Você tem 24 anos ou mais?

Ajude-nos a verificar sua idade respondendo com sinceridade. Este site contém publicidade relacionada a jogos de azar destinada a maiores de 24 anos.

Conteúdo com restrição de idade

Você não tem idade suficiente para visualizar conteúdo relacionado a apostas. Você será redirecionado para a página inicial.

alt
Danilo SantosGOAL

Danilo Santos, o craque da seleção brasileira que conquistou Carlo Ancelotti em apenas 95 minutos

Aos 15 anos, a cabeça de Danilo está a mil. Decepção, raiva, tristeza. Incerteza e culpa também. Danilo acabou de ser dispensado da base do Bahia, clube ao qual ingressou quando tinha apenas sete anos de idade.

Sua família enfrenta dificuldades financeiras — seu pai chegou a fazer um empréstimo para pagar seus custos de treinamento — então seu sentimento de fracasso é avassalador e, de certa forma, compreensível. Desanimado, ele abandona o esporte que ama.

Talvez ele não tenha vocação para isso, talvez simplesmente não seja bom o suficiente. Dego Freitas, um técnico ligado ao Os Deguinhos da Bola, um projeto que usa o futebol para apoiar jovens em situação de vulnerabilidade, entra em cena e, com persistência, convence o jovem a continuar jogando futebol. 

“Eu disse a ele que era o sonho da família dele, o meu sonho, que ele pudesse ajudar a família com o futebol”, lembra Dego Freitas em entrevista ao The Athletic. Freitas marca um teste no Cajazeiras, um clube da segunda divisão, onde os olheiros do Palmeiras se interessam por Danilo e o contratam.

“Ninguém na Bahia soube reconhecer o talento dele”, diz Freitas, “mas, graças a Deus, o Palmeiras, a 1.600 km daqui, viu o potencial do garoto. Ele teve que sair do estado para realizar seu sonho.”

Esse sonho agora se tornou realidade. Quando Carlo Ancelotti anunciou a convocação dos 26 jogadores para a Copa do Mundo — com a inclusão de Neymar naturalmente ganhando as manchetes —, a escolha de Danilo ainda causou espanto. Muito ao estilo de Ancelotti.

 Mas, compreensivelmente, muitos se perguntaram: Danilo, de 25 anos, do Botafogo, que só havia sido convocado uma vez quatro anos antes: quem é ele?

Um meio-campista moderno capaz de atuar como 6, 8 ou 10, Danilo é tão incansável quanto seu ídolo, N’Golo Kanté. “Lembro-me de um jogo quando Danilo tinha 13 anos”, relembra Freitas.

Danilo KanteGetty Images

Danilo e N'Golo Kanté disputam a final do Mundial de Clubes de 2022

“A partida foi para a prorrogação, e Danilo deu mais duas assistências. Seu pai me implorou para substituí-lo, mas o garoto se recusou a sair. No fim, seu pai teve que carregá-lo para fora do campo porque ele estava exausto.”

Comparado com os fenômenos Neymar, Vinícius Júnior e Endrick, Danilo é um jogador que demorou a se destacar para os padrões brasileiros. Na adolescência, ele precisava apenas de um técnico que visse o talento que o Bahia havia ignorado. Esse mentor chegou na figura de Vanderlei Luxemburgo.

Luxemburgo, que já foi técnico do Real Madrid, comandava o Palmeiras em 2020. “Sabe como descobri o Danilo?”, ele conta em entrevista à Jovem Pan. “Durante um jogo-treino entre os sub-20 e os reservas, ele imediatamente chamou minha atenção: um garoto canhoto que estava ganhando a bola por todo o campo.”

“Um detalhe se destacou: ele nunca jogava a bola para os lados ou para trás, apenas para frente. Ele controlava a bola e acelerava o jogo. Pensei: ‘Quem é esse jogador?’ Então perguntei. Me disseram que ele jogava ocasionalmente, mas ficava atrás do Patrick de Paula na hierarquia.”

Respondi: ‘Atrás do Patrick? Ele é melhor.’ As pessoas acharam que eu estava louco porque o Patrick era o craque do time, mas eu estava convencido.” Luxemburgo promoveu o meio-campista para o time principal quase imediatamente, depois o integrou gradualmente ao futebol da equipe principal.

"Percebi o enorme potencial que ele tinha. Eu disse na época que o Brasil produzia muito poucos meio-campistas com as qualidades necessárias para chegar a uma Copa do Mundo. Mas o Danilo tinha força, personalidade e inteligência futebolística. Ele já demonstrava naquela época que poderia chegar muito longe."

A verdadeira consagração de Danilo aconteceu sob o comando do técnico seguinte, Abel Ferreira, que lhe confiou um papel fundamental no meio-campo. Ancorado por Danilo, o Palmeiras de Abel evoluiu para se tornar um dos times mais dominantes do futebol brasileiro na história recente, uma verdadeira dinastia do futebol.

Com dois títulos da Libertadores, um Campeonato Brasileiro, uma Copa do Brasil, uma Recopa Sul-Americana e um Campeonato Paulista, a coleção de troféus do Palmeiras ficou cada vez mais impressionante. Danilo também recebeu sua primeira convocação para a seleção brasileira, embora tenha sido apenas um estágio de teste e ele não tenha chegado a jogar.

Seu desempenho acabou atraindo interessados europeus, e o Nottingham Forest conseguiu garantir sua contratação, pagando 20 milhões de euros, tornando-o a sétima maior venda da história do Palmeiras.

Durante sua passagem pelo Nottingham, Danilo rapidamente se tornou um dos favoritos entre treinadores, companheiros de equipe e torcedores. Um canto da torcida com a música “Gold”, do Spandau Ballet, era apenas uma questão de tempo. “Danilo-o” abraçou o hino de todo o coração. “Quando os torcedores cantaram pela primeira vez, eu não conhecia a música”, diz ele. “Agora eu a ouço o tempo todo no meu carro. É ótima e me faz sentir em casa aqui.”  

Foi ainda mais doloroso que, aos sete minutos da estreia na Premier League de 2024, Danilo tenha fraturado o tornozelo. A cena é perturbadora: lençóis são levados para o campo para esconder a gravidade da lesão. Ele perde a vaga no Forest e luta para reconquistá-la. Então, Danilo toma uma decisão.

Ele volta para sua terra natal, ingressando no Botafogo em uma transferência bastante controversa devido à relação duvidosa entre os proprietários dos clubes, John Textor e Evangelos Marinakis. A dupla controla quatro clubes — Botafogo, Lyon, Nottingham Forest e Olympiacos — que realizaram nove transferências entre si ao longo de três anos.

Para Danilo, a decisão de voltar ao Brasil foi, na verdade, simples. “Foi muito difícil, porque eu não queria de jeito nenhum deixar o Forest”, disse ele ao ge. “Estou numa idade em que quero jogar na Europa, mas uma lesão grave fez com que eu perdesse meu lugar.”

“Eu também queria dar a volta por cima no Forest, mas há aspectos do futebol que simplesmente não dá para controlar. Eu também estava determinado a chegar à Copa do Mundo e, para continuar na disputa, precisava jogar.”

No Botafogo, Davide Ancelotti estava no comando. “Ele me ligou para me convidar para o Botafogo e disse que escreveríamos história juntos”, conta Danilo em entrevista à UOL. A parceria durou apenas uma temporada, durante a qual o meio-campista foi prejudicado por uma lesão no tendão.

Nesta temporada, sob o comando de Franclim Carvalho, Danilo está finalmente em sua melhor forma. Ele nunca teve um ano tão produtivo: nove gols e duas assistências em apenas doze partidas. Esse desempenho lhe rendeu, merecidamente, uma convocação para a seleção brasileira em março, quase exatamente quatro anos após sua última participação pela Amarelinha.

Desta vez, é Carlo Ancelotti, pai de seu ex-técnico no Botafogo, quem convoca Danilo. “Primeiro foi o filho, agora é o pai; fechamos o ciclo”, ele ri. Sob o comando de Ancelotti, ele finalmente consegue fazer sua estreia pela seleção. Depois de impressionar como reserva contra a França, ele é titular contra a Croácia. 

Pouco antes do intervalo, o momento com que Danilo sempre sonhou se torna realidade. Após uma jogada brilhante de Vinícius Júnior, ele manda a bola no ângulo superior. Apenas dois meses depois, na presença de sua família, ele espera ansioso: será que Ancelotti o levará para a Copa do Mundo, depois de apenas 95 minutos jogando pela seleção brasileira?

O técnico o convoca, e Danilo começa a chorar. “Na Copa do Mundo de 2010, eu pintei as ruas e pendurei bandeiras”, diz Danilo. Agora ele mesmo vai para a Copa do Mundo.

GOSTOU DESTA HISTÓRIA?

Adicione a GOAL.com como sua fonte favorita no Google para ver mais reportagens nossas.

Siga GOAL no Google