O partido britânico dos Liberais Democratas apelou à Federação Inglesa de Futebol e à União das Federações Europeias de Futebol (UEFA) para que se retirem da Federação Internacional de Futebol (FIFA), acusando o organismo que rege a modalidade de "destruir a integridade do jogo bonito".
Segundo a estação britânica "BBC", Sir Ed Davey, líder do partido, afirmou que a FIFA já não serve o futebol nem os seus adeptos, e que deve ser dissolvida em definitivo e reconstruída de raiz.
O apelo do partido liberal surgiu na sequência de uma série de decisões polémicas tomadas pela FIFA durante o Mundial, com destaque para a sua decisão surpreendente de anular a suspensão do avançado norte-americano Folarin Balogun de um jogo, após intervenção direta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A UEFA classificou a decisão da FIFA relativa a Balogun como uma "ultrapassagem das linhas vermelhas", considerando-a "sem precedentes, incompreensível e injustificada", num sinal do aumento da tensão entre os dois organismos ao longo do torneio.
As críticas não ficaram por aqui, uma vez que a FIFA enfrenta outras acusações relacionadas com a subida dos preços dos bilhetes para os jogos do Mundial devido ao sistema de preços dinâmicos, além da controvérsia em torno das pausas destinadas ao consumo de água, que, segundo estimativas, poderão render até 250 milhões de dólares, ou seja, cerca de 189 milhões de libras esterlinas, em receitas publicitárias adicionais.
A FIFA foi ainda alvo de duras críticas pela forma como lidou com a questão da proibição do árbitro somali Omar Artan de entrar nos Estados Unidos para dirigir jogos do torneio.
Os Liberais Democratas sublinharam que estes exemplos, no seu conjunto, provam que a FIFA ultrapassou os limites, referindo que a estação britânica "BBC" contactou as três partes, FIFA, UEFA e Federação Inglesa, para obter comentários.
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, defendeu a política de preços, considerando que os preços dos bilhetes estão em linha com os preços de outros grandes eventos desportivos nos Estados Unidos.
A FIFA conta entre os seus membros com 211 federações nacionais e é a entidade organizadora do Mundial, sendo a Federação Inglesa um dos seus membros, o que significa que a sua saída do sistema a privaria automaticamente de participar no Mundial.
Sir Ed Davey afirmou que as federações de futebol devem trabalhar em conjunto "para construir um organismo dirigente íntegro e transparente que dê prioridade aos adeptos", acrescentando: "O único caminho a seguir é a Federação Inglesa liderar, a par de outros organismos europeus, uma retirada coordenada da FIFA".
O líder dos Liberais Democratas acusou Infantino de ter "ultrapassado as linhas vermelhas uma e outra vez" e de ter "permitido que a ganância empresarial explorasse os adeptos como bem entendesse, destruindo a integridade do jogo bonito".
Concluiu, afirmando: "Chegou o momento de a UEFA dar um passo em frente e retirar-se da FIFA, e começar a trabalhar com as outras confederações continentais para construir um organismo dirigente limpo e transparente que coloque os adeptos em primeiro lugar".



