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Hal of Fame Henry 16-9GOAL

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Hall da Fama – Thierry Henry, como fazer o impossível parecer fácil

Em primeiro lugar, para sermos claros, como que para justificar certa dificuldade na descrição-argumentação (o assunto, como vocês entenderão, é complexo), digamos que somente a internet pode ajudar as novas gerações a compreender, se possível, a força de Thierry Henry e o que ele representou, em geral.

Um vídeo vem em nosso auxílio, relançado mais de uma vez, com razão, pelos canais oficiais da UEFA e emprestado (legitimamente ou não) por todas aquelas páginas que se concentram excessivamente em edição, música de fundo (especialmente brasileira) e efeitos visuais (que não são necessários). Oitavas de final da Liga dos Campeões, ano de 2006.

No Santiago Bernabéu, o Real Madrid, que pode parecer um pouco desajeitado hoje, apesar de contar com a presença de Cristiano Ronaldo, David Beckham e Zinedine Zidane (entre outros, Antonio Cassano está no banco), recebe o Arsenal de Arsène Wenger. Para os jogadores mais jovens, recomendamos assistir aos melhores momentos; para os mais preguiçosos, no entanto, o vídeo mostrando Thierry Henry conduzindo a bola no terceiro dos cinco minutos de acréscimo será suficiente, com os Gunners vencendo por 1 a 0 graças ao gol dele no início do segundo tempo.

Ainda existe a regra dos gols fora de casa, e não é tanto o que você espera que o atacante do Arsenal faça naquele momento, e sim o que ele de fato faz, que demonstra o nível de sua inteligência, mas sim como ele faz isso, o que não surpreende (e repetimos, não surpreende).

Henry recebe a bola no seu campo e avança a um ritmo que parece cansado e desanimado, atraindo Sergio Ramos para si: quando o espanhol se solta, está praticamente tudo decidido. O capitão do Arsenal dá um toque na bola e a lança por dezenas de metros. E corre: ultrapassa rapidamente o jovem lateral do Real, enquanto Roberto Carlos (aquele Roberto Carlos) dá início a uma arrancada que já sabe ser inútil. Álvaro Mejía vem em seu socorro. Quando Henry recebe seu próprio “passe”, a bola está se dirigindo para a bandeira de escanteio, mas diminui a velocidade na altura da entrada da grande área: o francês auxilia, acompanhando essa útil trajetória em direção à zona mais distante de seu gol. Mejía intervém com uma entrada deslizante: nem pensar, evitada. O atacante domina a bola dentro da área e a protege: o espanhol dá uma pontada. Pronto. Ele caiu na armadilha.

Henry se vira para a câmera na lateral do campo como um ator de Hollywood ciente de que está sendo filmado nas arquibancadas durante um intervalo de um evento esportivo. Ele levanta a mão, impassível. Sem sequer olhar para a câmera. Então, ele volta a caminhar.

As gerações Z e Alfa resumiriam o que acabamos de descrever com a palavra “Aura”. Isso, porém, é realmente apenas uma minúscula amostra do que foi Thierry Henry.

  • Henry Pires 1998Getty

    Talento infinito e evolução contínua

    Antes de se tornar um atacante implacável, um dos melhores do mundo por muitos anos e, em resumo, o símbolo de uma década (para muitos, o ídolo de uma vida), Thierry Henry foi, como muitos de seus colegas, um “projeto”. O jovem “Titi” possui qualidades fora do comum: tem técnica, mas, acima de tudo, é extremamente veloz, tanto nos primeiros passos quanto na arrancada. Tem um ritmo de corrida excepcionalmente regular: em suma, quando arranca, torna-se imbatível.

    Arsène Wenger sabe disso. No final dos anos 80, na França, teve início o programa de formação de jovens jogadores franceses em Clairefontaine: Henry é, podemos dizer, um dos primeiros verdadeiros produtos de excelência do centro de formação e, quando passa a integrar o Monaco, clube treinado pelo próprio Wenger, o conceito de “eixo” entre as categorias de base e o time principal já está em pleno funcionamento.

    O treinador francês o via como um ponta na época, num período em que os pontas pareciam capazes de desestabilizar qualquer equilíbrio, e quando lhe deu a oportunidade de estrear na equipe principal na metade de 1994, Henry era efetivamente um ponta. Henry jogou duas partidas sob o comando de Wenger, mas depois foi demitido, e "Titi" não foi escalado novamente por vários meses: obviamente, só um louco poderia manter um talento como esse fora de campo. Ele jogaria mais seis partidas, marcando três gols (dois contra o Lens, um contra o Nantes) em seis dias. 

    Henry Monaco 1997Getty Images

    O que nos interessa não são tanto os números que nos levam a um ano crucial como 1998 (que citamos brevemente: em suas primeiras quatro temporadas como profissional, ele marcou 27 gols, com sete gols em uma única edição da Liga dos Campeões entre 1997 e 1998, que terminou para ele com duas semifinais contra a Juventus), mas sim a trajetória de crescimento que o acompanhou até a conquista da Copa do Mundo com a França.

    Henry jogava pela direita (o que hoje pode parecer uma heresia, considerando o quão letal ele se tornou em encontrar o espaço certo, mais adiante em sua carreira, explorando a zona esquerda do campo), mas sempre como ponta: ele ainda era um jogador que baseava grande parte de seu jogo na velocidade, mas a ideia de se deslocar para o centro (quando muito jovem, o francês era atacante) já havia sido considerada. O que lhe faltava — o que hoje nos faz sorrir — era a capacidade de marcar gols (apesar dos três que marcou justamente na Copa do Mundo, feito que ele repetiria dois anos depois na Eurocopa, que também foi vencida).

    “Eu era rápido, mas precisava de dez chances para converter uma em gol; ao mesmo tempo, continuava criando essas oportunidades. Então eu dizia a mim mesmo: ‘Você não terá sempre essas chances. Tem que mandar a bola para o fundo da rede’”, afirmou Henry em uma entrevista concedida à Blizzard. “Não nasci com o dom de marcar gols. Comecei como ponta, trabalhando nos cruzamentos: isso me ajudou a compreender o papel de quem dá a assistência.”

    Essa passagem é um ponto-chave para entender quem e o que foi Thierry Henry. O talento (exagerado) a serviço do trabalho incansável (na mesma entrevista, ele conta que treinou repetidamente e de forma obsessiva com o então preparador físico do Monaco, Claude Puel, aprimorando seu posicionamento com o uso de silhuetas). Em uma postagem recente no Instagram, por outro lado, nós o vemos levantando pesos e nos dizendo, na legenda, que “as repetições criam hábitos”).

    Não há muito a dizer sobre o que aconteceu depois da Copa do Mundo que consagrou seu valor absoluto: em janeiro de 1999, ele se transferiu para a Juventus porque Luciano Moggi o queria a todo custo para substituir o lesionado Alessandro Del Piero, mas, na verdade, sua chegada à Serie A apenas adiou por alguns meses sua ida para a Premier League, ao Arsenal (que havia travado com os bianconeri uma espécie de disputa, que acabou perdendo, para levá-lo para a Inglaterra).

    Em Turim, Henry simplesmente corre o risco de se perder: a troca no comando de Marcello Lippi por Carlo Ancelotti o deslocou de maneira quase antinatural, a ponto de “Titi” se ver, inexplicavelmente, na lateral.

    “Me colocaram na lateral. Quando estávamos na fase defensiva, eu ficava na defesa. No ataque, por outro lado, eu tinha que atuar como terceiro atacante. Era tudo novo para mim. Joguei quase todas as partidas sem entender bem o meu papel”, explicou o francês. Hoje podemos dizer que se tratou de um dos maiores equívocos táticos da história do futebol.

    “Não percebi que Thierry Henry não era um ponta. Não achava que ele pudesse jogar no centro, ele nunca me disse que era capaz disso”, comentou Ancelotti ao jornal La Repubblica. O técnico, que ao chegar à Juventus mudou o esquema tático de 4-4-2 para 3-5-2, o colocou mais perto do gol com o passar das semanas, mas a experiência dele na Itália durou pouco.

    “Vamos te mandar para a Udinese, mas acreditamos em você”, disseram a ele, como Henry contou no podcast Stick to Football. No final da primeira temporada na Juventus, o clube queria transferi-lo para Udine em troca de Amoroso. “Que confiança... vocês acreditam no Del Piero? Então mandem ele”, foi a resposta de Henry. Fim da relação: e aqui chegamos ao ponto.

    No Arsenal, “Titi” não só reencontra Wenger, mas também é colocado no meio-campo: o ponto de virada perfeito. A transformação está completa.

  • Publicidade
  • Henry Arsenal DreamcastGetty

    Significado de Henry para o Arsenal

    “Cheguei como ponta e o técnico me disse para jogar como centroavante. E olhei para ele como se dissesse: ‘Ah, não quero parecer arrogante, mas na seleção francesa sou ponta, acabei de ganhar a Copa do Mundo como ponta, o mundo todo me conhece como ponta, estou acostumado a jogar como ponta. E você quer que eu jogue no centro?’. E ele: ‘Sim, confie em mim’”.

    Arsène Wenger o conhece bem. Já escrevemos sobre isso. Ao chegar ao Arsenal para substituir Nicolas Anelka, Thierry Henry seguiu cegamente, ou quase, as orientações de seu novo (antigo) técnico, como ele mesmo conta no documentário “Thierry Henry – The Legend”.

    “Eu o conheci em Mônaco quando ele tinha dezessete anos e meio e jogava nas categorias de base, e pensei: ‘esse garoto cria muitas oportunidades’. Depois, as circunstâncias o levaram a jogar pelas pontas, e ele se tornou um ponta, perdendo um pouco do hábito de marcar gols e começando a errar. E assim ele se convenceu de que não conseguia marcar porque todos o repreendiam por isso. Então eu disse: ‘Ok, vamos voltar a colocá-lo no centro’”, explica Wenger no mesmo documentário.

    O francês, de fato, tem uma notável capacidade de sempre encontrar uma maneira de se livrar dos adversários, oferecendo linhas de passe perigosas aos companheiros; além disso, como vimos, ele possui qualidades técnicas e físicas extremamente importantes. Falta-lhe o hábito, mas, como vocês devem ter percebido, “Titi” é, além de um grande profissional, um trabalhador metódico ao extremo.

    “Trabalhamos muito com ele em exercícios específicos de corrida e finalização, e a vontade de marcar gols voltou: ele ficou mais calmo diante do gol porque foi inteligente o suficiente para entender imediatamente o que era importante”, afirma Wenger, que o colocou em campo no segundo tempo da primeira partida da temporada da Premier League contra o Leicester. Ele teve uma chance de gol (na verdade, foi bom em criá-la), mas desperdiçou. Ele contará que, no início, o projeto do seu técnico não o havia convencido totalmente: “Parecia que não ia dar certo”, diz.

    Hoje, imaginar um Henry com grandes dificuldades para marcar gols com regularidade é simplesmente uma loucura: os torcedores do Arsenal, assim como muitos jornalistas (no documentário de que falamos há alguns que dizem, sem meias palavras, ter achado que ele não estava à altura), tiveram que esperar até a oitava rodada para mudar de ideia. E esfregar os olhos.

    Seu primeiro gol com os Gunners é uma prévia extremamente concisa do que veriam nos anos seguintes: depois de substituir Nwankwo Kanu aos 71 minutos, contra o Southampton, o francês recebe de Tony Adams (o capitão — imaginem quanto simbolismo há nisso tudo) uma bola que ele domina na entrada da área, de costas para o gol e marcado por Marco Almeida. Ele ganha um pouco de espaço em relação ao zagueiro, gira em poucos metros e solta um chute de direita com efeito que surpreende Paul Jones. Ele comemora, o Arsenal vence. Ao final de sua primeira temporada em Londres, os gols marcados serão dezessete em trinta e uma partidas da Premier League, sete em oito da Copa da UEFA (e outros dois, respectivamente, na Liga dos Campeões e na Copa da Liga). Para as novas gerações, bastariam os números (228 gols em 377 partidas): nós preferimos outra imagem.

    “Alguns seguranças e o árbitro nos disseram: ‘Pessoal, por favor, se ganharem o título, não comemorem aqui’. E, para ser sincero, todos nós respondemos: ‘Ok, entendemos, isso só causaria caos’”: estamos em 2004 e Thierry Henry e seus companheiros, os “Invencíveis”, chegam ao White Hart Lane com a certeza quase matemática do título. Quase matemática: bastava um ponto, um detalhe. Dão a eles todas as recomendações necessárias: não aqui, não agora. Não na frente do Tottenham e de seus torcedores. Se tiver que acontecer, por favor, não exagerem.

    Os Gunners abrem dois gols de vantagem (Vieira e Pirès), os Spurs se recuperam e empatam graças a Redknapp e Keane, em um pênalti nos acréscimos.

    “Lembro-me de Taricco pulando e correndo por aí, comemorando um empate. Repito: comemorando um empate. Olhei para ele e disse: ‘Você está tirando sarro de mim?’. E ele: ‘Sim’, pulando na minha frente. E eu: ‘Você sabe que precisamos de um ponto para conquistar o título na casa de vocês?’. E ele começou a falar sem parar… eu disse: ‘Olha o que vou fazer no final’”, conta Henry. “Se você se faz de durão, então seja durão até o fim. E, no final da partida, todos nos lembraram: ‘Não comemorem’, e eu respondi: ‘O quê? Eu vou comemorar’”: e foi o que aconteceu.

    O francês, como capitão do Arsenal, conduz seus próprios companheiros, incrédulos, sob a arquibancada dos visitantes ocupada pelos torcedores, novos campeões da Inglaterra. Ele tira a camisa e a agita repetidamente na área. Transcende os limites físicos de um jogador de futebol e se torna um ídolo. Um símbolo.

  • Henry Arsenal backGetty

    Fazendo tudo parecer fácil

    Dando um salto considerável no tempo, voltamos a novembro de 2002: Highbury, mais um clássico londrino contra o Tottenham. É impossível compreender o que “Titi” significou para os Gunners — e para o futebol — sem falar daquele gol.

    Aos 15 minutos, ele lidera uma jogada de transição do seu campo até o adversário, com Matthew Etherington quase o abraçando para impedi-lo de partir para o contra-ataque. Nem é preciso dizer que não adianta nada: em um piscar de olhos, ele já está na entrada da área. Ele finge um chute com o pé direito, leva a bola para o esquerdo e desequilibra Stephen Carr, que tenta se manter em pé, mas não consegue fechar o ângulo, perdendo velocidade na segunda finta de Henry. A marcação dupla de Ledley King não adianta nada: “Titi”, em um instante, chuta com o pé esquerdo, em contra-tempo, mandando a bola para o fundo da rede, por trás de Kasey Keller.

    Parece um gol muito fácil, mas revela dois aspectos fundamentais do futebol do francês. O primeiro é simbólico e vamos despachá-lo logo: depois de marcar, ele corre furiosamente e comemora deslizando de joelhos, deixando para a história a imagem que mais tarde foi imortalizada por sua estátua, atualmente em frente ao Emirates Stadium. O segundo é conceitual: na maioria de seus chutes, o goleiro parece desajeitado, desorientado. Indeciso. A verdade é que, quando Henry tem o gol livre, o goleiro adversário nunca sabe para onde pular.

    Toda vez que “Titi” chuta, tudo parece fácil. A própria bola parece viajar em câmera lenta, a ponto de quase nos perguntarmos por que o goleiro não conseguiu intervir. Quase dá vontade de dizer: Mas essa, eu, eu teria defendido”. Claro que sim. Um de seus gols mais icônicos, marcado no início de outubro de 2000 contra o Manchester United, chega a sugerir uma imprecisão generalizada, contagiosa, espalhada por toda a defesa dos Red Devils: ele controla a bola de costas para o gol, levantando-a, e chuta de primeira por cima de Fabien Barthez. Coisa de louco. 

    O fato é que Henry surgiu como jogador “fora” da grande área e isso, numa época em que a marcação ainda era feita predominantemente “dentro” da grande área, representou um ponto de ruptura: o francês atraía os adversários para si, os obrigava a sair e, uma vez que caíam na armadilha, os punia com sua velocidade, finalizando quase sempre no segundo poste.

    São dezenas e dezenas de gols marcados exatamente da mesma maneira por Henry: chute certeiro, no canto mais distante. Os goleiros, aliás, sempre defendem o primeiro canto. Às vezes ficam paralisados, sem saber para onde ir. Quando ele chuta de fora, então, os surpreende com finalizações impossíveis de defender.

    A habilidade de que falamos antes, de sempre encontrar o espaço certo entre as linhas (uma característica herdada de Kylian Mbappé, hoje), ele levou consigo mesmo quando saiu do Arsenal para o Barcelona, em 2007. Ele chega ao Barça como um jogador que já havia dado muito, que quase conquistou a Liga dos Campeões com os Gunners (perdendo justamente para os catalães, em uma noite que ficará na história como aquela em que ele desabafou, ressaltando que Ronaldinho e Eto’o nunca se viram, ao contrário de Larsson), maduro e já não mais no auge físico: após um primeiro ano com Frank Rijkaard no comando (marcando mais de dez gols), Pep Guardiola o coloca de novo na ponta, mas sempre levando em conta que “o centroavante é o espaço” e que “Titi” no espaço é devastador; ele marca uma quantidade incrível de gols (26 em todas as competições aos 32 anos), mas, acima de tudo, conquista a Tríplice Coroa.

    Sergio Ramos, evidentemente sem se lembrar de quem era Henry, acredita poder cobri-lo com marcação por zona, enquanto o francês, em um El Clásico que terminou 6 a 2 para o Barcelona, depois de passar a bola para Lionel Messi no meio-campo, aproveita o momento para se posicionar pelas costas dele. “Titi” deixa a bola quicar mais de uma vez e, em seguida, finaliza com a parte plana do pé, batendo Iker Casillas. No segundo poste, claro.

    Hoje, Henry é um comentarista de TV que reflete fielmente o personagem que foi em campo. É extremamente inteligente, muito perspicaz, irreverente. Irônico (com esse termo, poderíamos traçar uma ponte entre suas partidas mais icônicas e a mão que levou a França à Copa do Mundo de 2010, contra a Irlanda, mas não faremos isso). Ele sabe o que deve dizer, como dizer e quando dizer.

    Tem aquele timing que, em campo, permitiu que se tornasse uma lenda, um ícone (para muitos jovens do início dos anos 2000, Henry também foi o símbolo de uma era dos videogames que culminou com a capa do FIFA 2004, ao lado de Del Piero e Ronaldinho). Mas, acima de tudo, o símbolo do Arsenal.

    Em 2012, com a MLS em pausa, ele decidiu ser emprestado ao Arsenal, deixando temporariamente o New York Red Bulls: ele não deveria ter voltado. Ele não deveria ter feito isso. Não foi uma “Last Dance”, foi um revival desnecessário que ninguém havia pedido. Envelhecido, desgastado pelos anos e pelo ritmo americano, muito distante do da Premier League (da qual se tornara o melhor jogador entre 2003 e 2004). O fato é que ele continuava sendo Henry.

    Poucos dias após seu retorno a Londres, Wenger o colocou no lugar de Marouane Chamakh na FA Cup contra o Leeds. O momento da partida é praticamente o mesmo daquela contra o Southampton, no ano de sua estreia. Há a nítida sensação de que os torcedores estão assistindo àquela partida única e exclusivamente para vê-lo jogar, que o resultado quase não importa para eles. Dez minutos depois, com a bola na posse de Alex Song, “Titi” arranca pelas costas de Zac Thompson e recebe o passe em profundidade do meio-campista: ele controla a bola e chuta, claramente, no segundo poste. E comemora. Acabou de marcar um “gol à la Henry”. Foi o primeiro gol da minha carreira que marquei como torcedor”, dirá ele. Ele está com barba, mas logo vai raspar. 

    Provavelmente, há muitas outras maneiras de apresentar Thierry Henry às novas gerações. O risco de ficar preso às próprias suposições, assim como os goleiros e adversários que ele enfrentou e enganou, é tão alto quanto foi sua vontade de evoluir, aperfeiçoar-se (além dos títulos e das Bolas de Ouro que, talvez, ele merecesse) e definir sua “aura”. É assim, provavelmente, que a Geração Z e a Geração Alfa podem compreender, em parte, o que foi “Titi”. A mão levantada após um passe para si mesmo no Bernabéu. A expressão teatral. A representação cênica da “brincadeira” que ele proporcionou ao espetáculo do futebol. Mais simplesmente, um dos maiores de sua época.


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