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Peru

Gareca, o ex-técnico do Palmeiras que ressuscitou a seleção do Peru

17:15 BRT 04/07/2019
Ricardo Gareca Peru Uruguay Copa America 29062019
Após se classificar para a Copa do Mundo depois de 36 anos sem disputar o Mundial, Gareca colocou a seleção na final da Copa América após 44 anos

A Colômbia do final dos anos 1980 era um lugar intenso e perigoso. Em Medellín quem reinava era Pablo Escobar, e o líder da organização local entrava em conflitos frequentes com rivais de outras cidades, especialmente Cali. E para ferir os adversários, cogitou atacar jogadores de futebol, entre eles Ricardo Gareca.

O argentino, que atualmente comanda a seleção do Peru e já foi treinador do Palmeiras, era destaque do América de Cali, clube que tinha ligações com os irmãos Gilberto e Miguel Orejuela, os chefões do cartel local. Segundo um ex-matador de aluguel, o então atacante esteve na lista negra de Escobar.

"Ricardo Gareca sempre esteve na mira de Pablo Escobar, ele e outros jogadores de América de Cali”, confessou no ano passado Jhon Jairo Velásquez, mais conhecido como Popeye, um dos assassinos de aluguel que Escobar tinha à disposição.

Gareca, naquela época, era a estrela do time colombiano, onde atuou de 1985 a 1989. Na época, ninguém poderia imaginar que o jogador se tornaria quase 30 anos mais tarde, um símbolo do Peru, a tal ponto e ter uma estátua em Lima, capital do país.


(Foto: Getty Images)

A chegada de Gareca à seleção ocorreu em março de 2015, após uma breve passagem pelo Palmeiras. Seu primeiro grande desafio foi a Copa América do Chile, na qual conquistou um lugar no pódio, com a terceira posição. Na Copa América 2016, no entanto, a equipe foi eliminada nas quartas de final. O primeiro ciclo do treinador da seleção terminou com números positivos, acima do esperado, que justificam a idolatria rapidamente desenvolvida sobre Gareca: 21 vitórias, 12 empates e 13 derrotas.

Gareca renovou o vínculo com o Peru até o final das fases eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022, no Catar. Apesar do time peruano não ter o mesmo desempenho comparado com o início do treinador no cargo, o Peru eliminou o atual bicampeão da Copa América, o Chile, e conseguiu vaga para a grande final após 44 anos. O adversário será o anfitrião Brasil, mas o homem da estátua em Lima e o elenco peruano demonstram que não temem nada e ninguém.