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The Best: injustiça e ironia na escolha por Luka Modric em detrimento a Cristiano Ronaldo

17:57 BRT 24/09/2018
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O croata é um craque, mas sequer foi absoluto como grande protagonista de uma Copa que não ganhou

Kaká foi o maior craque em 2007 e ganhou, com absoluto merecimento, o prêmio de melhor do mundo antes de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo emplacarem um domínio jamais visto antes.

Evidente que o duopólio estabelecido não foi unanimidade em todas as temporadas, como aconteceu, por exemplo, em 2010, quando não bastou a Wesley Sneijder ter sido o grande protagonista no Triplete da Internazionale (Champions League + Coppa Italia + Serie A) ou ter levado a Holanda ao vice-campeonato mundial.

Fato é que a única discordância, o motivo de debate nestes 10 anos, estava reservada apenas a Messi ou Cristiano Ronaldo. Isso voltou quando o argentino não foi apontado entre os finalistas da edição 2018 do prêmio The Best, entregue pela FIFA. E apareceu novamente nesta segunda-feira (24), quando Modric acabou com a década dividida ao bater Mohamed Salah e, especialmente, Cristiano Ronaldo para receber o troféu individual.

Messi e Cristiano estiveram unidos em uma década de rivalidade que jamais será esquecida, e estiveram juntos como grandes ausências na cerimônia de gala realizada em Londres. Ambos culparam o calendário: enquanto Liverpool (de Mohamed Salah) e Real Madrid (de Modric) entraram em campo no sábado (22), Barcelona e Juventus – respectivas equipes de Lionel e Ronaldo – tiveram seus compromissos no domingo (23). Mas os camisas 10 e 7 dificilmente não estariam ali se tivessem que viajar para receberem a premiação.

Nenhum problema em dar, a cada quatro anos, um peso maior à Copa do Mundo nestes eventos. O absurdo de Luka Modric ter sido o escolhido está no fato de que o croata sequer foi unanimidade entre os melhores do Mundial, onde levou a Croácia a um espetacular vice-campeonato, e também não foi o grande protagonista do Real Madrid na conquista da Champions League – posto indiscutivelmente de CR7 em sua última temporada na equipe espanhola.

Tão contraditório quanto escolher apenas um jogador dentro de um esporte coletivo, é colocar como melhor aquele que sequer tenha sido protagonista absoluto tanto na Champions quanto na Copa do Mundo. Ou ainda o fato de nenhum jogador da França campeã mundial, como Antoine Griezmann, ter chegado à lista final.

O final do duopólio nas premiações (Foto: Getty/Goal composite)

Não me entendam mal: Modric é um craque e tem futebol para ser melhor do mundo. Acontece que em 2018 ele não foi. Por isso, na comparação com os três finalistas, paira uma certa sensação de injustiça ao não ver Cristiano Ronaldo com a taça do ‘The Best’ em mãos. E a ironia de que, no laurel que mais evidencia a cultura do individualismo no maior dos esportes coletivos, o escolhido como craque principal tenha sido alguém marcado mais pelo rótulo de ser espetacular nas ações em conjunto do que um protagonista em si.

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