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Detalhes inacreditáveis... Documentos revelam o que aconteceu nos bastidores da final entre Marrocos e Senegal

Quase três meses após a final da Copa Africana das Nações, o continente africano continua sob o impacto de uma cena absurda que resume uma crise sem precedentes na história do futebol africano, em que a coroa continental se transformou em uma disputa jurídica aberta entre o Senegal e o Marrocos, em um caso que ameaça a credibilidade da Confederação Africana de Futebol (CAF) e a coloca no centro da tempestade.

A final, disputada no Estádio Moulay Abdallah, em Rabat, não terminou efetivamente com o apito do árbitro, mas deu início a um novo capítulo do conflito.

Enquanto o Senegal afirma ter vencido em campo, o Marrocos insiste que o título deve ser concedido administrativamente após a desistência do adversário. Entre um lado e outro, o continente se encontra em um impasse histórico sem precedentes.

  • O início da crise

    Segundo o jornal espanhol “AS”, as origens da crise remontam aos dias que antecederam a final, quando o Senegal começou a sentir que as coisas estavam sendo manipuladas contra ele desde o momento em que chegou ao Marrocos.

    A delegação dos “Leões da Teranga” foi transferida de um hotel de luxo em Tânger para o complexo Al-Rihab, que não constava da lista de alojamentos aprovados pela CAF.

    Após um protesto oficial, a equipe foi transferida para o Hotel Amfitrit, nos arredores de Rabat, uma solução intermediária que não satisfez a delegação senegalesa.

    As tensões aumentaram quando o complexo esportivo Mohammed VI foi designado para os treinos do Senegal, o mesmo local que a seleção marroquina utilizava como sede de seu acampamento.

    Os senegaleses consideraram isso uma violação do princípio da igualdade de oportunidades e manifestaram receios quanto à “possibilidade de seus treinos serem vigiados” ou de seus planos táticos vazarem.

    A crise de segurança e de ingressos veio agravar ainda mais a situação, já que o Senegal reclamou da má organização ao chegar a Rabat e da “distribuição injusta” dos ingressos para a partida, o que o levou a alertar publicamente sobre “irregularidades no andamento dos trabalhos” poucas horas antes da final.

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    Caos no dia do jogo

    Na noite da final, o Estádio Moulay Abdallah transformou-se em um palco de caos: um gol polêmico da Senegala foi anulado, depois foi concedido um pênalti ao Marrocos que provocou protestos violentos, antes que os acontecimentos se agravassem com a retirada quase total da delegação senegalesa do campo, em protesto contra o que descreveram como uma “flagrante injustiça arbitral”.

    Após o retorno, Ibrahim Diaz tentou cobrar o pênalti à la “Panenka”, mas errou, antes que o Senegal conseguisse vencer na prorrogação com um gol sem resposta.

    O Marrocos, por sua vez, considerou a retirada como desistência oficial, o que implicava a derrota do Senegal por 3 a 0, decisão adotada posteriormente pela CAF em sua primeira decisão, antes de ser anulada pelo Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) após recurso da delegação senegalesa.

  • A CAF na mira

    O jornal "AS" revelou detalhes intrigantes da reunião do Comitê Executivo da CAF, realizada em Dar es Salaam no dia 13 de fevereiro, na qual o presidente da Comissão de Arbitragem, Olivier Safary, admitiu que o árbitro recebeu "instruções institucionais" para não expulsar jogadores do Senegal durante a interrupção da partida, a fim de garantir a continuidade do jogo.

    Essa admissão, segundo o jornal, gerou polêmica nos corredores da CAF e abriu espaço para acusações de interferência nas decisões da arbitragem.

    Audiência de apelação controversa

    Em uma coletiva de imprensa em Paris no dia 26 de março, os advogados da Federação Senegalesa descreveram a audiência de apelação perante o "CAS" como "desastrosa", afirmando que o juiz parecia ter tomado sua decisão antecipadamente.

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    Conflito de interesses suscita suspeitas

    O Senegal também levantou a questão do conflito de interesses dentro da Comissão de Apelação, após a participação do advogado Moez Nasri, que também ocupa a presidência da Federação Tunisina de Futebol, o que foi considerado um “claro conflito entre sua função de juiz e sua condição de parte envolvida na competição”; até mesmo o presidente da CAF, Patrice Motsepe, expressou sua surpresa com a presença de Nasri na comissão.

    Sem campeão... e sem fim à vista

    Hoje, 77 dias após o apito final, o continente africano continua sem um campeão oficial. O Senegal insiste que venceu em campo, enquanto o Marrocos afirma que a lei lhe concede o título. Já a CAF se encontra na posição de réu perante ambas as partes, acusada de “má gestão” e “falta de transparência”.

  • Sem herói... nem fim à vista

    Hoje, 77 dias após o apito final, o continente africano continua sem um campeão oficial: o Senegal afirma ter vencido em campo, enquanto o Marrocos insiste que a legislação lhe confere o título; já a CAF encontra-se na posição de réu perante ambas as partes, acusada de “má gestão” e “falta de transparência”.