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Scaloni e De la Fuente: a final entre o mestre e o aluno... Quem dará a última lição ao outro?

A final da Copa do Mundo de 2026 reunirá as seleções da Argentina e da Espanha, amanhã, domingo, em um confronto que vai além da disputa pelo título, pois envolve uma história humana rara entre os técnicos Lionel Scaloni e Luis de la Fuente, que mantiveram uma relação de professor e aluno há alguns anos.

O jornal argentino “La Nación” revelou que Scaloni obteve a licença profissional de treinador “UEFA Pro” entre 2017 e 2019, em um curso organizado pela Federação Espanhola de Futebol, no qual De la Fuente foi um dos principais palestrantes, antes de se tornar, posteriormente, técnico da seleção espanhola.

Após cerca de uma década, os dois treinadores se encontram frente a frente na final da Copa do Mundo no estádio “MetLife”, em Nova Jersey, em uma partida que traz à mente a famosa frase: será que o aluno supera o mestre?

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  • Trajetória semelhante

    A trajetória dos dois treinadores se assemelha em vários aspectos; ambos jogaram como laterais, conquistaram o título da La Liga como jogadores e assumiram o comando da seleção principal após o fracasso de seus antecessores na Copa do Mundo, aproveitando o sucesso obtido com as seleções de categorias de base.

    Scaloni levou a Argentina à conquista da Copa do Mundo de 2022 no Catar, além de dois títulos da Copa América, enquanto De la Fuente conquistou com a Espanha o título da Liga das Nações e, posteriormente, o Campeonato Europeu de 2024.

    Os dois treinadores deveriam ter se enfrentado na partida da “Finalissima” em março passado, mas o jogo foi cancelado devido à sobrelotação do calendário, tornando-se a final da Copa do Mundo o primeiro confronto direto entre eles nos bancos de reservas.

    Durante o curso de treinamento, De la Fuente ministrou as disciplinas “Evolução do Futebol” e “Formação de Equipes”, que abordaram a evolução dos esquemas táticos, as funções dos jogadores e a influência das diferentes escolas de treinamento, além de como definir o estilo de jogo e escolher o sistema adequado de acordo com as potencialidades da equipe.

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  • A convocação de Scaloni: Raúl, Alonso, Xavi e outros nomes de destaque

    A lista incluiu nomes de destaque no mundo do futebol, entre eles Raúl González, Xavi Hernández, Xabi Alonso, Javier Saviola, Fernando Redondo, Vicente Valdés, Mauro Silva e Walter Pandiani, além de Montse Tomi, que mais tarde se tornou a primeira mulher a assumir o comando da seleção espanhola feminina.

    De la Fuente relembrou aquele período dizendo: “Era como na escola; os aplicados sentavam-se nas fileiras da frente, e os indisciplinados, atrás”.

    Ele acrescentou que Scaloni era um dos alunos que sempre se esforçava para sentar-se na frente, ouvia com atenção, fazia anotações e cumpria todas as tarefas, mas não hesitava em discordar quando não se convencia de uma ideia, pois abria espaço para o debate e buscava chegar a um consenso.

    De la Fuente explicou que Scaloni tinha um jeito especial de dialogar durante as aulas; quando não se convencia de uma determinada tese, dizia com franqueza: “Não vejo dessa forma”, dando início a discussões que enriqueciam a todos e contribuíram para construir uma relação de amizade e respeito mútuo entre eles.

    Apesar da solidez dessa relação fora de campo, o jornal argentino confirmou que os treinadores concordaram em não se comunicar até o final da partida, com a amizade entre eles sendo retomada após o término da final da Copa do Mundo.

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  • A diferença está no ritmo

    Essas nuances também se refletem nas equipes de cada uma. Ambas apresentam um jogo ofensivo e buscam a posse de bola, com um forte espírito coletivo, e podem alternar entre o 4-3-3 e o 4-4-2 ou, às vezes, o 4-2-3-1.

    A diferença está no ritmo. A Espanha costuma construir suas jogadas com mais paciência até chegar à área; a Argentina acelera a circulação da bola, inclui passes mais rápidos e ataca de forma mais direta. Ambas compartilham a mesma ideia, mas a interpretam de maneiras diferentes.

    E isso torna a final ainda mais atraente: frente a frente estarão a seleção que mais marcou gols na Copa do Mundo — a Argentina, com 19 gols — e a que tem a melhor defesa até agora, a Espanha, que sofreu apenas um gol, marcado por Cabo Verde na partida de abertura.

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  • Uma promessa não cumprida... Uma característica em comum entre Scaloni e De La Fuente

    Além dessas diferenças, Saloni e De La Fuente têm outra característica em comum. Nenhum dos dois chegou à seleção nacional antes de construir uma reputação no futebol de clubes.

    Scaloni assumiu o cargo interinamente após a Copa do Mundo da Rússia e acabou construindo a campanha mais bem-sucedida da história da seleção.

    O técnico espanhol também foi recebido com desconfiança após a saída de Luis Enrique, depois de 21 anos de trajetória em times de ligas regionais e na formação das equipes de base e das seleções juvenis da “La Roja”.

    Scaloni disse: “Luis nos deu uma grande ajuda a todos que participaram da pré-temporada. Ele é uma pessoa maravilhosa. É interessante ver como ele se expressa, como conduz as coisas e como os próprios jogadores se empenham por ele. Ele está fazendo um excelente trabalho”.

    Scaloni já havia elogiado publicamente o espanhol antes da partida das semifinais contra a Inglaterra. Chegou até a prometer ligar para ele caso a Argentina fosse eliminada do torneio, para contar alguns segredos da seleção inglesa e ajudá-lo na final. Mas ele também deixou claro que, se a seleção se classificasse, essa conversa teria que esperar.

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  • O pódio... Ninguém imaginava o que Scaloni conseguiria alcançar

    E Scaloni concluiu aquele curso com distinção, obtendo a classificação de honra. Segundo ele mesmo conta na “Cidade do Futebol”, em Las Rozas, sede da Federação Espanhola de Futebol, ele estava entre os cinco melhores alunos da história da escola. Por isso, seu sucesso não surpreendeu ninguém. Genis Meléndez, diretor da instituição na época, lembra-se bem dele: “Havia 20 alunos, todos de uma geração fantástica. Quando chegava a vez deles de orientar os mais novos, ele fazia isso de maneira impecável. Ninguém imaginava que ele assumiria o comando tão cedo na Argentina e alcançaria resultados imediatos, mas eu já previa um grande futuro para ele. Ele era um dos que mais se destacavam entre eles.”

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