Ronaldo pode se contentar em ter brilhado em sua época... e isso basta

Comentários()
Getty
O Fenômeno foi um dos melhores em seu tempo, mas isso não quer dizer que Messi e Cristiano não dominariam a sua época

Header Tauan Ambrosio

Saudosismo: Gosto exagerado ou tendência para valorizar coisas do passado ou que não existem mais.

Depois de Rivaldo afirmar que, se jogasse atualmente, brigaria pela Bola de Ouro com Messi e Cristiano Ronaldo, foi a vez de outro imortal do nosso futebol demonstrar uma opinião parecida.

Em entrevista ao jornal alemão Bild, Ronaldo, o Fenômeno, garantiu que ser o melhor do mundo em sua época era mais difícil do que atualmente e exemplificou grandes nomes que concorriam consigo pelo maior prêmio individual do esporte bretão.

Zidane, Rivaldo, Figo e Ronaldinho Gaúcho foram alguns nomes lembrados pelo eterno camisa 9. Mas ele ainda poderia ter dito Nedved, Shevchenko e alguns outros.

Ronaldo Nazario Inter(Foto: Getty Images)

As palavras do herói do Penta, em 2002, repercutiram e iniciaram um grande debate no qual você pode, ao mesmo tempo, concordar e discordar do ex-atacante.

Concordar ao reconhecer que a concorrência era maior, mas discordar ao deixar claro que Messi e Cristiano Ronaldo estão em outro nível quando o assunto é o poder decisivo nas partidas. A distância que a dupla construiu em relação aos demais já dura uma década e ainda prevalece. É algo sem precedentes na história do futebol.

Na últimas dez edições da Champions League, Messi e Cristiano Ronaldo somaram sete conquistas. Em apenas outras três o português ou o argentino ficaram sem o máximo troféu da Europa.

Além disso, juntos eles somam mais gols [212, 115 de CR7 e 97 de Messi] no principal torneio continental do que Raúl, Van Nistelrooy e Shevchenko [190 gols] – expoentes da época citada pelo Fenômeno, e que eram os três maiores goleadores da Champions até o aparecimento de CR7 e Lionel.

Cristiano Ronado Messi The Best 2017(Foto: Getty Images)

Óbvio que outros aspectos merecem atenção especial, e a análise é extensa o bastante para ser tema de livro. A própria Champions League, por exemplo, aumentou tanto a sua importância a ponto de ser uma sombra real para a Copa do Mundo. Um outro ponto é o excesso de grandes jogadores concentrados em um número menor de clubes, algo que diminui o número de protagonistas.

Mas o que incomoda no discurso de Ronaldo é o abuso no tempero saudosista. Relembrar o passado e valorizá-lo é dever de todos os que amam o futebol, mas acreditar religiosamente que tudo era melhor antes ultrapassa a barreira da análise sobre o que acontece no esporte mundial de hoje.

Cada época tem os seus heróis, os seus craques. Se houver uma forma mais segura de comparar os maiores da história, talvez seja dividir o esporte em fatias de tempo e contextualizar os feitos de cada jogador e o que esses triunfos representaram.

Ronaldo Fenômeno foi um dos maiores no espaço de mais ou menos uma década, uma época recheada pela interação globalizada na qual os melhores jogadores do mundo passaram a se enfrentar com uma assiduidade maior. Em tal período, R9 conseguiu entrar para a história pelo que fez em seu tempo. E isso já basta.

Fechar