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Eleições para a presidência da Fifa: Wenger consegue enfrentar Infantino?

Apesar da forte reação provocada por seu plano fracassado de vender fatias comerciais da Copa do Mundo a investidores da iniciativa privada, parece que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, será reeleito por aclamação para um quarto e último mandato no ano que vem. Mas será que uma surpresa pode acontecer?

Figuras importantes do futebol europeu afirmaram à rede "BBC Sport" que desejam a candidatura do ex-técnico do Arsenal, Arsène Wenger, como nome surpresa.

Mas será que o homem que ocupa o cargo de chefe do departamento de desenvolvimento global da entidade desde 2019 vai realmente desafiar seu chefe? E o que está por trás do apoio que ele recebe?

O Conselho da Fifa se reúne nesta quinta-feira pela primeira vez desde o surgimento do projeto de Infantino, o "Fifa Forward Enterprise" (FFE), que mergulhou a organização em uma crise e levou líderes do futebol na Europa, na América do Norte e na Ásia a pedirem sua renúncia.

Infantino enfrentará alguns de seus críticos mais ferozes no que pode ser um encontro tenso em Zurique.

A Federação Internacional de Futebol (Fifa) se prepara para propor um aumento de 3,4 bilhões de dólares (2,6 bilhões de libras esterlinas) em suas verbas destinadas ao desenvolvimento do futebol.

Mas Infantino também será questionado sobre reformas de governança, a federação inglesa de futebol, a entrega do Prêmio da Paz da Fifa em sua primeira edição, no ano passado, ao presidente americano Donald Trump, e os procedimentos disciplinares decorrentes do caso de Folarin Balogun, atacante dos Estados Unidos.

A reunião, porém, também vai expor o fracasso, até agora, em encontrar uma figura capaz de unir forças e com apelo global para desafiar Infantino.

Enquanto possíveis adversários como Victor Montagliani, presidente da Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf), e o presidente da União Europeia de Futebol (Uefa), Aleksander Ceferin, anunciaram que não serão concorrentes, Infantino se dedicou a uma turnê mundial para fortalecer sua posição.

Cresce a expectativa de que, diante do apoio que tem em sua base na África, na América do Sul e na Oceania, ele retornará ao cargo, apesar de contar com o apoio de apenas cerca de metade dos 211 membros da Fifa.

Até agora, a única pessoa que anunciou a intenção de se candidatar é o ex-zagueiro do Tottenham Ramon Vega, embora muito poucos acreditem em suas chances. Seria Wenger a solução?

Em Zurique, não há qualquer indício de que Wenger planeje se candidatar à presidência da Fifa. Ele chegou a se juntar a Infantino e a outros membros do Conselho da Fifa para um jantar em um restaurante da cidade e, como integrante de destaque da equipe de gestão da Fifa, também estará presente na reunião de quinta-feira.

Quando a BBC Sport perguntou sobre suas intenções por meio da Fifa, ele não fez nenhum comentário.

Enquanto isso, pessoas próximas ao homem de 76 anos, que deixou o Arsenal em 2018 após 22 anos nos quais se tornou o técnico mais bem-sucedido da história do clube, não dão sua opinião sobre se ele está ou não interessado no cargo.

Uma delas disse à BBC Sport que ele seria um "candidato ideal, mas a decisão é dele". E um dirigente de alto nível da Fifa garantiu que não sabe se Wenger já pensou no assunto.

Mas está claro que ele tem apoiadores, que acreditam que ele goza de um nível de respeito fora da Europa que é indispensável para que a rebelião liderada pela Uefa contra Infantino tenha alguma chance de sucesso.

Um alto dirigente de uma federação nacional europeia afirmou à "BBC Sport": "Ele é um homem de futebol brilhante, que entende de verdade a evolução do futebol porque ele mesmo esteve à frente disso".

E prosseguiu: "As pessoas não o veem apenas como um europeu. Ele é muito respeitado na Ásia, por exemplo, graças ao período em que trabalhou no Japão, e muitos dizem que ele é o candidato ideal. Para ele, não se trata de dinheiro, de status ou de vaidade. Ele ama sinceramente o esporte".

E completou: "Ele desempenhou com êxito um papel difícil e entende a Fifa, e é por isso que seria um candidato realmente bom. Mesmo assim, está em uma posição extremamente delicada".

Isso ficou evidente em meio aos desdobramentos do caso FFE, quando Wenger, tradicionalmente leal a Infantino, se distanciou da articulação que fracassou.

"Eu não participei desse plano estratégico e soube do projeto pela primeira vez por meio de reportagens da imprensa", declarou Wenger em um comunicado na época.

E acrescentou: "A decisão de retirar o projeto era absolutamente necessária e indiscutível, porque eu acredito firmemente em uma Federação Internacional de Futebol (Fifa) independente, que sirva ao nosso esporte com compromisso, transparência e integridade".

Alguns talvez esperassem a renúncia de Wenger por causa desse episódio, dada sua crítica velada a Infantino, o fato de ter sido deixado de fora do assunto e a condenação do projeto por diversas partes interessadas do mundo do futebol. Mas ele seguiu no cargo, no qual supervisiona o desenvolvimento de jovens talentos em academias de sessenta países, além de competições juvenis em todo o mundo. Ele também é consultor técnico do International Football Association Board (IFAB), o órgão responsável por definir as regras.

Wenger às vezes gerou polêmica em sua função na Fifa, especialmente por propostas como a realização da Copa do Mundo a cada dois anos e a ideia da regra do impedimento "evidente".

Mas ele também tem projeção global, inclusive na África, onde Infantino recebeu recentemente um grande impulso para sua reeleição ao conseguir o apoio de todas as 54 federações nacionais filiadas, depois de prometer aumento de recursos.

Wenger ficou conhecido por apoiar jogadores africanos quando comandava o Arsenal, e seu apoio à Copa do Mundo ampliada, com 48 seleções, com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento em países fora das potências tradicionais do esporte, foi muito bem recebido no continente.

De fato, Wenger estava no fim de semana em Cabo Verde para participar do congresso da Confederação Africana de Futebol, e disse aos delegados: "Queremos ver uma seleção africana ganhar a Copa do Mundo, e os números mostram que isso é possível".

A BBC Sport foi informada de que um grande número de funcionários da Fifa também gostaria de ver Wenger assumir o cargo, pois acreditam que ele é capaz de mudar a imagem da organização.

Outros, no entanto, são mais céticos. Uma figura influente nos círculos da Fifa declarou à BBC Sport: "Eu ficaria surpreso se Wenger se rebelasse contra o homem que o nomeou em primeiro lugar. Arsène apresentou algumas ideias pouco convencionais. Já quando se trata de administrar o esporte e das relações no nível político, e naqueles ambientes que exigem controlar e direcionar o poder, não tenho certeza de que ele seja o homem certo para isso".

Outro alto dirigente europeu disse: "Ele tem uma posição de prestígio, mas não tenho certeza de que represente o futuro. Talvez um mandato lhe baste para implementar reformas. Ele é muito respeitado no mundo do futebol e fez um bom trabalho nos programas de desenvolvimento, mas não sei se ele romperia com Gianni ou não".

Se Wenger quiser se candidatar, tem até 18 de novembro para anunciar sua candidatura, e precisará ser indicado por pelo menos cinco federações nacionais.

Vale lembrar que Wenger, como treinador, é visto como uma figura lendária que mudou o futebol inglês com sua abordagem visionária em táticas e nutrição. Será que ele pode tentar promover uma transformação radical de outro tipo na Fifa?


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