A virada do Real Madrid diante da Roma, em partida que terminou com vitória do time espanhol por 4 a 3, não encerrou as dúvidas em torno do desempenho da equipe sob o comando de José Mourinho, depois que o jogo expôs novamente problemas defensivos e dificuldades para recuperar a bola e impor o controle. São pontos que preocuparam Álvaro Benito, ex-jogador do clube merengue, que alertou para a repetição do sofrimento contra adversários de maior porte caso as coisas não mudem.
Benito falou sobre a atuação do Real Madrid durante sua análise da partida no programa "El Larguero", da rádio "Cadena SER", ao considerar que o que aconteceu em Roma reflete problemas recorrentes dentro da equipe: "É um cenário de morte anunciada. Se as coisas não mudarem, os mesmos problemas vão se repetir."
O ex-jogador do Real Madrid explicou que a equipe sofreu novamente diante de um adversário que sabe circular a bola e superar a pressão, e advertiu que essas brechas podem se tornar ainda mais perigosas contra os grandes times: "É muito difícil roubar a bola de adversários que têm uma grande capacidade de controlá-la. E se você permite que os rivais cheguem com facilidade ao seu gol, alguns deles vão te punir."
Valverde e Tchouaméni na mira das críticas
Benito não limitou suas críticas às escolhas de escalação ou aos ajustes táticos feitos por Mourinho. Para ele, o problema se estende ao cumprimento das obrigações defensivas, especialmente por parte dos jogadores que atuam nos setores mais avançados, e ressaltou que o trabalho sem bola é uma responsabilidade tão importante quanto as qualidades técnicas.
Nesse sentido, afirmou: "Todos os jogadores profissionais de futebol são capazes de correr sem bola. Seus adversários na Espanha e na Europa também fazem isso." Ele ainda apontou que os jogadores e a comissão técnica estão cientes das dificuldades que a equipe enfrenta.
Benito dedicou atenção especial ao meio-campo formado por Fede Valverde e Aurélien Tchouaméni, ao considerar que o sucesso da equipe exige o comprometimento de todos os jogadores com a pressão e as funções defensivas, para que seja possível aproveitar as peças capazes de desenvolver a posse de bola e a criação de jogo.
Ele destacou que jogadores como Arda Güler e Bernardo Silva podem oferecer soluções adicionais na circulação da bola, mas que a inclusão de peças ofensivas não deve vir às custas do equilíbrio defensivo da equipe.
E acrescentou: "Se os jogadores da frente não cumprirem suas obrigações, isso não vai funcionar contra os bons times, mesmo com Valverde e Tchouaméni. E se houver dois ou três jogadores que não fazem o trabalho defensivo, isso pode te afetar em 80% dos jogos do Campeonato Espanhol, mas na Liga dos Campeões as consequências serão muito mais duras."
Mourinho diante de um novo teste
Em meio às críticas ao desempenho do Real Madrid, o brasileiro Endrick surgiu como um dos beneficiados pelo jogo contra a Roma, depois de deixar sua marca de forma clara apesar de ter atuado por poucos minutos, o que levou Benito a pedir que ele receba mais oportunidades nas próximas partidas.
O ex-jogador do Real Madrid disse sobre o atacante brasileiro: "Ele mereceu jogar. Tem uma grande força física em comparação com os poucos minutos que recebeu. Em 15 minutos, fez uma apresentação diferenciada e se impôs com força."
Benito não se limitou a elogiar a atuação de Endrick: ele pediu que Mourinho lhe dê sequência e o recompense pelo que apresentou, ao considerar que lidar com os jogadores depois de boas atuações faz parte da responsabilidade do treinador na gestão da concorrência interna do grupo.
E concluiu sua posição afirmando: "Mourinho tem o dever moral de colocar Endrick na escalação."



