Zinedine Zidane levou o Real Madrid a sua segunda final de Champions League consecutiva. Para encontrar na história um treinador que tenha feito o mesmo pelos Blancos, é preciso ir ao final dos anos 1950, quando Carniglia levou o time da capital às finais de 1958 e 1959.
Há quem siga falando que o francês tem sorte. Porém, esta estatística avaliza o seu trabalho. Depois do jogo no Vicente Calderón, os jornalistas perguntaram ao técnico o grau de culpa que tem nesta classificação e o comandante, com essa paixão que o caracterizou, disse:
"Sou o treinador e significa que o que estou fazendo é bem feito. Porém, tendo este plantel, eles até agora têm sido fenomenais. O mérito é de todos. Eu tenho também", declarou.
A boa gestão de vestiário, ter convencido Cristiano Ronaldo de que não tinha que jogar todos os jogos a fim de fortalecer a parte física configuram parte da decisão de Zizou, que levou o Madrid a lutar pela 12ª conquista do torneio continental.
Obsessão pelo estado físico
A grande preocupação de Zidane desde que chegou ao banco, em janeiro de 2016, sempre foi o estado físico da equipe: "Não estou preocupado com a qualidade do plantel. Sobre isso, estou tranquilo". Planejou uma pré-temporada em pleno janeiro e esse trabalhou acabou dando frutos, com o Real Madrid que não se cansava e ganhando a Champions League nos pênaltis. No último verão, o francês quis reforçar a preparação física e pediu ao clube a contratação do 'sargento' Antonio Pintus.
Plano de rotações
"Para ganhar La Liga ou a Champions League, todos são importantes. Conto com todos", repete Zidane, como se fosse um mantra. Desde a pré-temporada, o técnico colocou em prática uma política de rotações que levou o time ao extremo. Em jogos do Campeonato Espanhol, o treinador chegou a poupar nove jogadores. Um método nunca visto antes no Santiago Bernabéu.
Mensagem do psicólogo
Nacho deu voz ao sentinemtno quase unânime do vestiário: "Zidane é um grande treinador e também um grande psicólogo". O francês foi jogador de futebol, sabe o que sentem os atletas em todo o momento e em qualquer circunstância. E essa experiência o faz gerir de forma estupenda um vestiário da complexidade do Real Madrid. Soube apagar fogos como o de Isco ou de Morata, descontentes pela ausência de minutos.
Dosar CR7
Um dos grandes feitos de Zidane na atual temporada (e de Pintus, preparador físico) foi convencer Cristiano Ronaldo de que não é necessário jogar todos os minutos de todos os jogos possíveis. De que é fundamental dosar esforços para estar bem fisicamente na parte final da campanha, como tem acontecido com o craque português de 32 anos. O atleta aceitou o plano de Zizou e os resultados dão razão ao comandante. O novo camisa 7 fica mais próximo da área e tem sido decisivo na UEFA Champions League.
Acerto com as mudanças
Não só a parte psicóloga, mas a maturidade como treinador tem sido um ponto positivo de Zinedine Zidane no caminho a Cardiff. Muitos apontam o técnico como inexperiente em termos táticos, porém, nesta Champions League, o francês demonstrou ser capaz de agitar ou mudar um encontro com substituições. Ele o fez contra o Sporting, na fase de grupos, e diante do Bayern, no Bernabéu. A mudança contra o Atlético, no Vicente Calderón, todavia, foi a mais marcante.





