O que desencadeou tudo foi uma jogada na partida da fase de grupos da Copa do Mundo entre o Paraguai e a Turquia. O atacante paraguaio Miguel Almirón recebeu, nessa partida, o primeiro cartão vermelho da história da Copa do Mundo por colocar a mão na boca.
Getty Images Sport"FIFA, vocês acabaram com o futebol": comentarista da Copa do Mundo é expulso do torneio após explosão de raiva
Na fase final, entra em vigor uma nova regra que proíbe os jogadores profissionais de cobrirem a boca com a mão ao falar com adversários ou árbitros. O objetivo é evitar que comentários discriminatórios ou ofensivos em campo passem despercebidos.
A expulsão de Almiron provocou uma explosão de raiva incontrolável no comentarista Vera, que estava ao microfone. Primeiro, ele atacou duramente o árbitro Ivan Barton, de El Salvador, chamando-o de “ladrão” durante a transmissão ao vivo.
Logo em seguida, o repórter estendeu suas críticas à alta cúpula do futebol mundial. Vera protestou ao vivo no ar: “Vocês mataram o futebol. FIFA, vocês mataram o futebol.”
Pouco depois, ele atacou diretamente o presidente da FIFA, Gianni Infantino, pela interpretação das regras: “Infantino, você é o responsável por isso. Que vergonha. Vocês deveriam ter vergonha!”
Getty Images SportComentarista critica o presidente: “Tenha um pouco mais de coragem”
Por fim, Alejandro Domínguez, presidente da CONMEBOL, a federação continental sul-americana, também acabou na mira do comentarista enfurecido. Literalmente, Vera gritou no microfone: “Alejandro Domínguez, tire menos fotos com Infantino. Tenha um pouco de coragem. Seus ladrões de merda!”
As consequências para o representante da mídia paraguaia não se fizeram esperar. A FIFA suspendeu a autorização de Vera para trabalhar nos estádios pelo restante do torneio nos EUA, Canadá e México. Do ponto de vista esportivo, o repórter perde assim uma fase histórica de seu país: com a vitória por 1 a 0 sobre a Turquia, o Paraguai tem grandes chances de avançar para as oitavas de final.
A emissora do comentarista tenta minimizar os danos
O jornalista punido mostrou-se compreensivo após o incidente. Em um vídeo no Instagram, onde antes havia compartilhado fotos com o crachá da Copa do Mundo pendurado no pescoço, ele pediu perdão publicamente: “O que eu disse foi errado, e cabe a mim assumir a responsabilidade por isso. Naqueles segundos, não fui um bom exemplo.”
Enquanto isso, a emissora paraguaia ABC, empregadora de Vera, busca minimizar os danos e luta pelo retorno de seu repórter. Em um comunicado oficial, a empresa de mídia solicitou à FIFA que reconsiderasse a decisão, uma vez que se tratou de um incidente isolado.
A emissora argumentou: “Consideramos que a retirada definitiva da credencial por toda a duração do torneio constitui uma sanção extrema e manifestamente desproporcional para uma primeira infração, que foi imediatamente reconhecida.” Além disso, a ABC destacou que o deslize verbal foi seguido imediatamente por um pedido de desculpas.
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