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Manchester United v AFC Bournemouth  - Premier LeagueGetty Images Sport
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Campo minado em Old Trafford: Eddie Howe escapará da armadilha do Manchester United?

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A pergunta nos bastidores do Manchester United já não se limita à identidade do treinador capaz de devolver a equipe aos pódios de conquistas, mas se estende à natureza do projeto esportivo que o clube quer construir e à capacidade de sua diretoria de escolher o homem certo para comandá-lo. E enquanto Michael Carrick enfrenta pressões crescentes por conta da queda nos resultados e no desempenho, o nome de Eddie Howe começou a se impor com força como um dos principais candidatos a sucedê-lo, caso a diretoria decida encerrar sua experiência.

A escolha de Howe parece lógica do ponto de vista técnico, considerando o que conquistou ao longo dos últimos anos, depois de ter conseguido transformar uma equipe que lutava para permanecer na Premier League em uma concorrente às vagas que classificam para a Liga dos Campeões da Europa, além de tê-la conduzido à conquista do título da Copa da Liga Inglesa.

Mas a transferência para Old Trafford representa um desafio completamente diferente, que não diz respeito apenas às pressões da torcida e da imprensa, mas também à natureza da estrutura administrativa dentro do clube, aos poderes que o treinador receberá, além de sua capacidade de lidar com um grupo de jogadores que foram treinados por um grande número de diretores técnicos.

E entre quem apoia e vê em Howe o homem capaz de devolver a disciplina e a estabilidade ao Manchester United, e quem é contra e põe em dúvida se ele possui a personalidade e a experiência suficientes para assumir um dos maiores cargos do futebol mundial, surge um conjunto de perguntas importantes: o que o treinador inglês pode acrescentar ao Manchester United? Quais os obstáculos que podem impedir seu sucesso? E ele estará disposto a abrir mão da influência que costumava ter no Newcastle?

O projeto britânico de Ratcliffe: os cálculos mudaram dentro de Old Trafford?

Quando Sir Jim Ratcliffe se tornou coproprietário do Manchester United em 2024, uma das ideias centrais ligadas ao seu projeto era reconstruir a equipe apoiando-se em um grupo de jogadores britânicos, numa tentativa de formar um núcleo local capaz de dar ao clube uma identidade clara a longo prazo.

Mas a experiência não foi tão fácil quanto o esperado, especialmente diante do grande aumento dos custos de contratação de jogadores locais, além das dificuldades enfrentadas por Michael Carrick, o primeiro treinador britânico a assumir a responsabilidade de forma permanente durante a era do grupo Ineos.

E com a queda no desempenho da equipe, começaram a crescer as dúvidas sobre o quanto Ratcliffe se mantém fiel à concepção inicial de seu projeto, e se a diretoria continuará buscando um treinador britânico ou optará por outras alternativas que tenham experiências diferentes.

E caso Carrick fracasse em deter a queda nos resultados e perca o cargo, Eddie Howe será um dos nomes fortemente cotados, por ser um treinador britânico que possui grande experiência na Premier League e que conseguiu provar sua capacidade de construir equipes, desenvolver jogadores e obter resultados que superam os recursos disponíveis.

E não se trata apenas de sua nacionalidade ou de seu conhecimento do ambiente do futebol inglês, mas do que apresentou no Bournemouth e no Newcastle, onde conseguiu em ambas as experiências construir um projeto competitivo, apesar da diferença de condições e de recursos.

Da salvação do Bournemouth à construção das glórias do Newcastle

Eddie Howe possui uma trajetória como treinador que merece ser observada, especialmente porque não chegou à posição que ocupa atualmente assumindo a responsabilidade por um dos grandes clubes desde o início, mas sim trilhando seu caminho gradualmente por meio de experiências cheias de desafios.

Em janeiro de 2009, Howe assumiu o comando do Bournemouth em circunstâncias extremamente difíceis, depois que o clube estava ameaçado de rebaixamento da segunda divisão inglesa, mas conseguiu virar o jogo e conduziu a equipe em uma jornada de ascensão excepcional, que terminou com a chegada à Premier League em 2015.

E o feito não se limitou ao acesso, pois o treinador inglês conseguiu firmar o Bournemouth entre os clubes da elite, apesar dos recursos limitados em comparação com os concorrentes, antes de deixar o clube pela segunda vez em 2020.

E um ano depois, Howe recebeu uma nova oportunidade no Newcastle United, que sofria com a queda nos resultados e lutava para evitar o rebaixamento, mas ele conseguiu mudar a realidade da equipe de forma notável.

Ele devolveu o clube ao círculo da disputa e o conduziu à classificação para a Liga dos Campeões da Europa em duas ocasiões, além de conquistar com ele o título da Copa da Liga Inglesa em 2025, pondo fim a uma espera que durava 56 anos desde a última grande conquista da equipe.

E essas experiências dão a Howe um importante acúmulo de bagagem na condução de equipes que precisam de reconstrução, um ponto que pode torná-lo adequado para a missão do Manchester United, que não sofre apenas com a queda nos resultados, mas também precisa reformular sua identidade técnica e recuperar a cultura de competição.

Divisão entre os torcedores: falta a Howe o peso do nome do Manchester United?

Apesar dos sucessos obtidos por Howe, a proposta de seu nome para suceder Carrick não teve consenso nos meios ligados ao Manchester United.

Parte da torcida acha que o treinador de 48 anos não possui o peso midiático nem o histórico como treinador que o qualifiquem a assumir a responsabilidade por um clube do tamanho do Manchester United, e acredita que a equipe precisa de uma figura de treinador mais famosa e experiente em lidar com os craques e com as pressões ligadas à disputa pelos grandes títulos.

E as dúvidas se estenderam a alguns ex-craques do clube, pois Paul Scholes e Nicky Butt não demonstraram grande entusiasmo pela ideia de contratar Howe, durante a conversa no podcast deles, embora já tivessem apoiado anteriormente sua contratação quando Rúben Amorim foi demitido em janeiro passado.

Por outro lado, Roy Keane apareceu entre as vozes que apoiam o treinador inglês, considerando que ele pode ser uma opção adequada para comandar a equipe, assim como vários ex-jogadores da Premier League o indicaram, entre eles Darren Bent, Gareth Barry e Jack Wilshere.

E essa divergência reflete a dificuldade de avaliar os candidatos a treinar o Manchester United, pois há quem olhe para a fama do treinador e seu histórico com os grandes clubes, enquanto outros se concentram em sua real capacidade de desenvolver jogadores, melhorar o desempenho e construir uma equipe capaz de competir.

E, no fim das contas, o debate da torcida não será o único fator decisivo para determinar o futuro de Carrick ou a identidade de seu sucessor, pois a responsabilidade principal recai sobre o diretor-executivo Omar Berrada, o diretor esportivo Jason Wilcox e o diretor de recrutamento Christopher Vivell.

E espera-se que a decisão da diretoria sobre o futuro de Carrick seja o primeiro passo neste caso, enquanto o resultado do confronto contra o Chelsea no sábado pode influenciar na definição do rumo que o clube seguirá na próxima etapa.

A conta da saída e da contratação: o obstáculo financeiro diante do Manchester United

A escolha do novo treinador não será apenas uma decisão técnica, pois os cálculos financeiros entrarão com força na definição de quem comandará o Manchester United.

Caso Carrick seja dispensado, o clube terá de quitar seus direitos financeiros e os de sua comissão técnica, antes de passar a estudar os custos ligados à contratação de um novo diretor técnico.

E os cálculos não param por aí, pois a contratação de Eddie Howe pode exigir o pagamento de uma compensação financeira ao Newcastle United, de acordo com os termos previstos no acordo entre as duas partes quando de sua saída do clube durante o verão.

Diversas fontes informaram à rede «BBC Sport» que o Newcastle estabeleceu um mecanismo de compensações escalonadas, com o objetivo de proteger seus interesses caso Howe decida transferir-se diretamente para outro clube, sendo que o valor exigido diminui com o passar do tempo.

E, de acordo com as informações disponíveis, o valor das compensações começou em 6 milhões de libras esterlinas, antes de cair pela metade, chegando atualmente a cerca de 3 milhões de libras esterlinas.

E esse valor está ligado a um cronograma que termina, de acordo com as informações que circulam, antes do fim da temporada atual, e, depois disso, qualquer clube ou seleção poderá contratar Howe sem a necessidade de pagar compensação ao Newcastle.

E, do ponto de vista financeiro, pagar 3 milhões de libras esterlinas pode não representar um obstáculo real para o Manchester United, considerando o volume de gastos que o clube costuma fazer no mercado de transferências.

Mas a questão vai além do valor da compensação em si, especialmente porque a diretoria gastou quantias elevadas nos últimos anos contratando e demitindo treinadores, sem conseguir chegar à estabilidade técnica necessária.

Por isso, Berrada e Wilcox terão de tratar o caso com cautela e evitar entrar em uma nova experiência cara que não garanta a melhora esperada.

Os poderes e a estrutura administrativa: Howe aceita abrir mão de sua influência?

Talvez este seja o ponto mais sensível na possibilidade de transferência de Howe para o Manchester United, pois o treinador inglês estava acostumado a ter ampla influência nos aspectos esportivos dentro dos clubes que treinou, inclusive uma participação determinante nas decisões de contratações.

E, no Bournemouth, o papel de Howe não se limitava a elaborar os esquemas técnicos e gerir as partidas, mas se estendia à escolha dos jogadores adequados ao seu projeto, o que ajudou o clube a contratar nomes como Nathan Aké, Callum Wilson e Tyrone Mings, antes de vendê-los posteriormente e obter importantes retornos financeiros.

Já no Newcastle, ele teve papel de destaque na contratação de Bruno Guimarães, Anthony Gordon, Sandro Tonali e Alexander Isak, negócios que contribuíram para elevar o nível técnico da equipe e aumentar seu valor de mercado.

E sua influência não parou na captação de jogadores, pois ele também conseguiu desenvolver outros elementos dentro da equipe, como Dan Burn, Lewis Hall e Tino Livramento, alguns dos quais chegaram a representar a seleção principal da Inglaterra.

Mas a situação no Manchester United é diferente, pois o clube possui uma estrutura administrativa clara que inclui Omar Berrada, Jason Wilcox e Christopher Vivell, o que significa que o novo treinador não receberá necessariamente os amplos poderes a que estava acostumado em suas experiências anteriores.

E aqui surge uma pergunta importante: Howe estará disposto a trabalhar dentro de um sistema em que as responsabilidades se distribuem entre a direção esportiva e a comissão técnica, ou sentirá que a redução de sua influência representa um obstáculo à aplicação de suas ideias?

Ainda assim, não parece que trabalhar com um diretor esportivo seja algo estranho para ele; ele já havia colaborado com Richard Hughes e Neil Blake no Bournemouth, e também trabalhou no Newcastle com figuras administrativas de destaque, entre elas Dan Ashworth, Amanda Staveley e Mehrdad Ghodoussi.

E, portanto, a mudança para a estrutura administrativa de Old Trafford não será necessariamente uma experiência desconhecida, mas a verdadeira diferença pode estar no volume de interferência administrativa e na natureza da distribuição de poderes dentro de um dos maiores clubes do mundo.

Wilcox prefere Howe, e Nagelsmann concorre ao cargo

No âmbito das indicações dentro do Manchester United, parece que o nome de Howe desperta claro interesse de alguns dirigentes, mas não há acordo total sobre a identidade do treinador mais adequado para comandar o próximo projeto.

Os relatos indicam que Jason Wilcox, o diretor esportivo, se inclina a contratar Howe e vê nele uma opção capaz de lidar com as exigências da Premier League e reconstruir a equipe.

Por outro lado, Christopher Vivell, o diretor de recrutamento, prefere o rumo do alemão Julian Nagelsmann, ex-treinador do Bayern de Munique e da seleção alemã, que representa uma opção diferente em termos de filosofia de trabalho e experiência europeia.

E espera-se que as recomendações sejam apresentadas ao diretor-executivo Omar Berrada, antes que a decisão final chegue ao coproprietário Sir Jim Ratcliffe e aos copresidentes Joel e Avram Glazer.

E a importância da escolha não se limita a definir o nome do novo treinador, mas também revelará a natureza do projeto que a diretoria quer aplicar, e se dará prioridade a um treinador que possua ampla experiência na Premier League, ou buscará uma figura de treinador com uma visão tática diferente e capacidade de competir nos grandes torneios.

Além disso, o clima de negatividade em torno da indicação de Howe não parece ligado apenas a motivos técnicos claros, pois coincidiu com um clima de revolta da torcida contra Wilcox, especialmente após a derrota em casa para o Bournemouth por 3 a 0, e as críticas que se seguiram às decisões administrativas e esportivas.

O legado ausente de Ferguson: o maior desafio não é trocar o treinador

Por trás do debate em torno de Carrick, Howe e Nagelsmann, existe uma crise mais profunda relacionada à capacidade do Manchester United de construir um projeto de longo prazo, num momento em que a continuidade no comando se tornou algo raro dentro do futebol moderno.

E Sir Alex Ferguson segue sendo o exemplo mais marcante do que a estabilidade técnica pode render, depois de ter construído uma trajetória excepcional no Aberdeen, antes de se transferir para a Inglaterra para assumir o comando do Manchester United em novembro de 1986.

Mas o clube não conseguiu, desde a saída de Ferguson, encontrar uma figura capaz de reproduzir esse modelo, apesar da sucessão de diversos treinadores e da diferença entre as escolas técnicas que cada um deles tentou aplicar.

E cresceu o clima de frustração entre a torcida em relação às decisões tomadas desde que Ratcliffe adquiriu uma participação minoritária no clube no início de 2024, especialmente porque a diretoria deu apoio a vários treinadores, entre eles Erik ten Hag, Rúben Amorim e Michael Carrick, sem chegar à estabilidade desejada.

E uma parcela dos torcedores acha que o problema não diz respeito apenas ao treinador, mas à estrutura administrativa e à forma de gerir o caso das contratações, além da dificuldade de formar uma equipe homogênea com jogadores contratados durante diferentes períodos de trabalho.

A equipe atual carrega o legado de seis ex-treinadores permanentes, cada um com sua filosofia, seu estilo e suas exigências técnicas, o que torna a missão de qualquer novo treinador ainda mais complexa.

E, a partir daí, Howe pode se ver diante de um desafio que vai além de melhorar os resultados ou devolver a disciplina ao vestiário; pois ele será cobrado a unificar um grupo de jogadores que não foram todos escolhidos segundo uma única visão técnica, e a trabalhar, ao mesmo tempo, dentro de um sistema administrativo que não lhe dá necessariamente o controle total sobre as decisões de montagem da equipe.

E, no fim das contas, Eddie Howe parece um candidato óbvio para suceder Carrick, assim como pode ser um dos nomes fortemente cotados para treinar a seleção inglesa caso o cargo fique vago.

Mas a verdadeira pergunta não é se Howe é um bom treinador, pois ele já provou isso com o Bournemouth e o Newcastle, mas sim se o Manchester United possui o ambiente adequado para fazer sua experiência dar certo, e se o próprio treinador está disposto a embarcar em uma aventura que pode ser a maior de sua carreira.

Howe pode ser o homem capaz de reconstruir o Manchester United, mas sua contratação não será suficiente se persistirem os problemas administrativos e técnicos que derrubaram seus antecessores. E talvez essa seja a verdade que Ratcliffe e sua diretoria precisam resolver antes de escolher o novo nome.

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