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Brazil v Croatia - International FriendlyGetty Images Sport

Por que Endrick ainda não é titular? Entenda os fatores que freiam sua ascensão com Ancelotti na Copa

Poucos temas geraram tanta discussão após a estreia do Brasil na Copa do Mundo quanto as escolhas de Carlo Ancelotti para o time titular. O empate por 1 a 1 com o Marrocos, no último sábado, aumentou a pressão sobre o treinador italiano e colocou ainda mais holofotes sobre um nome específico: Endrick.

O atacante do Real Madrid chegou ao Mundial cercado de expectativa. Nos amistosos preparatórios contra Croácia, Panamá e Egito, mostrou impacto imediato sempre que entrou em campo, participando de jogadas decisivas e oferecendo uma agressividade ofensiva que chamou a atenção da torcida.

Mesmo assim, Ancelotti optou por iniciar a estreia com Igor Thiago como referência no ataque. E quando decidiu mexer na equipe durante a partida, o escolhido para entrar foi Matheus Cunha. Endrick permaneceu no aquecimento até o treinador utilizar todas as substituições disponíveis.

A decisão aumentou os questionamentos sobre o espaço do jovem atacante com o técnico italiano, justamente no momento mais importante da seleção brasileira.

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    Por que Ancelotti está barrando Endrick?

    Segundo apuração do UOL, a avaliação interna da comissão técnica é bastante positiva em relação ao potencial de Endrick. Ancelotti acredita que o atacante tem capacidade para desempenhar um papel importante ainda nesta Copa do Mundo, mas entende que alguns aspectos do seu jogo precisam amadurecer antes de uma utilização mais frequente.

    O principal ponto está relacionado à disciplina tática. O treinador exige que o centroavante exerça uma pressão coordenada sobre a saída de bola adversária e mantenha posicionamentos específicos durante as fases defensivas e ofensivas da equipe. Embora Endrick tenha intensidade suficiente para cumprir essas funções, existe uma característica marcante em seu estilo de jogo: a tendência de abandonar a área para participar mais diretamente da construção das jogadas.

    Com frequência, o atacante recua para buscar a bola em zonas intermediárias do campo. Esse comportamento agrada pela personalidade e capacidade técnica, mas faz com que ele perca referências posicionais importantes dentro do sistema idealizado por Ancelotti. Por isso, o italiano vem trabalhando diariamente para que o jogador permaneça mais próximo dos zagueiros adversários e preserve sua posição durante determinados momentos da partida.

    Pessoas que acompanham o dia a dia da seleção relatam que Endrick possui um perfil extremamente espontâneo dentro de campo. O jovem costuma confiar muito em sua intuição e em sua capacidade de improvisação, características que ajudaram a transformá-lo em uma das maiores promessas do futebol brasileiro. Ao mesmo tempo, essa liberdade criativa pode dificultar a assimilação imediata de algumas orientações táticas mais específicas.

    Em um exemplo citado por pessoas próximas ao ambiente da seleção, Endrick recebeu a orientação para dominar uma bola antes da finalização em determinado exercício. O atacante ouviu a instrução, concordou com a correção e, poucos minutos depois, diante de uma situação semelhante, voltou a finalizar de primeira.

    Integrantes do estafe do jogador defendem que justamente essa capacidade de agir por instinto é uma das suas maiores virtudes e argumentam que seu impacto imediato sempre que entra em campo demonstra que a parte tática não compromete seu rendimento. Internamente, porém, a comissão técnica entende que o processo é natural.

    Não existe qualquer preocupação com comportamento ou indisciplina. Pelo contrário. A avaliação é de que Endrick está apenas atravessando uma etapa comum na formação de um atleta de 19 anos que precisa adaptar seu talento individual às exigências coletivas do mais alto nível.

    A expectativa é que, com o passar do torneio, ele evolua nesses aspectos e amplie suas chances de ganhar minutos importantes.

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    Histórico negativo desde o Real Madrid

    A relação entre Endrick e Carlo Ancelotti já carrega um histórico semelhante desde os tempos de Real Madrid. Após deixar o Palmeiras, o atacante chegou ao clube espanhol cercado de expectativas, mas encontrou enorme concorrência em um dos elencos mais fortes do futebol mundial. Durante a temporada 2024/25, a única em que trabalhou diretamente com Ancelotti na Espanha, teve dificuldades para conquistar espaço.

    Ao longo da campanha, disputou 37 partidas e acumulou apenas 847 minutos em campo, média de aproximadamente 23 minutos por jogo. Os números ajudam a dimensionar o cenário. Endrick atuou menos do que jogadores que passaram boa parte da temporada lesionados, como Dani Carvajal, que somou 878 minutos, e Éder Militão, que chegou a 1.311 minutos. Até mesmo o goleiro reserva Andriy Lunin terminou o período com mais tempo em campo: 1.320 minutos.

    Na ocasião, Ancelotti chegou a minimizar a situação ao comentar a adaptação do brasileiro ao clube merengue. "Se você quer estar no Real Madrid é comum ficar um pouco no banco", afirmou o treinador em março de 2025. Meses depois, os dois voltariam a trabalhar juntos na seleção brasileira.

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    Cenário atual e dúvidas

    A chegada de Ancelotti à seleção não alterou significativamente a posição de Endrick na hierarquia ofensiva. De acordo com um levantamento da ESPN, entre todos os atacantes utilizados pelo treinador italiano desde que assumiu o comando da equipe, o jovem sequer aparece entre os dez jogadores com mais minutos disputados.

    Ele está atrás de praticamente todos os concorrentes diretos convocados para a Copa do Mundo, como Vinicius Júnior, Raphinha, Matheus Cunha, Luiz Henrique, Gabriel Martinelli e Igor Thiago. Também aparece atrás de atletas que sequer integram atualmente o grupo do Mundial, como Estêvão, Rodrygo e Richarlison.

    Até aqui, Endrick soma apenas 104 minutos distribuídos em três partidas sob o comando de Ancelotti. Seu tempo em campo é superior apenas ao de Samuel Lino, Rayan, Vitor Roque, Kaio Jorge e Igor Jesus. A explicação é simples: neste momento, o atacante ainda aparece atrás dos principais concorrentes nas preferências do treinador.

    Igor Thiago começou a Copa como titular. Matheus Cunha segue sendo uma alternativa forte para retornar ao time principal. Já Endrick aparece atualmente como a terceira opção para a função de centroavante. Existe também a possibilidade de utilização pelos lados do ataque, especialmente pela direita. Porém, nesse setor, a concorrência inclui nomes como Lucas Paquetá, Luiz Henrique e Rayan.

    O cenário pode mudar ao longo da competição. Afinal, lesões, suspensões, desempenho e necessidades específicas de cada adversário costumam transformar rapidamente a dinâmica de uma Copa do Mundo. Por enquanto, porém, a tendência é de manutenção do panorama atual. Apesar dos pedidos da torcida, da imprensa e da crescente pressão sobre Carlo Ancelotti, Endrick ainda precisará esperar um pouco mais por uma oportunidade maior com a camisa da seleção brasileira.

    Sob desconfiança e cobranças após a estreia, o Brasil volta a campo na próxima sexta-feira (19), quando enfrenta o Haiti, na Filadélfia. A equipe encerra sua participação na fase de grupos diante da Escócia, no dia 24, ainda buscando convencer e crescer dentro da Copa do Mundo.

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