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Al Hilal v Al Ittihad - Saudi Pro LeagueGetty Images Sport
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Uma joia no lugar errado: por que Inzaghi é injusto com Ruben Neves?

O Al Hilal possui um dos melhores meio-campistas capazes de controlar o ritmo das partidas e criar oportunidades com passes excepcionais, mas o paradoxo é que o italiano Simone Inzaghi não aproveita o português Ruben Neves de forma condizente com o seu potencial, após utilizá-lo em funções e posições diferentes, longe do seu posto principal como primeiro volante, que poderia lhe dar uma influência maior na construção do jogo e na condução do sistema ofensivo do Zaeem.

E apesar de Neves seguir apresentando atuações chamativas desde a chegada de Inzaghi ao comando do Al Hilal, a maneira como é empregado abre espaço para questionamentos sobre o quanto a equipe realmente aproveita a sua principal qualidade. Em vez de lhe dar liberdade para controlar o meio-campo e distribuir os passes que rompem as linhas dos adversários, o jogador às vezes se vê na última linha, como se cumprisse um papel para compensar os problemas de construção a partir da defesa, em detrimento da sua capacidade de fazer a diferença nas regiões de maior impacto.

  • Al Hilal v Al Ittihad - Saudi Pro LeagueGetty Images Sport

    Neves na linha defensiva: solução para um problema ou desperdício de seu potencial?

    O problema central está na necessidade de o Al Hilal melhorar a saída de bola desde o fundo, especialmente quando enfrenta adversários que apostam na pressão alta e no fechamento dos espaços.

    E diante do fato de os zagueiros centrais não terem sempre a capacidade suficiente de construir o jogo e enviar passes longos precisos para o terço final, parece que Inzaghi recorre a Neves para ajudar a superar a pressão em zonas mais recuadas.

    Mas essa solução traz um custo técnico evidente: quando Neves recua para o lado dos defensores, o Al Hilal perde um jogador capaz de controlar o ritmo do meio-campo e orientar o jogo a partir da profundidade, além de ficar distante das regiões em que poderia passar a bola para os atacantes e criar oportunidades com maior eficácia. Afinal, o português não tem apenas precisão no passe: ele também sabe ler os espaços e identificar o momento certo de levar a bola da fase de construção para o ataque.

    É verdade que Neves consegue enviar bolas longas bem executadas ao último terço mesmo desde posições mais recuadas, mas sua presença na posição de primeiro volante lhe dá opções mais amplas, seja pelo passe vertical entre as linhas, pela mudança de direção do jogo, ou por receber a bola sob pressão e reorganizar a jogada.

    Daí que o problema não está em sua capacidade de cumprir funções defensivas, mas no exagero em utilizá-lo longe da região que lhe garante o maior impacto possível.

  • Os números de Neves expõem o paradoxo

    O mais impressionante é que Neves mantém sua produção ofensiva apesar dessas funções variadas, após marcar 7 gols e dar 4 assistências em 11 partidas por diferentes competições nesta temporada, totalizando 11 participações em gols.

    São números chamativos para um meio-campista e revelam sua capacidade de chegar às áreas de perigo e fazer a diferença, mesmo quando não recebe sempre a função que se encaixa plenamente em suas características.

    Na temporada passada, Neves também apresentou números fortes, tendo participado de 22 gols em 43 partidas por diferentes torneios, confirmando que sua influência não se limita a recuperar a bola ou organizar o jogo, mas se estende a marcar e criar oportunidades.

    Esse rendimento torna lógico questionar se o Al Hilal está aproveitando toda a sua capacidade ou se o utiliza em mais de uma função em detrimento de sua especialidade principal.

    Leia também: Crise ou solução? Saud e Salem, uma "dor de cabeça" iminente para Jesus!

  • Al Hilal v Al Ittihad - Saudi Pro LeagueGetty Images Sport

    Inzaghi precisa devolver Ruben Neves à sua posição natural?

    Isso não significa que escalar Neves na linha defensiva seja um erro em todas as situações, pois pode ser uma solução adequada diante de alguns adversários, especialmente quando o Al Hilal precisa de um jogador que saiba sair com a bola sob pressão.

    Mas transformar essa função em uma opção recorrente pode limitar a capacidade da equipe de controlar o meio-campo e deixar Neves responsável por contornar os problemas de construção, em vez de utilizá-lo para criar superioridade numérica e técnica nos setores mais avançados.

    Inzaghi precisa encontrar um melhor equilíbrio entre a qualidade na construção desde a defesa e a influência de Neves no meio-campo, seja devolvendo-o com mais frequência à posição de primeiro volante, seja oferecendo outras alternativas que ajudem os zagueiros a iniciar as jogadas sem puxar o português constantemente para a linha defensiva. Afinal, a presença de Neves em sua posição natural pode dar ao Al Hilal uma capacidade maior de furar os blocos defensivos e controlar o ritmo, aproveitando seus passes verticais e sua habilidade de criar oportunidades.

    Portanto, não se pode dizer que Inzaghi não aproveita Neves, já que os números indicam um jogador que agrega muito ao Al Hilal. Mas a verdadeira questão é se o treinador está extraindo o máximo dele.

    Neves não é apenas um jogador capaz de distribuir a bola desde a defesa, mas um eixo capaz de controlar a partida e fazer a diferença a partir do setor central. E se Inzaghi conseguir utilizá-lo de maneira mais eficiente, o português pode se transformar em uma arma ainda mais perigosa no sistema do Al Hilal, em vez de desgastar parte de suas qualidades resolvendo problemas de construção defensiva.

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