pensar em sair. Daqui para Inglaterra, ou outro país da elite do futebol. Aqui eu quero jogar por Boca Juniors e, depois, lá, pelo Manchester United", explicou.
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(Foto: Getty Images)
"Neymar é o meu jogador predileto. Sempre assisto a ele e o que ele faz pelo PSG. E vejo o que posso trazer para mim, para o meu jogo, como posso melhorar meu desempenho como atleta. A Primera C é provavelmente próximo do nível da Conference na Inglaterra. Primera poderia ser a Championship, talvez a Premier League. Mas aqui é muito mais físico, as divididas são mais fortes. Mas na Primera há algum futebol também. Meus heróis? Ronaldinho ou o Ronaldo brasileiro. Além dos argentinos Messi e Maradona", acrescentou.


