Thuram: “Eu não conheço Pelé, mas eu acho que é preciso superar um certo egoísmo”

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Campeão mundial em 1998 com a França, ex-zagueiro reclamou da falta de participação do Rei do Futebol na luta contra o racismo

Campeão mundial com a França em 1998, o ex-zagueiro francês Thuram criticou Pelé pelo fato de o Rei do Futebol nunca ter participado ativamente da luta contra o racismo da qual trave desde que se aposentou.

“A verdade é que Pelé jamais se posicionou. Ele jamais se posicionou sobre a problemática do racismo no Brasil... E, portanto, ele é alguém que poderia ter feito avançar as coisas. Mas, para se posicionar e melhorar as coisas, eu acho que é preciso gostar das pessoas”, declarou o francês em entrevista ao SporTV.

“Eu não conheço Pelé, mas eu acho que é preciso superar um certo egoísmo... E, pode ser que Pelé não tenha essa grandeza da alma, porque, efetivamente, se você vir a imagem que ele tem no mundo, eu acho que ele deveria ter feito outras coisas”, acrescentou.

Carlos Alberto Torres Pelé / Cosmos / 25 10 16
(Foto: Neilson Barnard/Getty Images)

“Mais uma vez, eu acho que a partir do momento que você é uma pessoa negra e que você sabe que no seu país existe racismo, e que você está em uma situação que permite fazer avançar as coisas, eu acho que, um dia ou outro, você vai se arrepender. Porque, de fato, se nós servimos para algo, cada um de nós, é para melhorar o futuro, a fazer uma sociedade mais justa”, completou.

Thuram também cobrou postura mais firme da Fifa em relação ao tema.

Lilian Thuram France
(Foto: Getty Images)

“Eu acho que é necessário ser ainda mais duro na resposta dada, quando ocorre um ato de racismo. E também sensibilizar as pessoas que não são atingidas pelo racismo. Eu continuo convencido que as pessoas que trabalham envolvidas com racismo na Fifa são pessoas que são muito distantes da experiência, vivência, do racismo, portanto não entendem a que ponto é uma violência. E também existe a realidade, que o futebol é um negócio. Dessa forma, não se pode dar uma resposta tão forte porque dar uma resposta forte é também colocar em perigo o ‘negócio futebol’”, afirmou.

“Eu acho que as pessoas que não são atingidas por racismo durante uma partida de futebol são esses os jogadores que deveriam deixar o campo. Eu estou convencido que, se todos os jogadores, falando dos brancos que não sofrem racismo, porque em geral são os jogadores negros, deixassem o campo, eu acho que as coisas evoluiriam muito rapidamente. Mas, muitas vezes, o árbitro faz como se não tivesse entendido, e alguns jogadores fazem como se também não tivessem entendido, e a partida continua”, finalizou.

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