O Milan também sabe entreter seus torcedores. Não apenas com os resultados (até agora excelentes), mas também com o desempenho e a qualidade de seus jogadores. De jogadores como Pulisic, em vez de Saelemaekers, Nkunku ou Fullkrug. Contra o Torino, o Diavolo jogou uma hora com grande intensidade, criando muitas oportunidades e marcando nada menos que três gols. Tudo isso coincidiu com a decisão de Allegri, auxiliado por Landucci e Dolcetti, de abrir as jogadas com Pulisic e Saelemaekers ao passar para o 4-3-3. Uma jogada que colocou em apuros o esquema tático de D'Aversa, que havia conseguido surpreender o Diavolo nos primeiros 20 minutos de jogo.
Getty Images/CalciomercatoEVOLUÇÃO
É muito provável que o Milan continue orientando suas escolhas técnicas e de mercado em torno do 3-5-2 que Allegri adotou desde o primeiro dia para conferir solidez e aquele senso de perigo a uma equipe que era excessivamente vulnerável e vem de várias temporadas com um déficit significativo entre gols marcados e sofridos.
A sensação, cada vez mais difundida, porém, é a de uma equipe que se expressa melhor com duas alas nas laterais e com laterais e meio-campistas livres para se sobrepor e atacar os espaços entre o interior e o exterior do campo. O caso mais marcante é o de Saelemaekers: determinante, especialmente na primeira parte da temporada, em dar equilíbrio ao se desdobrar nas duas fases e, já há várias semanas, com o ritmo reduzido por falta de energia. Com um lateral atrás dele, o jogador da seleção belga poderia liberar criatividade e arrancadas para tornar a proposta ofensiva ainda mais incisiva.
Allegri e Landucci conhecem os pontos fortes e fracos da equipe e podem em breve abraçar uma evolução natural, partindo dos princípios iniciais que tantos resultados (não apenas referidos aos meros números da classificação) trouxeram nesta segunda experiência com a camisa rossonera.
7 VEZES OK
Allegri e os números andam na mesma sintonia; o pragmatismo sempre foi uma das principais virtudes do técnico rossonero. Mas, neste caso, eles reforçam a tese de que, com o 4-3-3, o Milan consegue dar a volta por cima, como comprovam os sete casos desta temporada:
- Em Cremona, com o placar em 0 a 0, Allegri mudou para o 4-3-3 e venceu a partida por 2 a 0.
- Contra o Torino, com o placar em 1 a 1, a mudança para o esquema com três atacantes trouxe espetáculo e a vitória por 3 a 2.
- Em Florença, com a vantagem de 1 a 0 da Fiorentina de Comuzzo, a mudança para o tridente levou ao empate final em 1 a 1, marcado justamente pelo substituto Nkunku.
- Contra o Lecce, Fullkrug, apoiado por dois alas no final da partida, marcou o gol da vitória.
- Em Pisa, com o placar em 1 a 1, a mudança de formação levou a uma vitória espetacular por 3 a 2.
- Ainda contra o Torino, mas na partida de ida, o Milan virou o placar de 2 a 1, levando para casa uma vitória emocionante.
- Contra a Fiorentina, no San Siro, com o placar em 0 a 1, a mudança para o 4-3-3 permitiu aos rossoneri vencerem por 2 a 1.
NÃO SÓ DURANTE A PARTIDA
O crescimento de Pavlovic e a recuperação da confiança de Tomori representam um passo adiante na temporada do Milan. Com a mudança para o 4-3-3, que parece mais uma virada do que um risco. Por enquanto, segundo o que Allegri reiterou nas últimas semanas (especialmente na entrevista pós-jogo no Zini de Cremona), a comissão técnica rossonera considera isso apenas um remédio a ser usado durante a partida, quando o paciente debilitado precisa se recompor.
O retorno de Gimenez, porém, pode trazer mais algumas dúvidas. Talvez já nesta pausa, que parece chegar na hora certa para aprimorar também soluções alternativas, de olho em um final de temporada em que será preciso apertar o cinto e acelerar o ritmo.
GOSTOU DESTA HISTÓRIA?
Adicione a GOAL.com como sua fonte favorita no Google para ver mais reportagens nossas.


