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O Brasil é o país do futebol, mas muito se engana quem acha que só de clubes locais e gigantes europeus vivem os fanáticos pelo esporte. O jornalista londrinense Jefferson Bachega, por exemplo, é aficcionado pelo Watford F.C., clube do sudeste inglês que disputa a Premier League, mas é pouco falado entre os fãs brasileiros.
A paixão de Jefferson pelo Hornets vem de longa data – 2007, quando o então jovem torcedor descobriu a equipe em um game de futebol para PlayStation 2. O que chamou a atenção foi o brasão e o uniforme de cor berrante, que logo se tornou o favorito do jovem para disputar partidas virtuais.
Ainda sem acesso a internet ou TV a cabo para acompanhar as partidas, Jefferson se contentava em disputar ligas usando a nova equipe do coração no videogame, que tinha o inglês Ashley Young e o argelino Hameur Bouazza como principais nomes.
Foi só em 2013 que o brasileiro viria a se aproximar ainda mais do Watford, passando a acompanhar assiduamente as partidas do clube pela TV e pela internet, além de descobrir uma pequena porém fanática comunidade de fãs brasileiros, que se reúnem virtualmente para apoiar o time inglês.

“A base de fãs tem um pouco de tudo, desde pequenos grupos dedicados à equipe até um perfil brasileiro oficial, reconhecido pelo próprio Watford”, conta Jefferson sobre a presença do time na internet brasileira.
Nesses canais, os torcedores trocam todo tipo de informação sobre a equipe, como escalações para as partidas, debates sobre novas contratações e até mesmo brincadeiras envolvendo os jogadores do clube, com direito a figurinhas personalizadas.
A memorável partida dos playoffs contra o Leicester em 2013 também ajudou a fortalecer os laços do brasileiro com o Watford.
“Eu não estava assistindo ao jogo contra o Leicester ao vivo porque ainda não tínhamos TV a cabo, mas me lembro de ficar impressionado com a cena da torcida invadindo o gramado depois do gol e do narrador gritando muito. Esse é um dos momentos mais marcantes para mim.”
Como assessor de comunicação do Londrina Esporte Clube (principal time de futebol de sua cidade, que também tem lugar no seu coração de torcedor), Jefferson também diz se inspirar no trabalho feito pelo clube nas redes sociais, que inclui bastidores dos treinamentos e brincadeiras entre os atletas, com destaque para o goleiro brasileiro Gomes.

“Gosto muito de como eles mostram o dia a dia dos jogadores no YouTube, Instagram e Twitter. É um tipo de conteúdo que ajuda a criar um vínculo com torcedores de outros continentes”.
Ele ainda cita o estilo descontraído da torcida e a atmosfera criada no estádio como fatores que o fizeram se aproximar da equipe.
Apesar da paixão pelo clube, Jefferson nunca teve a oportunidade de visitar a cidade de Watford ou o estádio Vicarage Road, mas mostrou um pouco de seu conhecimento falando sobre a área das arquibancadas dedicada a Elton John, ilustre músico inglês que é torcedor do time e chegou a ser presidente do Watford na era do técnico Graham Taylor.
O amor pelo time pouco popular no Brasil pode causar reações confusas de amigos e familiares, mas é compreendido por colegas mais próximos, que também são adeptos de equipes fora do “Big Six” da Inglaterra. “Tenho amigos do trabalho que torcem para o Nottingham Forest e para o Leeds United, e sempre trocamos provocações sobre as conquistas dos times do passado e do presente”.
“Aqui no Brasil as pessoas não costumam conhecer times europeus que não sejam famosos como Real Madrid, Barcelona ou Manchester United. É sempre um desafio apresentar o Watford a essas pessoas e explicar como eu terminei torcendo para uma equipe menos conhecida por aqui.”
Outro problema para Jefferson e outros torcedores locais do Watford é a baixa oferta de itens do time, como camisetas, bandeiras e outros acessórios. Além de difíceis de encontrar, essas peças são extremamente caras, o que faz com que os torcedores brasileiros apelem para itens artesanais ou até camisas falsificadas.
“Eu nunca vi uma camisa do Watford à venda aqui em Londrina. De vez em quando algum dos membros da nossa comunidade viaja para o exterior e traz peças importadas, mas mesmo assim o valor é bem alto. Outros fazem seus próprios itens, como cachecóis bordados com o nome do clube,”
conta Jefferson.

Um dos grandes ídolos da torcida dos Hornets graças a gols importantes e muita identificação com o time, Troy Deeney também é o jogador favorito de Jefferson. “Ele é o nosso capitão, um verdadeiro ícone para o Watford. Ele é alto, forte, um guerreiro em campo” diz. Ele ainda cita outros jogadores como Gerard Deulofeu (a quem chama de Deuslofeu), Abdoulaye Doucuré e o brasileiro Heurelho Gomes.
Além do jogo contra o Leicester em 2013, Jefferson lembra da semifinal da FA Cup contra o Wolverhampton como um dos momentos mais marcantes como torcedor do Watford. Na partida, os Hornets perdiam por 2 a 0 e conseguiram virar para 3 a 2. O fato curioso é que o torcedor terminou acompanhando o placar por um chat de torcedores no Whastapp.
“Eu estava tentando assistir ao jogo pela internet, mas minha conexão caía o tempo todo. Foi aí que eu desisti do streaming e resolvi acompanhar a partida pelos comentários no grupo do Watford no Whatsapp. Foi pelas mensagens de outros membros que fiquei sabendo dos gols que marcamos no fim do jogo”
,lembra Jefferson.
Fruto da simpatia inicial de Jefferson pelo Watford, os games continuam sendo parte importante da relação do torcedor com os Hornets. Hoje em dia ele dirige a equipe inglesa no modo Carreira do FIFA, em que já chegou a sua décima temporada, vencendo duas Ligas dos Campeões da UEFA pelo clube.
Em uma partida rápida de FIFA 20, o brasileiro mostra intimidade com as táticas e elenco do clube inglês, criando uma formação toda personalizada e recheada de táticas para enfrentar os rivais Luton Town e Southampton.
Outro hobbie é o Fantasy oficial da Premier League, que ele joga com um grupo de amigos, sempre encaixando alguns dos seus jogadores favoritos do Watford.
“Às vezes meus amigos tiram sarro de mim dizendo que um jogador do Watford arruinou sua pontuação semanal no Fantasy da PL”.






