"Foi difícil substituir CR7, mas com Messi será pior", diz Sonny Anderson à Goal

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Ross Kinnaird/Getty
O ex-jogador do Lyon e do Barcelona conta à Goal a evolução do Barcelona e como foi difícil ser visto como o substituto de Ronaldo Nazário

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Sonny Anderson (Goiatuba, Brasil, 1970) não teve uma passagem fácil pelo Barcelona. Chegou ao Camp Nou no verão europeu de 1997 por recomendação do novo técnico barcelonista, Louis Van Gaal, que tomou posse do destituído Bobby Robson. Naquele verão, Ronaldo Nazário também havia decidido trocar o Barça pela Inter de Milão, e o holandês descartou a contratação de um atacante midiático para apostar no atacante do Monaco, que era menos artilheiro, mas com uma capacidade associativa maior. Mesmo assim, a sombra de Ronaldo sempre foi muito alongada e dois anos depois de sua chegada, Anderson acabaria voltando à Ligue 1 para vestir a camisa do Lyon e criar raízes na França, onde hoje é um dos analistas mais reputados do país, graças às suas intervenções na BeIn France.

“É complicado, para mim foi uma época muito difícil porque quando cheguei custava mais dinheiro do que Ronaldo e os torcedores esperavam de mim um desempenho semelhante; ele era um jogador único e não me conheciam direito porque eu jogava na França. É difícil substituir um jogador desses, e será muito mais difícil para o jogador que terá que usar o número 'dez' do Barcelona depois que Messi sair. Já disse isso na época, que não estava vindo para substituir o Ronaldo porque eu era um novo projeto e muito diferente dele, mas não funcionou como eu esperava, e o sistema Van Gaal não foi projetado para o atacante central marcar muitos gols", disse Anderson à Goal.

Você foi o primeiro ‘falso nove’ do futebol moderno?

“Sempre gostei de jogar bola, e hoje vemos Karim Benzema, um jogador que pode fazer muitas coisas de costas para o gol, mas que não pode se pedir que fique sozinho lá na frente esperando a bola porque não é o seu estilo. Eu gosto muito de suas qualidades, sempre está em constante movimento, gerando jogo e faz com que seus companheiros marquem muitos gols. Para mim dá no mesmo você dar o passe do gol ou marcar, me sentia igualmente feliz”.

Sonny Anderson (Villareal) - Ronaldinho (Barcelona)

O que acha dos experimentos de Valverde para dar mais descanso a Messi nesta temporada?

“Messi quando está cem por cento é capaz de ganhar qualquer partida sozinho, e no momento que quiser, e é por isso que o Barcelona cuida dele, quer que ele esteja sempre dando seu máximo. O clube sofrerá muito com ele não estiver mais lá, por isso acho que ele deve ser bem cuidado e compreendo perfeitamente que ele não esteve no plantel inicial contra o Real Madrid. Além disso, sua equipe tem qualidade para jogar algumas partidas sem Messi, mas por norma geral, tem que tentar tê-lo ao máximo porque é o único jogador do mundo capaz de decidir uma partida sozinho”.

Messi chegou no Barça no mesmo ano em que você saiu. Como o time mudou desde então?

“Muitas coisas mudaram. Antes tínhamos somente um terreno para treinar, e hoje eles têm uma cidade esportiva fantástica. Mudou para melhor, felizmente, embora naqueles tempos os jogadores tinham muito mais tranquilidade para sair e passear e havia menos pressão do que os jogadores atuais do Barcelona tem que suportar. Além do mais, nós não também não costumávamos chegar às quartas de final da Champions League, às vezes era difícil de se qualificar. Agora eles venceram várias, mas antes tiveram certas urgências históricas que não existem mais. Sem esquecer que hoje o time titular do Barcelona são os onze melhores jogadores do mundo em suas posições. Nós éramos muito bons, mas não éramos os melhores”. 

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