Tudo começou em 6 de agosto, em uma rua de Medellín, com um vídeo amador que capturou o momento em que o atacante Stiven Mendoza, ex-Corinthians e hoje no Amiens, da França, foi vítima de um ataque a mão-armada.
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Duas pessoas em uma moto, com o rosto encoberto pelo capacete, se aproximaram do carro do jogador, que estava parado no trânsito, abriram a porta do motorista e forçaram Mendoza a entregar seus bens, colocando uma arma em sua cabeça.
Mendoza estava na Colômbia para negociar uma possível transferência, pois ele estava com dificuldades de se estabelecer na França, onde chegou em janeiro de 2018. Até aquele momento, ele havia marcado apenas quatro gols em 18 meses, quando jogou 41 partidas.
O Amiens lhe deu um tempo na última janela de transferências para refletir e tomar uma decisão importante. Foi noticiado na época que o Krasnodar, da Rússia, e times da Espanha teriam interesse no jogador. Mas sua vida mudou por razões fora de seu controle, pois o trauma do ataque garantiu a permanência dele no Stade de la Licorne.
Ele retornou para os treinos em 19 de agosto, mas sem um período de pré-temporada, demorou para ele entrar no mesmo nível físico dos demais jogadores, perdendo três dos quatro jogos do time antes da primeira pausa para data Fifa.
Porém, a vida pessoal de Mendoza tomou outros rumos dramáticos em menos de um mês. Semanas depois do assalto, seu irmão foi assassinado nas ruas de Cali. Yeson, que também era jogador de futebol, faleceu no dia 5 de setembro.
O baque foi grande para Mendoza, mas ele voltou para a França em pouco tempo e apareceu até no banco de reservas do Amiens, no dia 21 de setembro.
Getty ImagesCom poucas opções disponíveis para o treinador Luka Elsner, Mendoza ganhou a chance de ser titular logo no jogo seguinte, contra o Bordeaux. E o impacto dele no time foi imediato. 106 segundos após o início da partida - e depois desse período horrível em sua vida -, ele marcou o seu primeiro gol na temporada.
O gol foi simples, um simples toque para o gol vazio. Mas o sorriso em seu rosto não escondia a felicidade de estar novamente nos gramados. Na comemoração, ele mostrou uma camisa por baixo do uniforme com uma foto do seu falecido irmão estampada.
Nos dois jogos seguintes, Mendoza voltou a marcar: contra o Angers e o Marseille, time este que o Amiens nunca havia vencido. O colombiano marcou o gol que selou a vitória do time por 3 a 1.
O seu treinador não escondeu a admiração pelo trabalho duro mesmo em um momento de vida tão complicado: “Embora tudo o que esteja enfrentando nos últimos meses, sua qualidade nunca esteve em dúvida. Stiven tem uma mentalidade excepcional e amadureceu depois desses eventos trágicos”.

Mendoza não era muito conhecido pelo seu trabalho. Em março, por exemplo, era esperado que ele fosse assistir um jogo de sua equipe quando estava fora por lesão. Mas ele fez uma viagem para Madri.
Mas Mendoza dá demonstrações de que não desiste de tentar o seu espaço e de querer se encaixar em algum clube. O Amiens é o seu nono clube diferente no quarto continente diferente.
As tragédias recentes parecem ter despertado um lado escondido. Seu trabalho duro tem sido recompensado com os gols e pode-se dizer que, pelos menos em campo, ele vive uma boa fase.



