Bastou uma única palavra para mudar todo o cenário: Emiliano Martínez, goleiro da seleção argentina, se preparava para sair da zona mista após a partida contra a Jordânia, mas assim que ouviu “Somos de Bangladesh”, parou de repente.
Emiliano Martínez deu alguns passos para trás, sorriu e escreveu um novo capítulo na história de paixão louca que une um povo a milhares de milhas de distância à camisa da Albiceleste.
O goleiro argentino, que acabara de encerrar sua entrevista com a imprensa, estava saindo quando um repórter o interrompeu com palavras que mudaram o rumo daquele momento: “Somos de Bangladesh.” Naquele instante, Emiliano parou imediatamente e se dirigiu ao repórter, dizendo com um tom cheio de amor: “Adoro a torcida, já visitei Bangladesh antes e realmente amo esse país.”
Martínez conhece bem a intensidade da paixão argentina que habita nos corações dos bengaleses e acrescentou durante a entrevista: “Sei o quanto eles nos amam. Foi uma experiência maravilhosa estar lá. Adoro o apoio deles e adoro o espírito argentino que demonstram; por isso, todo o meu amor vai para Bangladesh”.
Para entender essa relação excepcional que transcende a geografia e a língua, é preciso voltar quarenta anos no tempo, mais precisamente à Copa do Mundo de 1986, no México... Aquela foi a primeira Copa do Mundo transmitida em todo o país em Bangladesh, e a conquista da Argentina, liderada por Maradona, acendeu a faísca de um amor eterno pela “Albiceleste” que não se apagou até hoje.
De geração em geração, a Argentina se tornou uma identidade futebolística para milhões de bengaleses, e Martínez sabe que, por trás de cada camisa azul e branca, há um coração que bate em Daca e em Chittagong.

