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Colina: Os sacrifícios dos árbitros me dão arrepios... E a polêmica da partida da Inglaterra foi decidida pela tecnologia

Pierluigi Collina, presidente da Comissão de Árbitros da Federação Internacional de Futebol (FIFA), afirmou que a escolha do árbitro para apitar a final da Copa do Mundo não foi uma tarefa fácil, ressaltando, ao mesmo tempo, que é surpreendente que as pessoas não estejam convencidas de que a bola não tocou em nenhum cabo durante a partida entre a Noruega e a Inglaterra.

Colina concedeu uma entrevista ao jornal italiano “La Gazzetta dello Sport” por ocasião da final da Copa do Mundo de 2026, que será disputada hoje entre as seleções da Espanha e da Argentina.

  • Final da Copa do Mundo

    O ex-árbitro italiano apitou várias partidas importantes ao longo de sua carreira, incluindo a final da Copa do Mundo de 2002, na qual a seleção brasileira venceu a Alemanha por 2 a 0, graças aos dois gols do astro Ronaldo.

    Colina, considerado o melhor árbitro da história do futebol, nomeou o árbitro esloveno Slavko Vinčić para apitar a final da Copa do Mundo desta noite.

    Colina disse: “Ele teve uma trajetória muito boa. Estou feliz por ele, assim como estou pelos outros que estiveram aqui; tomar a decisão e escolher o árbitro da final não foi nada fácil”.

    O árbitro esloveno Slavko Vinčić começou a chorar assim que soube que havia sido escolhido para arbitrar a final do Mundial.

    Colina comentou sobre esse momento, dizendo: “Sempre fico arrepiado, pois sei o que esses homens e mulheres fizeram ao longo dos anos e as grandes sacrifícios que fizeram, incluindo o sacrifício com suas famílias. Eu já esperava que Vinčić se emocionasse, e esse é o mesmo sentimento que eu mesmo já experimentei anteriormente”.

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  • Decisões polêmicas

    O ex-árbitro italiano abordou, em sua entrevista, a tecnologia de vídeo-árbitro e algumas das decisões mais polêmicas desta edição da Copa do Mundo.

    O presidente da Comissão de Árbitros da FIFA explicou: “A tecnologia foi introduzida no futebol para resolver uma situação contraditória. No estádio, mais de 80 mil espectadores podiam ver o que acontecia em campo em tempo real, mas a única pessoa que não conseguia fazer isso era justamente aquela que precisava tomar as decisões”.

    Colina continuou: “Tínhamos dois caminhos: ou criávamos uma comunidade semelhante às comunidades Amish dentro do campo, onde a tecnologia fosse totalmente proibida, ou concedíamos aos árbitros a mesma oportunidade que todos têm. Investimos milhões na esperança de que sejam desperdiçados; pois isso significaria que os árbitros fizeram um bom trabalho e não precisaram recorrer a ela”.

    E acrescentou: “Desde a década de 1990 até hoje, o futebol mudou completamente. Os jogadores estão diferentes, e o jogo passou a ser disputado com um ritmo e uma velocidade muito maiores. E, em meio a tudo isso, a tecnologia desempenhou um papel extremamente importante, inclusive no que diz respeito à assistência aos árbitros”.

    O ex-árbitro de renome relembrou suas memórias: “Lembro-me da final entre Brasil e Alemanha; quando pedi à equipe japonesa local que me fornecesse vídeos com imagens das duas seleções, eles me olharam de um jeito estranho. Hoje, porém, existe o sistema FIFA iPro, desenvolvido em parceria com a Lenovo, que pode fornecer informações extremamente úteis para a preparação das partidas.”

  • A Croácia foi injustiçada contra a Inglaterra?

    A Copa do Mundo de 2026 testemunhou uma das maiores polêmicas durante a partida das quartas de final entre as seleções da Inglaterra e da Noruega, quando a seleção dos Três Leões marcou o gol de empate depois que a bola pareceu ter batido em um cabo de câmera, o que alterou sua trajetória.

    Colina reagiu com firmeza a esse episódio, afirmando: “É surpreendente que as pessoas não se convençam de que a bola não tocou em nenhum cabo... Foi exibido um gráfico que mostra que, quando um jogador ou algum objeto toca na bola, aparece uma curva ou um pico claro no gráfico”.

    Colina continuou: “Nesse caso, o gráfico permaneceu totalmente plano desde o momento em que o goleiro passou a bola até o outro jogador dominá-la. Houve apenas uma oscilação minúscula relacionada ao ar. O mesmo se aplicou à rotação da bola, e a câmera permaneceu estável e imóvel. Existem ferramentas tecnológicas que permitem esclarecer e decidir certas questões”.

    O sensor dentro da bola também foi decisivo na vitória da seleção de Portugal por 2 a 1 sobre a Croácia, quando o gol de empate marcado no final da partida pela Croácia foi anulado por impedimento.

    Colina se referiu a essa situação, dizendo: “Aqui também, o gráfico ficou totalmente claro. Há um pico ou curva que aparece quando a bola tocou a cabeça do atacante croata, depois uma linha plana, seguida por outro pico quando a bola tocou as costas do zagueiro português”.

    O presidente da Comissão de Árbitros da FIFA acrescentou: “Como o sistema não detecta o contato com o cabelo, o pico ou a curva no gráfico é determinado com base no contato direto com a cabeça”.

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  • Ausência de emoção

    Colina enfatizou que a tecnologia do VAR e outras inovações tecnológicas no futebol contribuem para melhorar o jogo, em vez de privar os torcedores da emoção e da adrenalina.

    E continuou: “Essa afirmação é historicamente incorreta. No que diz respeito às situações de impedimento, há uma espera de alguns segundos para confirmar a decisão, mas o jogador comemora assim que marca o gol”.

    Colina concluiu: “Se o gol for confirmado, há uma segunda comemoração; caso seja anulado, é a equipe adversária que comemora. Considero justo e equitativo que a emoção se baseie em uma decisão correta, em vez de um fato sobre o qual a controvérsia se prolonga por semanas ou décadas. Até hoje, sessenta anos depois, as pessoas ainda se perguntam se a bola realmente ultrapassou a linha do gol no gol da Inglaterra na final de 1966”.