A crise entre o Manchester City e a Premier League entrou em uma nova fase, depois que a companhia aérea emiradense "Etihad Airways", patrocinadora principal do clube, revelou que estuda tomar medidas legais contra a liga, após seu nome ter sido citado de forma indireta na decisão emitida sobre as infrações financeiras do clube.
Segundo o jornal "Daily Mail", a empresa afirmou que "rejeita categoricamente" os resultados e as conclusões contidos na decisão da comissão independente, indicando que iniciou a busca por consultoria jurídica para definir as medidas que podem ser adotadas para proteger seus interesses.
O agravamento vem depois que a Premier League publicou, na última terça-feira, a decisão há muito aguardada de uma comissão independente, que concluiu que o Manchester City ocultou um financiamento superior a 830 milhões de libras esterlinas por meio de um conjunto de acordos comerciais entre os anos de 2009 e 2018, período no qual o clube conquistou oito títulos.
De acordo com a decisão, o Manchester City alegou ter obtido 949,94 milhões de libras esterlinas desses acordos comerciais, enquanto a comissão considerou que apenas 119,25 milhões de libras esterlinas deles representavam receitas legítimas, sendo que a maior parte do financiamento veio dos donos do clube, o grupo Abu Dhabi United, levando a comissão a concluir pela existência de manipulação financeira de cerca de 900 milhões de libras esterlinas.
"Etihad Airways" rejeita os resultados
Apesar de a "Etihad Airways" não ter sido citada pelo nome na decisão publicada, a empresa está associada ao Manchester City desde 2009, na condição de patrocinadora do estádio, da camisa e do centro de treinamento do clube.
Em 2011, a empresa firmou um acordo de patrocínio com o clube no valor de 400 milhões de libras esterlinas por um período de 10 anos, antes de renová-lo posteriormente.
Uma porta-voz da "Etihad Airways" declarou: "A Etihad Airways rejeita categoricamente qualquer resultado, conclusão ou insinuação que indique que a empresa participou de quaisquer arranjos comerciais impróprios".
E acrescentou que a forma como a Premier League anunciou os resultados da comissão, após um período de vazamentos e relatos seletivos, "gerou repercussões prejudiciais para a Etihad Airways", ainda que o nome da empresa não tenha aparecido na versão publicada e revisada da decisão.
A empresa esclareceu: "Em nenhum momento a Premier League contatou a Etihad Airways ou a envolveu nos procedimentos relacionados ao parecer da comissão. Consequentemente, a Etihad Airways não teve nenhuma oportunidade, por parte da liga, de se representar, de apresentar as informações pertinentes ou de garantir a exatidão e a justiça das informações nas quais se baseou para chegar a conclusões que agora podem ser vistas como prejudiciais à empresa".
Advertência direta à Premier League
A "Etihad Airways" elevou o tom, manifestando sua "profunda" preocupação com a maneira como o caso foi tratado na imprensa.
E afirmou: "A falta de clareza e transparência, aliada à divulgação seletiva de informações, gerou repercussões prejudiciais para a Etihad Airways, ainda que a empresa não tenha sido citada na decisão publicada. A Premier League deve assumir a responsabilidade pelas consequências da forma como esses resultados foram apresentados".
A empresa afirmou, ao mesmo tempo, que seu compromisso com o Manchester City "permanece forte", acrescentando: "Estamos ao lado do clube, de sua torcida e da comunidade mais ampla da Etihad Airways, enquanto o Manchester City contesta as conclusões da comissão por meio dos recursos disponíveis a ele".
A empresa encerrou seu comunicado dizendo: "A Etihad Airways buscará a orientação jurídica adequada sobre as opções e os meios de reparação disponíveis para proteger seus interesses".



