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Seleção de Tite chega à sua primeira final: aprendeu a se virar sem Neymar?

14:20 BRT 03/07/2019
Neymar Brasil Argentina Copa America 02072019
Após o corte do então camisa 10, o Brasil viu o nascimento de um xodó na ponta-esquerda, exibições seguras e alcançou a finalíssima da Copa América

O dia seguinte de uma vitória marcante, por 2 a 0, que eliminou a arquirrival Argentina na semifinal da Copa América também é marcada pela ausência do nome de Neymar. Em doses homeopáticas e com alguns acontecimentos marcantes, o peso da presença e a dependência técnica foi se dissipando ao longo do torneio. Hoje, o maior craque brasileiro em atividade é apenas um torcedor ilustre nas tribunas dos estádios. Sua ausência não fez falta para o Brasil fazer o que dele se esperava: chegar na decisão do torneio continental disputado em seu território.

Neymar se apresentou à seleção brasileira, para a disputa da Copa América envolto em polêmica, pela agressão a um torcedor rival, e com sua condição física posta em dúvida após uma nova lesão no pé direito. Mas o que ninguém esperava era ver uma situação de acusação de estupro, feita pela modelo Najila Trindade, e que abalou todas as estruturas no planejamento estipulado: enquanto Tite concedia entrevista coletiva na Granja Comary, durante a preparação visando o torneio, repórteres tiveram que deixar o local  para fazerem imagens de um carro da polícia federal que adentrava as instalações da CBF para apurar o caso.

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No final das contas, a lesão no tornozelo que o tirou da Copa América foi o primeiro de um capítulo que ajuda a explicar, por mais contraditório que seja, como o Brasil conseguiu se livrar da grande dependência em relação ao seu grande protagonista.

A seleção em campo e o fenômeno Cebolinha

(Foto: Getty Images)

Desde as polêmicas iniciais envolvendo Neymar, Tite insistia no discurso que dava protagonismo à equipe. Como punição ao comportamento de seu então camisa 10 em relação ao torcedor do Rennes, lhe tirou a faixa de capitão e deu a Daniel Alves. As falas sobre a importância da equipe, apesar da qualidade de Ney, seguiram após a lesão sofrida no amistoso contra o Qatar.

Sem a sua maior referência, Tite deu a liberdade criativa maior à Philippe Coutinho, que recebeu carta branca para fazer o que quizesse centralizado no 4-2-3-1. Mas a ironia foi que o xodó brasileiro desta Copa América apareceu justamente na ponta-esquerda ocupada por Neymar. Everton Cebolinha garantiu a vaga de titular ao longo da competição demonstrando ousadia, alegria e gols! Tinha seu nome gritado pelas arquibancadas que pareciam já ter esquecido momentaneamente de Neymar.

Cebolinha, entretanto, começou a cair levemente de rendimento depois dos 3 a 0 sobre o Peru, ainda na fase de grupos. Na vitória sobre a Argentina, na semifinal, foi substituido por Willian no intervalo. Mas a seleção brasileira não sentiu a falta de Neymar no jogo mais difícil da campanha: a equipe respondeu bem, Gabriel Jesus enfim marcou e decidiu, Firmino se consolidou como um grande garçom (já foram três assistências até aqui) e Daniel Alves tomou para si o protagonismo no triunfo por 2 a 0 no Mineirão.

E o que Neymar fez?

(Foto: Getty Images)

Fora das quatro linhas, Neymar alternou a vida de playboy com a de embaixador da seleção brasileira. Há menos de uma semana, por exemplo, curtiu a noitada de Porto Alegre ao lado do amigo e surfista Gabriel Medina, esteve no Mineirão para ver o Brasil levar a melhor sobre os argentinos e ainda desceu para os vestiários a tempo de aparecer em uma foto ao lado dos companheiros.

Acabou a Neymardependência?

Ter chegado à decisão da Copa América sem contar com o seu principal jogador deixa evidente que o Brasil solidicou como equipe. Psicologicamente, como confirmado pelos próprios jogadores, fortaleceu a união e concentração em prol do objetivo. Em campo, a seleção de Tite teve seus percalços mas chega para a decisão que será realizada no Maracanã, domingo (07) com os melhores números e batendo a equipe que tinha Messi do outro lado.

No final das contas, a resposta mais correta para dizer se o Brasil conseguiu ou não se desprender da sombra de Neymar foi dada por Tite na coletiva realizada dentro da Granja Comary, antes mesmo do pontapé inicial da Copa América: o jogador do PSG é imprescindível, como é qualquer craque para qualquer time. Mas ao ter chegado do jeito que chegou à decisão, algo que jamais conseguiu fazer com o ex-santista na equipe, a seleção atestou o que foi dito pelo seu técnico: ninguém é insubstituível.

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