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gxf ronaldo por sanchis 10 04 18

Ídolo do Real diz que clube tem sorte de ter CR7 em seu elenco

O Real Madrid recebe a Juventus na quarta-feira (11), às 15h45 (hora de Brasília)em uma partida entre lendários campeões. A primeira partida terminada em 3 a 0 em Turim deixou a classificação para as semifinais praticamente determinadas. Em troca, a reunião no Estádio Allianz serviu para projetar duas mensagens poderosas para quem gosta de futebol. "Outro dia o Real Madrid conseguiu um ótimo resultado, e foi a demonstração do que um jogador é capaz de fazer: influenciar sozinho, tudo o que acontece em uma partida. Em Madrid, temos a sorte de ter Cristiano Ronaldo com a gente ", diz Manolo Sanchís à Goal. Ele é o terceiro jogador que mais atuou na história do clube Blanco (710 vezes), depois de dezoito temporadas de branco, num total de vinte e quatro temporadas no clube de Madri.

O ex-meio campo, Sanchís, se encanta com a atual edição da Liga dos Campeões, não só em Turim, mas também em Paris. Embora, como disse Zidane em uma coletiva de imprensa após o clássico contra o Atlético de Madrid, quando ele ouve sobre o favoritismo, ele prefere ter cautela. "A Juventus mostrou por 70 minutos que era um grande rival até aquele segundo gol, e a expulsão veio. Temos um resultado magnífico que, juntamente com o que aconteceu na segunda rodada, é claro que pretendemos fazer do Real Madrid um candidato sério para vencer a Champions. Mas você tem que respeitar a partida de retorno. Vamos ver nas semifinais", explica ele com um olhar analítico forjado, após tantos anos de profissional, e seu linguajar que vem se destacando mais como comentarista esportivo nos últimos anos.

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Mas durante esses anos, no entanto, teria sido estranho se Zidane já tivesse visto um gol como o que Ronaldo marcou em Turim na última semana, com aquele majestoso chinelo. "Muitas coisas se juntam nesse objetivo", explica Sanchís. "Primeiro, esse gesto para a altura que ele (Ronaldo) leva a bola com um jogador tão grande e tão coordenado, faz com que a jogada seja algo especial. E mais ainda: era contra a Juventus, contra Buffon, com eles apertando e 1 a 0 no placar. É um objetivo importante em um momento importante, e no melhor lugar para obtê-lo." Sua reação nos estúdios de rádio, onde viu o lance ao vivo, já diz tudo. E não foram poucos que depois daquele lance quiseram colocar o camisa 7 no ranking histórico de futebolistas. No nível de Di Stéfano, por exemplo?

"As comparações são muito odiosas", começa Manolo. O sobrenome Sanchís não tem só um peso na história do Real Madrid, por Manolo, mas também por seu pai Manuel (213 jogos em sete temporadas pelos Blancos), que jogou até 1971. Ele não coincidiu com Alfredo Di Stéfano nos trajes merengues por muito pouco, mas logicamente suas famílias viveram de perto a revolução trazida por La Saeta. "Eu tive  grandes colegas nesses 18 anos como profissional. Os que estou vendo como espectador e os que eu vi na época em eram pequenos também. Imagine quantos eu vi. E agora pensar que um vai ser melhor que outro, por quê? Em que nos baseamos? É claro que Ronaldo está entre os grandes nomes da história do clube e deste esporte. Mas dizer se ele é melhor ou pior do que Di Stéfano, ou melhor ou pior do que Butragueño, Amancio ... Cada um tem o seu lugar, e ninguém pode tomar o espaço dos outros", diz Sanchis, que também era um membro chave da Quinta del Vulture , uma das melhores gerações do Real Madrid e do futebol em sua história.

Há também o fato de que, com esse recorde, é difícil para ele aceitar um ranking com cinco grandes do futebol mundial, que poderia já ser sete com Cristiano e Messi hoje. "Essa é outra discussão que serve bem a todos. Se você começar a olhar toda a história do futebol, não existem menos de 50 craques. Cinquenta! Sem dúvidas. Minha geração fala de Maradona, mas tinha Van Basten. E eles estavam muito próximos um do outro. Dito isso, é claro que Ronaldo está na elite mundial... na qual há muitos jogadores, porque jogamos futebol há muito tempo", diz Sanchís sem aplicar o filtro a cinco, sete ou mais jogadores históricos.

Onde complica é quando se tenta explicar o gene competitivo da Champions, e como é possível que o Real Madrid esteja a quinze pontos de distância da liderança da La Liga, enquanto na Europa, estão varrendo os campeões da França e da Itália, sem discussão. "É algo que os novos investidores neste esporte, pessoas bem sucedidas em outras atividades de negócios, não entendem muito bem. Eles estão acostumados a comprar praticamente tudo com dinheiro. Mas não isso. Você não pode comprar os 116 anos de história que o Real Madrid tem, nem os terrenos que deixaram tantos jogadores no vestiário, nem a linha genética que chega a Ramos-Cristiano desde a época de Di Stéfano-Kopa... não pode comprar. E é isso que, em certos jogos, faz parecer. E o homem que está do outro lado com o talão de cheques perguntará a si mesmo: e como que compra? Bem, você não pode, me desculpe", analisa Sanchís, que foi o protagonista da sétima Chamions League, após 32 anos de seca merengue na Europa.

Gianluigi Buffon Cristiano Ronaldo 03042018Getty

Como ele mesmo reconhece, este pode ser um dos principais momentos da história moderna do Real Madrid e, claro, um dos seus momentos mais felizes como jogador de futebol. Além disso, foi precisamente a melhor demonstração possível do histórico poder merengue na Europa, uma vez que a temporada em que eles foram campeões da Champions, ficaram em quarto lugar no campeonato espanhol, fora das posições de acesso à mais alta competição europeia. Com semelhante equilíbrio na La Liga, o favorito na Amsterdam Arena foi o rival, mais precisamente, a própria Juventus. Em 1998, Gianluigi Buffon ainda não estava, por pouco tempo. Ele chegou à Velha Senhora em 2001, vindo de Parma, e só agora, aos 40 anos, parece que o lendário goleiro italiano pode enfim encerrar sua carreira ao final desta temporada. E pode dizer adeus à Champions League mais precisamente no Santiago Bernabéu, nesta quarta-feira (11).

"Buffon é um desses caras legais. Nós vivemos à distância, porque ele sempre joga em casa. Mas ele é um jogador que, quando aparece em declarações públicas, não se engana: ele sempre fala bem do rival, tem uma boa presença, é educado... Ele é um dos que engrandece esse esporte. Normalmente sempre o teremos como um rival, mas não tem nada a ver com isso. Por exemplo, na última terça-feira (03), quando o jogo terminou, senti uma certa pena que esse grande jogador tenha que se aposentar sem um grande título. Porque ele merece isso", explica Sanchís para a Goal. Da lenda a lenda.

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