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Argentina v Egypt: Round of 16 - FIFA World Cup 2026Getty Images Sport
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O suicídio de Hossam Hassan

Às vezes o ser humano não precisa de alguém que o empurre do alto do cume para cair; basta que se convença de que se tornou maior do que o lugar em que está, e que seu último sucesso o colocou acima de críticas e questionamentos.

E é exatamente essa a história de Hossam Hassan agora: um homem que chegou ao topo da glória com a seleção do Egito ao se classificar para a Copa do Mundo, e depois começou, por conta própria, a demolir a imagem que havia construído.

Ninguém nega que Hossam Hassan se esforçou e que a classificação para o Mundial é uma grande conquista que sempre será creditada a ele, mas o sucesso não significa que você passou a ter a varinha mágica, nem que toda decisão que toma é acertada, nem que quem discorda de você não entende nada.

O esperado é que o sucesso o torne mais tranquilo, mais capaz de enxergar seus erros e de aproveitar o que conquistou, em vez de estagnar como se aquilo fosse o fim da estrada.

O problema começou quando a sensação de sucesso se transformou em sentimento de superioridade, e com ela o diálogo se tornou mais difícil, e a irritação passou a se fazer presente em situações que não exigiam todo esse enfrentamento.

E foi a partir daí que as crises começaram a se suceder, a começar pelas declarações chocantes sobre Mohamed El Shenawy, e depois a polêmica que envolveu Mohamed Salah e sua saída da concentração da seleção, fazendo com que a história se tornasse maior do que meras decisões técnicas.

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    O problema não está na decisão, mas na maneira

    Hossam Hassan tem o direito de deixar Shenawy de fora, e tem o direito de decidir quando Mohamed Salah joga e quando fica no banco de reservas. No fim das contas, o técnico é o dono da decisão técnica, e não se pode gerir seleções com a lógica de agradar às estrelas.

    Mas ter a decisão em mãos não significa necessariamente que você deva usá-la de uma forma que transforme cada grande jogador em um foco de crise.

    O treinador forte não é aquele que prova a todos que é o mais forte, mas sim aquele que faz seus jogadores confiarem nele mesmo quando discordam dele. O vestiário não se administra com a voz elevada, nem com declarações que vão parar na imprensa, nem com a tentativa de vencer todas as discussões. Às vezes, uma palavra serena tem mais impacto do que uma coletiva de imprensa inteira.

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    E foi exatamente aqui que Hossam Hassan errou. Em vez de deixar o campo falar sobre a conquista da classificação para a Copa do Mundo, o microfone se tornou a fonte da maior parte da polêmica em torno dele. Cada declaração abre uma nova porta, e cada tentativa de explicar uma postura se transforma em mais um espaço para o debate, a ponto de o assunto sobre sua personalidade e suas declarações passar a se sobrepor ao assunto da própria seleção.

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    Do topo à beira da queda

    Esta é uma das quedas mais rápidas que se pode ver no futebol. Ontem, Hossam Hassan era o homem que devolveu o Egito à Copa do Mundo; hoje, falar de suas crises e da possibilidade de sua saída tornou-se mais presente do que falar da própria conquista.

    O mais doloroso é que tudo isso poderia ter sido evitado. Não se exigia dele que agradasse a todos, nem que concordasse com cada jogador ou crítico, mas apenas que reconhecesse o valor do lugar aonde chegou. O verdadeiro sucesso não está em alcançar o topo, e sim em saber como se manter nele.

    O suicídio de Hossam Hassan não significa a morte, mas sim a maneira como ele lidou com a glória depois de alcançá-la: a arrogância, a recusa ao diálogo e a tentativa de impor o controle em cada situação podem destruir em semanas o que levou anos para ser construído.

    Hossam Hassan tinha a chance de sair desta fase como o homem que conquistou a glória do Egito no Mundial, mas agora se aproxima de se tornar o homem que, por conta própria, desperdiçou o crédito dessa conquista. Talvez ainda seja possível conter a queda, mas o começo não virá do microfone, e sim de uma reflexão sincera consigo mesmo.

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