Sampaoli, um "extraterrestre" que pedala, vai à praia e brinca com crianças

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Ivan Storti/Santos FC
Jorge Sampaoli, técnico do Santos, mostra uma rotina mais próxima dos fãs que desperta curiosidade e cria laços

A imagem acima desperta muita curiosidade, no mínimo. Um técnico mundialmente famoso, que comandou a Argentina na última Copa do Mundo e é conhecido na Europa, rodeado de meninos descalços ou de chinelos, um deles sem camisa. Não são meninos das categorias de base do Santos que cercam Jorge Sampaoli, técnico do time da Vila Belmiro. São fãs. Torcedores. “Comuns”. Comuns, neste caso, ficam entre aspas porque vivemos num cenário em que parece existir um abismo entre a torcida e seus ídolos.

Mas a simplicidade de Sampaoli está mostrando uma nova maneira de encarar o futebol no Brasil. Nesta quarta-feira, uma nota na coluna De Primeira, do UOL, contou que o argentino abre os portões do CT para alguns meninos que sobem nas árvores que cercam os muros santistas para ver o treino da equipe.

“Sampaoli conversa com as crianças e às vezes dá até uma bola para elas. O fato ocorre cerca de duas vezes por semana e o argentino começou a fazê-lo depois de as crianças gritarem seu nome de cima das árvores, então ele pediu aos seguranças para abrirem os portões para elas”, descreve o texto.

Meninos acompanham treino do Santos do banco de reservas

Talvez para Sampaoli seja um gesto simples, rotineiro. Assim como foi sua pedalada na semana passada, pelas ruas de Santos, com a mochila nas costas, no meio do trânsito da cidade litorânea. Assim como têm sido suas idas à praia para jogar beach tennis e futevôlei.

Cada vez há mais relatos de torcedores que encontram Sampaoli em Santos como se ele fosse uma pessoa normal, dessas que você pode ver no dia a dia e não só pela televisão ou atrás de vidros totalmente escuros.

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E aqui não é uma crítica a quem prefere evitar uma rotina “comum”. Com todos os problemas da segurança no Brasil, pessoas públicas que sabidamente ganham muito dinheiro sabem melhor do que ninguém o que é melhor para elas. Isso serve para todo mundo, obviamente. Cada um sabe onde o calo aperta.

Mas ver Sampaoli, o técnico do Santos, desfilando simplicidade desperta mais que curiosidade. Aproxima fãs, gera empatia, cria laços. Muros altos têm sua utilidade, mas há vida dos dois lados. E o treinador argentino parece gostar de ambos, para sorte daquelas crianças que descem das árvores para, duas vezes por semana, pisar no gramado onde Neymar, Robinho e outros meninos pisaram antes de brilharem na Vila.

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