E, ao direcionar a conversa para a evolução do futebol, Ancelotti apresentou uma visão clara sobre o que considera a tendência mais evidente no jogo atualmente. Depois de anos em que as ideias de posse de bola, pressão e construção desde a defesa dominaram o cenário, o técnico do Lille acredita que os grandes times passaram a dar atenção crescente à fase defensiva.
Ele diz: "As equipes de ponta de hoje dão a maior importância à sua fase defensiva. Seja usando a marcação por zona ou a marcação individual, os times que chegam à final da Liga dos Campeões priorizam a defesa em detrimento do ataque".
Ele cita o Arsenal e o Paris Saint-Germain, apesar da diferença entre seus estilos, afirmando que os dois times têm em comum uma base defensiva forte. Também esclarece que a marcação individual se tornou uma arma utilizada por grandes equipes como Bayern de Munique, Paris Saint-Germain e Barcelona, além do Real Madrid quando pressiona com intensidade, sendo o objetivo principal impedir que o adversário tenha tempo e espaço para construir o jogo.
Ele afirma que esse tipo de futebol precisa de defensores capazes de vencer os duelos individuais, citando Saliba e Gabriel no Arsenal, e Marquinhos e Pacho no Paris Saint-Germain.
A seleção espanhola conta com uma admiração evidente de Davide Ancelotti, que vê nela um modelo de futebol técnico e coletivo. Ele diz: "Eles são excelentes no trato com a bola. Eles representam o futebol técnico, o terceiro homem, a superioridade numérica e, o mais importante, o jogar como uma equipe só. Eles são, sem dúvida, uma fonte de inspiração".
Também elogiou a fidelidade da seleção espanhola à sua identidade mesmo nos períodos em que não conquistava vitórias, considerando que o futebol espanhol conseguiu construir uma identidade nacional clara.
Em contrapartida, ele considera que a Itália precisa de estabilidade em seu projeto, apontando que a seleção italiana sempre foi conhecida por sua força defensiva, mas que esse aspecto já não está presente da mesma forma no momento atual. E disse: "Sempre fomos famosos por nossa força defensiva, e isso é o que já não acontece agora. Sempre tivemos técnicos competentes, como Mancini e Spalletti, de nível muito alto. E agora, espero que vejamos estabilidade em nosso projeto".