Várzea, falta de planejamento, Copa do Mundo e o loop eterno de erros do futebol brasileiro

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MIGUEL SCHINCHARIOL/AFP/Getty
Ano após ano, os equívocos continuam, assim como os sinais de que as coisas precisam mudar

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Os trabalhos de Roger Machado e Jair Ventura eram muito questionáveis. Vários erros eram claros e não existem muitos argumentos convincentes para justificar a permanência de ambos nos comandos de Palmeiras e Santos, respectivamente, e dizer que eles não deveriam ter sido demitidos. No entanto, a forma como a demissão dos treinadores aconteceu prova mais uma vez uma série de problemas do futebol brasileiro.

Não é de hoje que Roger Machado e Jair Ventura são criticados. Eles quase foram demitidos anteriormente, mas resistiram. Veio, então, a Copa do Mundo. Era a janela ideal para os treinadores terem um tempo maior de trabalho para corrigir os problemas de suas equipes e as diretorias contratarem os reforços necessários. Também era o melhor momento para demitir técnicos criticados.

Afinal, os dirigentes teriam tempo para estudar o melhor substituto, contratá-lo e dar um mês inteiro sem jogos de três em três dias para ele poder conhecer o elenco e tentar transmitir sua filosofia de trabalho nos treinamentos.

Se Roger e Jair não serviam, era a hora perfeita para trocar o comando.

No entanto, Palmeiras e Santos decidiram "bancar" seus treinadores, apostar no aproveitamento da pausa para a Copa do Mundo e no sucesso e em uma vida nova com o retorno do Campeonato Brasileiro. Isso para, dois jogos depois no caso de Jair, e três no caso de Roger, "perderem" a confiança em uma reviravolta.

Jair Ventura Santos Palmeiras Brasileirao Serie A 19072018(Foto: Miguel Schincariol/Getty)

E com as oitavas de final Copa Libertadores batendo na porta. O Verdão encara o Cerro Porteño em 9 de agosto, enquanto o Peixe tem um tempo maior, de quase um mês de preparação, para enfrentar o Independiente.

No entanto, ambos terão sequências com jogos praticamente de três em três dias até lá. Ao invés de trocarem o comando no cenário já mencionado durante a Copa do Mundo, a mudança acontece no retorno da temporada. 

Os dirigentes vão correr atrás de um substituto com pressa. Depois de contratar o novo comandante, ele terá a já destacada sequência de partidas e também duelos decisivos pela frente, além de praticamente não ter tempo para treinar sua equipe, conhecer com calma e melhor seus jogadores, os pontos fortes e fracos do elenco, testar variações com mais tranquilidade, fazer os ajustes necessários e, consequentemente, ter maior chance de sucesso. O novo treinador já vai chegar com uma enorme pressão nas costas. Um cenário muito pior e que poderia ter sido evitado.

Roger Machado Corinthians Palmeiras Brasileirao Serie A 13052018(Foto: Alexandre Schneider/Getty)

A falta de planejamento e a incompetência dos clubes brasileiros não para de surpreender. Agora ocorreu com Palmeiras, Santos e, em uma situação diferente, com o América-MG. Mas já aconteceu anteriormente com todos os times tupiniquins.

O loop eterno de erros continua, mas as pessoas preferem seguir ignorando todos os sinais que recebemos, ano após ano, de que as coisas estão erradas. E enquanto isso, continuamos com a triste cultura e mentalidade do futebol de resultados, um calendário ridículo, milhares de jogadores sem emprego e sustento após três meses ou menos de temporada, campeonatos com nível técnico e tático péssimos, corrupção na CBF e nas federações, dirigentes incompetentes e um lamentável status quo eterno como o loop de erros.

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