Atualmente a imagem e a história de Tite estão diretamente ligadas ao Corinthians, afinal o técnico foi campeão de tudo pelo clube alvinegro e ganhou status de ídolo. Mas há 10 anos atrás o cenário era diferente. Em 17 de maio de 2006, Tite passou a ser a cara do Palmeiras e teve uma passagem conturbada pelo clube.
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Na verdade Tite já tinha comandado o Corinthians mesmo antes de passar pelo Palmeiras. Foi entre 2004 e 2005, quando ele fez um bom trabalho e só saiu por divergências com a MSI e Kia Joorabchian. Deixou uma boa impressão em São Paulo e por isso seu nome foi lembrado pelo Palmeiras apenas um ano depois.
Mas a missão era complicada: o Palmeiras estava na última colocação do Campeonato Brasileiro, com uma série de oito jogos sem vencer, acumulada sob comando do interino Marcelo Vilar. O elenco até tinha Edmundo, Paulo Baier e Gamarra, mas também tinha Enílton, Daniel, Marcinho Guerreiro, Alceu, Francis, Marcio Careca, etc...
Tite estreou com vitória sobre o Santa Cruz, mas depois foi goleado pelo rival São Paulo, que já tinha eliminado a equipe na Copa Libertadores. A pressão ficou enorme. O técnico só podia se agarrar a uma esperança: a parada de jogos por causa da Copa do Mundo, que lhe deu um mês para preparar a recuperação alviverde.

É até difícil imaginar Tite fora do Corinthians (Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians)
Deu certo: o Palmeiras conseguiu ficar invicto por 11 jogos, inclusive com uma vitória contra o Corinthians. Porém, foi em outro clássico, dessa vez contra o Santos, que as coisas começaram a se complicar novamente, pois o Palmeiras foi goleado por 5 a 1.
E o estopim aconteceu após a derrota para o Santa Cruz por 3 a 2, que teve arbitragem polêmica. Tite reclamou do juiz e não recebeu apoio da diretoria. Muito pelo contrário: Salvador Hugo Palaia, diretor de futebol alviverde, foi grosseiro. "O conselho que eu dou para o Tite é ele calar a boca e parar de criticar a arbitragem. O Palmeiras jogou um futebol medíocre. Isso é o que precisamos avaliar".
É claro que Tite se irritou e pediu demissão ao chegar no aeroporto, em São Paulo. "Quando a relação de confiança se quebra, não hã porque continuar. Minha vontade era permanecer, mas numa situação como essa, é sempre o técnico quem paga", afirmou Tite.

Sem Tite, o Palmeiras patinou e esteve perto de ser rebaixado. Sob o comando de Jair Picerni, só foi salvo na penúltima rodada, no sufoco. Foi goleado pelo Inter em casa, mas a Ponte Preta perdeu para o Goiás e caiu.
Já Tite seguiu sua vida e construiu uma carreira brilhante. Treinou times do Oriente Médio e foi campeão da Copa Sul-Americana pelo Internacional, antes de chegar ao Corinthians e apagar, da melhor maneira possível, aquela passagem traumática pelo futebol paulista.
