"Triste e assustado" com vitória de Bolsonaro, Raí reflete sobre relação entre jogadores e política

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Ídolo do São Paulo culpa a falta de cultura política e diz que tentou converter votos antes das eleições

O ídolo do São Paulo e do PSG, Raí se disse "triste e assustado" com a eleição de Jair Bolsonaro como novo Presidente da República do Brasil. O atual diretor de futebol do Tricolor paulista é irmão de Sócrates, importante jogador e ativista político, que ajudou a fundar a 'Democracia Corinthiana', um grupo de resistência na época da ditadura militar.

"Na última semana eu só pensei em política, valores, o futuro, os meus ideais... Eu fui votar com convicção escolhendo a opção que eu mais me identifico. Eu fiquei preocupado, mas tinha um pouco de esperança dentro de mim. Depois dos resultados eu fiquei triste e até mesmo assustado quando vi as reações das pessoas celebrando a vitória do candidato que já mostrou vários absurdos e valores repugnantes", disparou Raí ao jornal francês L'Équipe.

Raí é cidadão francês mas afirmou seu desejo de permanecer no Brasil e falou em construir "um país melhor". Quando perguntado sobre os cerca de 60 milhões de pessoas que votaram em Bolsonaro, Raí analisou os motivos de muitas pessoas.

"Há também pessosa de boa fé que acreditam nas posições conservadoras defendidas pelas igrejas evangélicas. Há milhões e milhões de brasileiros que se sentiram traídos. Essa sensação provocou um terrível desejo de mudança, às vezes motivado pelo ódio. Muitas vezes perturbando os valores essenciais da democracia e os nobres valores do ser humano. Eu não tenho dúvida que muitos brasileiros não acreditam que seu novo presidente colocará em prática as terríveis e inaceitáveis preconceitos que ele falou em público", ponderou o diretor de futebol do São Paulo.

Raí - São Paulo - 12/03/2018(Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net)

O antigo camisa 10 do Tricolor falou que falta cultura política no Brasil e que grande parte dos jogadores não se posicionam contra o futuro presidente por falta do debate. Ele também afirmou que tentou reverter alguns votos de Bolsonaro para Fernando Haddad, candidato derrotado no segundo turno das eleições.

"Quando eu sentia uma abertura, eu tentava convencer as pessoas. Eu acho que mudei alguns votos, mas não tanto quanto o que eu queria. A grande maioria dos partidos de esquerda não apoiaram Fernando Haddad. Mas como convencer os eleitores se até o PT não conseguiu convencer seus aliados? Assim, fica ainda mais difícil", analisou o ex-jogador de 53 anos.

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