Apesar de ter gastado mais de 210 milhões de libras esterlinas durante a atual janela de transferências de verão, o Chelsea não parece preocupado em violar as regras do fair play financeiro ou os regulamentos de sustentabilidade financeira da Premier League e da União Europeia.
O clube londrino se apoia em um modelo financeiro bem elaborado, baseado na obtenção de lucros expressivos com a venda de jogadores e na redução dos encargos anuais das transações por meio de contratos de longo prazo, além da reestruturação da folha salarial, o que lhe confere uma ampla margem de manobra no mercado de transferências, segundo revelou o jornal britânico "The Times".
Após anos de foco na captação de jovens talentos, o Chelsea começou a ajustar sua política no mercado de transferências, direcionando-se para a contratação de jogadores mais prontos e experientes.
Essa mudança se concretizou com a contratação do zagueiro francês Maxence Lacroix por 52 milhões de libras esterlinas, tornando-se o primeiro jogador com 26 anos ou mais a se juntar à equipe desde a aquisição do clube pelo grupo "BlueCo" em 2022.
O clube também fechou uma transação de peso com a contratação de Morgan Rogers, vindo do Aston Villa, por 117 milhões de libras esterlinas, apesar da forte concorrência do Arsenal, além da contratação de Marco Palestra, vindo da Atalanta, por 47 milhões de libras esterlinas.
Ao mesmo tempo, o Chelsea efetivou transações previamente acordadas para a contratação de Geovany Quenda, Emmanuel Emega e Dastan Satpaev, dentro de um plano de longo prazo para reforçar o elenco.
A atividade do clube não parou por aí, já que o Bournemouth recusou uma proposta no valor de 64 milhões de libras esterlinas para abrir mão de Alex Scott, enquanto o Chelsea mantém o interesse na contratação do lateral do Rayo Vallecano Pep Chavarría. O técnico Xabi Alonso confirmou que a diretoria do clube ainda está disposta a fechar novas transações caso surja a oportunidade adequada.
Por que o Chelsea não teme as sanções?
Apesar de o Chelsea ter registrado o maior prejuízo antes dos impostos da história do futebol inglês durante a temporada 2024-2025, ultrapassando 200 milhões de libras esterlinas pelo quarto ano consecutivo, sua situação financeira apresentou uma melhora notável graças a fontes de renda excepcionais.
O clube já havia vendido a equipe feminina para a empresa proprietária por 200 milhões de libras esterlinas, e também vendeu dois de seus hotéis por 70,5 milhões de libras esterlinas, operações que o ajudaram a cumprir as regras da Premier League.
Mas essas receitas não são contabilizadas dentro dos critérios da União Europeia, o que levou a "UEFA" a firmar um acordo de conciliação com o clube, que lhe impõe o cumprimento de metas financeiras específicas ao longo dos próximos anos para evitar multas ou até mesmo a exclusão da participação nas competições europeias.
Venda de jogadores: a palavra-chave
O verdadeiro segredo por trás da capacidade do Chelsea de gastar somas vultosas reside em seu sucesso excepcional no âmbito da venda de jogadores. Desde a aquisição do clube pelo grupo "BlueCo", o Chelsea gastou mais de 1,8 bilhão de libras esterlinas em contratações, mas, em contrapartida, arrecadou mais de 900 milhões de libras esterlinas com a venda de jogadores.
Durante a temporada passada, tornou-se o primeiro clube da Premier League a obter mais de 300 milhões de libras esterlinas com a venda de jogadores em uma única temporada, um número que equivale aproximadamente ao valor de seus gastos com novas contratações.
Já durante a atual janela de transferências, o clube recuperou até o momento cerca de 170 milhões de libras esterlinas com a venda de Marc Cucurella, Tyrique George e Andrey Santos, com a expectativa de que o total de suas vendas ultrapasse 1 bilhão de libras esterlinas desde a aquisição pelo "BlueCo" antes do fechamento da janela de transferências.
Como os contratos de longo prazo ajudam?
O Chelsea também se apoia em um mecanismo contábil que lhe concede grande flexibilidade nos gastos, já que o valor da transação não é registrado integralmente no ano da contratação, mas distribuído contabilmente ao longo da duração do contrato, com um limite máximo de cinco anos conforme os regulamentos da União Europeia.
Com base nisso, os gastos de 210 milhões de libras esterlinas durante o verão atual aparecerão nas contas como uma despesa anual de cerca de apenas 42 milhões de libras esterlinas, o que alivia a pressão sobre o orçamento anual do clube.
Em contrapartida, o Chelsea obtém grandes lucros de capital ao vender alguns jogadores. Por exemplo, o clube contratou Andrey Santos por 10,2 milhões de libras esterlinas, antes de vendê-lo ao Manchester United por 50 milhões de libras esterlinas, e também vendeu Tyrique George, um dos formados na academia do clube, ao Everton por 24 milhões de libras esterlinas, de modo que a transação foi registrada como lucro quase total.
Novas vendas previstas
E não parece que o Chelsea se contentou com o que conseguiu em vendas, já que o clube estuda abrir mão de vários jogadores durante o período atual, à frente deles: "Axel Disasi, Benoît Badiashile, Trevoh Chalobah, Filip Jorgensen, Nicolas Jackson, Liam Delap, Malo Gusto, Pedro Neto".
A diretoria do Chelsea considera que a concretização dessas transações lhe dará espaço financeiro adicional para continuar reforçando a equipe, mantendo o cumprimento das regras de sustentabilidade financeira da Premier League e dos regulamentos da União Europeia.
Xabi Alonso afirmou que a diretoria tem uma visão clara em relação ao mercado de transferências, mas destacou a necessidade de manter a flexibilidade até o último dia da janela, dizendo: "Temos que ser flexíveis e rápidos na tomada de decisão, mas o mais importante é que sabemos o que queremos".


