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2017-08-06 16-17 Mbappe Bernardo silvaGetty Images

Desenvolver talentos e garantir lucros - Pietro Pellegri e a nova missão do Monaco

Não faz muito tempo desde que o Monaco agitou o mercado de transferências com investimentos estratosféricos em James Rodríguez e Radamel Falcao. Desta vez, porém, janeiro foi um mês bastante calmo pros lados do Stade Louis II.

Enquanto alguns jogadores saíam por empréstimo, apenas o atacante Guido Carrillo foi negociado pelos atuais campeões da Ligue 1 - substituído pelo jovem (e desconhecido) Pietro Pellegri. O italiano atravessou os 200 quilômetros que separam Monaco de Gênova, e se juntou aos alvirrubros pelo resto da temporada - e mais alguns anos no seu contrato profissional.

O verão passado, por sua vez, foi muito mais intenso. Nenhum clube faturou mais que o Monaco com seus € 360 milhões, nos quais estão incluídos os € 160 da venda acertada de Kylian Mbappé ao PSG, a ser concluída na metade de 2018.

Monaco attacking midfielder James Rodriguez

A chegada de Pellegri, um atacante de 16 anos de Gênova, exemplifica a abordagem nos negócios que o clube adotou nos últimos anos. Comprar barato e vender caro parece ter sido a estratégia dos franceses, mas, na verdade, o plano está mais baseado em descobrir jovens com potencial e elevar seus talentos para, então, negociá-los por grandes valores.

Benjamin Mendy, Bernardo Silva e Tiemoué Bakayoko, vendidos para Manchester City e Chelsea, são os melhores exemplos do sucesso que o clube atingiu em desenvolver jogadores para outros clubes financeiramente mais poderosos.

Outros, como Jemerson, Djibril Sidibé, Fabinho e Thomas Lemar - talvez o nome mais forte desta relação - foram acumulados para o próximo verão, quando o Monaco pretende faturar alto em mais uma leva de jogadores. Lemar, reforço contratado por 'míseros' € 4 milhões junto ao Caen, pode render pelo menos vinte vezes mais que o investimento, segundo especialistas no mercado.

2017-08-06 16-17 Mbappe Bernardo silvaGetty Images

Mas, para o Monaco, a safra campeã de 2016/17, que impressionou a todos com um estilo impiedoso de futebol ofensivo - e surpreendeu ao chegar até as semifinais da Champions League - já é coisa do passado. Um novo grupo está sendo desenvolvido e moldado, e deve assegurar uma posição entre os três melhores da França ao final da temporada. Mesmo que seja notadamente inferior ao elenco passado.

No verão, o Monaco apostou as fichas em jogadores jovens, que ainda teriam muito espaço para crescer. Destaque para Youri Tielemans, joia do Anderlecht, cujo desenvolvimento talvez tenha sido retardado por uma série de problemas com lesões.

Keita Baldé, por outro lado, chegou da Lazio e já contribuiu com seis gols e algumas assistências na Ligue 1. Contratado por € 30 milhões na janela de 2017, trata-se de um reforço expressivo, embora, aos 22 anos de idade, já esteja chegando ao final do período em que seu valor de mercado possa disparar substancialmente.

Adama Diakhaby Monaco Nice Ligue 1 18012018Getty

No futebol, porém, é normalmente dos nomes alardeados que se conseguem os melhores resultados. Basta ver o caso de Mendy, no último ano.

E é por isso que Adama Diakhaby, cria das mesmas categorias de base que revelaram Ousmane Dembélé, deve ser encarado com entusiasmo. O garoto de 21 anos tem atributos similares ao do filho pródigo que hoje veste as cores do Barcelona, com gosto pelo jogo pelas pontas, de velocidade e bom retorno de gols. É claro: seu futebol não está nem próximo do mesmo refinamento, por ora.

Para o Monaco, aprimorar suas falhas para, então, vendê-lo a um clube de um escalão superior no futuro, é o plano. Sem dúvidas, trata-se de um jogador em ascensão, com alguns gols já anotados desde sua chegada ao clube.

E, claro, não é apenas no time principal que o Monaco busca criar novos jogadores. Mbappé, o jovem talento mais excitante do futebol mundial na atualidade, subiu os mesmos degraus das categorias de base que, hoje, uma nova leva de atletas busca seu lugar ao sol.

Pietro Pellegri Monaco

Na escola do Monaco, Jordi Mboula, antes um aluno pródigo do Barcelona, busca refinar seu futebol desde o último verão europeu. Para ele, a transferência para o Principado oferecia um caminho melhor ao topo do que a paciente - e por vezes, infrutífera - jornada por La Masia. Ele ainda não atuou na Ligue 1, mas já vai mostrando, na Liga Jovem da UEFA, que é um talento a ser observado de perto.

O novato Pellegri não deve precisar da mesma paciência do espanhol ainda que encare uma concorrência nada fácil - e não apenas Baldé e Falcao.

O clube do Principado tem uma safra de jovens talentosos, incluindo Mousa Sylla, Nabil Alioui e o compatriota de Pellegri, Andrea Bongiovanni. Nem todos podem chegar ao alto nível, mas apenas uma pequena porcentagem precisa render para que o Monaco possa ter lucro e seguir colhendo os frutos de seus projeto.

E o plano ainda vai longe. Wilson Isidor, jogador da seleção francesa sub-17, deve chegar contratado junto ao Rennes no meio do ano - apenas um dos outros nomes que o clube considera para o futuro.

O investimento do Monaco no mercado pode até ficar longe dos gigantes da Europa, mas é uma estratégia sustentável que já rendeu muito sucesso - ainda que seja uma tendência cíclica, apenas.

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