Notícias Placares ao vivo
Boca Juniors v Palmeiras

Boca x Palmeiras: o jogo mais 'Riquelmeano' de Juan Román

09:53 BRT 22/10/2018
Riquelme Palmeiras
Nas semifinais da Libertadores de 2001, contra o Verdão, Riquelme tornou seu repertório ainda maior

Colocava a bola no pé direito e começava o baile. Makelele corria atrás, mas não conseguia tirar. Geremi o perseguia, e também nada. Os jogadores do Real Madrid ficavam tontos diante de um estranho, dono de um jeito de jogar que nunca tinham visto antes.

Tinha uma sensibilidade ofensiva única. Quando agarrava a bola na metade do campo, chegava perto da meia lua da área do rival e parecia que ia fazer um gol a qualquer momento. Quando foi para a lateral e conseguiu chegar no centro da área, não tinha outra opção senão chutar. Aproveitando a reação tardia de Sebastián Saja, chutou. E foi um golaço.

Galeano correu por todos os lados, mas não conseguiu tirar a bola. Magrão foi um dos que mais gritou para apertar a marcação, mas não adiantava.

Quando teve que organizar, encontrou aliados nas laterais com Ibarra e Gaitán, e de volta com Traverso e Pinto, ou Serna. E quando teve que aguentar, suportou a fúria com o que fazia de melhor: um toque de físico indomável (embora alguns parecessem frágeis a ele), e uma peça gigante de sabedoria para perceber os tempos e espaços: quando parar, em que momento acelerar, e quando cair no chão.

Juan Román Riquelme cansou de jogar bem com a camisa do Boca Juniors, mas teve três grandes partidas que vivem na memória de qualquer torcedor. O duelo contra o Real Madrid, na final do Mundial Interclubes de 2000; contra o Grêmio, na final da Copa Libertadores de 2001; e contra o Palmeiras, rival que a equipe de Guilermo jogou perfeitamente e que enfrentará novamente pela semifinal da Libertadores nesta semana. O duelo mais “riquelmeano” de todos.

Em 13 de junho, o Parque Antártica se vestiu de verde para honrar a história da Copa Libertadores. O ambiente era tenso, após uma das típicas noites de hotel sem dormir por conta do show de pirotecnia dos torcedores. Essa ideia de que dá para ganhar o jogo de fora do campo. Fogos, barulho, insultos. O jogo de ida, na Bombonera, terminou em 2 a 2.

O plantel do Boca, dirigido por Carlos Bianchi, chegava com o coração ferido e sem nada nos bolsos: estava no meio de uma briga com os dirigentes pelos prêmios.

A formação era 4-4-1-1. Bianchi mal especulava, porque os primeiros 35 minutos foram quase todos do Boca, e não sobrou nem um espaço. Riquelme foi o jogador que deu ar para a equipe. Tocou a bola 37 vezes e, apesar de ter 11 roubadas, quase sempre a conseguia de volta. Nos passes, não errava quase nenhum: deu 28 certos e apenas dois errados. Entre eles, 24 foram no campo adversário, tendo 92,8% de efetividade.

Chutou quatro vezes a gol. Um deles entrou, fazendo os 2 a 0, um dos mais belos de sua carreira. Ganhou pelo físico para não ser desestabilizado por rivais, e chutou no canto que o goleiro Marcos nunca chegaria.


(Boca de 2001 que jogou contra o Palmeiras)

O Palmeiras havia acabado de perder a final da Libertadores de 2000 contra o Boca. Era um time muito rápido que não soube parar. Recebeu cinco faltas e finalizou cinco vezes (a bola parada foi provavelmente o ponto mais baixo da noite, com algumas tentativas na bola aérea que não chegavam ao destino desejado).

Na disputa de pênaltis, Riquelme de apenas 22 anos e com mais de 100 jogos na carreira, chutou com personalidade e precisão. O Boca iria para a final, eliminaria o Cruz Azul e seria bicampeão.

Riquelme tornou-se um imenso ídolo. Mas, principalmente, um conceito: enquanto estava em campo, nada poderia dar errado. Contra o Palmeiras, Riquelme jogou seu maior duelo riquelmeano. Protegeu a bola, como na final contra o Real Madrid. E a loucura de marcar o gol, como fez contra o Grêmio. Foi a maior representação de uma lenda que ao longo do tempo se torna cada vez mais inatingível.